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Servidores federais condenam “enrolação, intransigência e descaso do governo”

“Infelizmente, a prioridade do governo Dilma tem sido o pagamento de juros aos banqueiros”, denunciam delegados da categoria ao 11º CONCUT

Escrito por: Leonardo Severo

 Luiz Carlos Leite e Carmem Lúcia Barbosa (SINTET-UFU) e Benedito Robson Monteiro (SINTUF),

Luiz Carlos Leite e Carmem Lúcia Barbosa (SINTET-UFU) e Benedito Robson Monteiro (SINTUF),

Após 58 infrutíferas reuniões com o governo federal, os servidores federais decidiram ir à greve. Iniciada há um mês, a paralisação vem se fortalecendo de Norte a Sul contra “a intransigência e o descaso”, denunciam delegados e delegadas sindicais presentes ao 11º Congresso Nacional da CUT.

Em jornal distribuído ao conjunto do plenário nesta terça-feira (10), a delegação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (SINTUFRJ) condenou “o infeliz pronunciamento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que teve a cara de pau de afirmar que se a presidenta Dilma autorizar aumento para os trabalhadores da educação o Estado quebra”.

Enquanto os problemas se avolumam, adverte Luiz Carlos Leite, coordenador de Comunicação e Imprensa do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior de Uberlândia (Sintet-UFU), o governo finge que não ouve. “É uma intransigência absurda, não aponta nada, não negocia nada, não há reposição. A última reunião com a presença do ministro Mercadante não saiu do lugar. É um descaso só, como se não existissem problemas e nem houvesse uma greve para exigir sua solução”, avalia.

“O fato é que não há diálogo. As mesas de negociação viraram mesas de enrolação, colocando a solução sempre para depois, como se o mar estivesse calmo, como se não tivéssemos de nos alimentar, de estudar, de nos qualificar”, denuncia Carmem Lúcia Barbosa, coordenadora de Formação Sindical do Sintet-UFU. Segundo a dirigente, a insatisfação crescente faz com que na Universidade Federal de Uberlândia, onde trabalham cerca de seis mil servidores técnico-administrativos, três mil docentes e 20 mil estudantes, a mobilização contra o arrocho seja total, pois isso afeta diretamente a qualidade do ensino e dos serviços prestados à população.

“O fato é que ficamos 2011 e 2012 sem nenhum reajuste, o que implica em arrocho dos salários. Estamos reivindicando algo que é nosso de direito. Se não conseguirmos colocar o reajuste na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) até o dia 31 de agosto, e o governo só tem até 31 de julho para enviar ao Congresso, também em 2013 não teremos nada. Portanto, ficaremos quatro anos sem ter sequer a reposição da inflação, o que representa um enorme arrocho e um imenso desgaste para a categoria”, acrescenta Luiz Carlos.

GOVERNO DESCUMPRE AGENDA

Em Cuiabá, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), descreve Benedito Robson Monteiro de Andrade, a situação é igualmente grave, com professores, estudantes e técnico-administrativos unidos e mobilizados “contra a falta de cumprimento das agendas por parte do governo”. “Na UFMT estão trabalhando apenas 30% dos trabalhadores que atuam nos serviços essenciais, como reza a lei”, explica.

Uma das principais bandeiras do movimento grevista, sublinha Robson, é a garantia da data-base, no dia 1º de Maio, e o piso de três salários mínimos. “Hoje o nosso piso é de apenas R$ 1.014. Defendemos um piso de R$ 1.800, a reposição das aposentadorias com as mesmas garantias dos ativos, pois há uma perda justamente quando a pessoa mais precisa”, disse.

É importante lembrar, alertou o delegado sindical de Mato Grosso, “que o governo cortou R$ 55 bilhões do Orçamento, desvalorizando os servidores e o serviço público para priorizar o pagamento de dívidas com os donos de bancos, com os especuladores”.

HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS: NÃO À PRIVATIZAÇÃO!

Outro ponto condenado por Robson é “o processo em curso de privatização dos hospitais universitários (HUs) com a formação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que é pública, mas de direito privado, para administrá-los”. Esta decisão, acrescenta Carmem Lúcia, “retira a autonomia universitária e compromete a unidade entre pesquisa, ensino e extensão”.

Assim, um hospital universitário como o de Uberlândia, que é referência para todo o Triângulo Mineiro, atendendo o sistema SUS e casos extremamente complexos e custosos, alerta Carmem, fica submetido a um regime privatista que compromete a qualidade e a amplitude do seu funcionamento. O mesmo ocorre no HU Júlio Muller em Cuiabá, denuncia Robson, que é referência para todo o Centro Oeste.

Como sintetiza o jornal do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, “o termômetro explodiu” com a ordem do governo dada às reitorias para que corte o ponto dos grevistas. Contra a ação repressiva, a categoria reforça a mobilização e convoca a sociedade a se somar na luta para “defender a autonomia universitária e barrar o autoritarismo”.

Leonardo@cut.org.br

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br

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10/07 – Categoria deve reforçar mobilização em resposta a retaliações do governo como corte de ponto

Apesar das tentativas de retaliação do governo com anúncio da prática do corte de ponto, as 26 categorias da base da Condsef com greve em curso em 24 estados e no Distrito Federal – e demais setores com paralisação de atividades, como professores e técnicos administrativos das universidades, entre outros – devem permanecer firmes na luta pela apresentação de propostas concretas do governo. Para a Condsef, este é um momento decisivo e a pressão é essencial para que os servidores assegurem no orçamento de 2013 o atendimento de suas demandas mais urgentes. Apesar do processo de negociações em andamento (veja aqui calendário de reuniões confirmadas) – o que é muito importante – os avanços esperados na consolidação de propostas para o funcionalismo ainda não apareceram.

Em entrevista veiculada na noite desta segunda, 9, no Jornal Nacional, o secretário-geral da Condsef, Josemilton Costa, deixou claro que a greve só deve terminar quando houver de fato propostas concretas que os servidores possam avaliar. Um acampamento com todas as entidades que possuem categorias em greve vai acontecer na Esplanada dos Ministérios entre os dias 16 e 20 deste mês e deve reforçar a mobilização da categoria. Para preparar a estrutura que irá receber servidores de todo o Brasil, a Condsef solicita que suas entidades filiadas informem até esta sexta, 13, o número de caravaneiros que vão participar das atividades do acampamento.

Aproveitando a movimentação intensa de servidores neste período, a Condsef vai realizar no dia 16 uma reunião extraordinária com representantes de sua Diretoria Nacional que estiveram em Brasília. No dia 18 uma nova marcha na Esplanada deve reunir milhares de servidores que culminará com uma atividade em frente ao Bloco K do Ministério do Planejamento. A expectativa é de conseguir audiência com a ministra Miriam Belchior e tentar destravar as negociações com a apresentação de propostas para a categoria. No dia 19 a Condsef promove também uma Plenária Aberta com servidores de sua base para avaliar as negociações, a greve do setor e os rumos da luta da categoria. E no dia 20 a Condsef participa de uma Plenária Conjunta com participação de todas as categorias em greve.

Reforço da paralisação – Enquanto as atividades do acampamento não começam a greve deve seguir se fortalecendo. Esta semana os servidores do Incra de Santa Catarina e Datasus de Mato Grosso adeririam a paralisação na base da Condsef. A partir de quinta param atividades também servidores da Funasa e Sesai em Santa Catarina. Quem também pode reforçar o movimento de greve são os servidores das Agências Reguladoras que vão decidir sobre paralisação em assembleia conjunta. Servidores da Imprensa Nacional também realizam assembleias permanentes e aguardam resultado de uma reunião com o Planejamento no dia 18 para decidir sobre uma possível paralisação por tempo indeterminado a partir do dia 19.

No caso das Agências, uma reunião nesta segunda, 9, com participação da Condsef, Sinagências, Fenasps e CNTSS para falar sobre aglutinação de cargos e transposição na carreira novamente não trouxe avanços significativos e outros dois encontros foram pré-agendadas para os dias 16 e 19 deste mês. As entidades solicitaram a presença de um representante da AGU no grupo de trabalho para auxiliar na discussão sobre a viabilidade da Carreira de Regulação, como também para outras carreiras já existentes.

AGU – Nesta terça, a Condsef recebeu inúmeros contatos dos administrativos da AGU, ansiosos para saber se o governo já havia encaminhado minuta de proposta do plano de carreira do setor que ficou de ser entregue no dia 5 de julho. A Condsef informa que mais uma vez o Planejamento não cumpriu com o prazo acordado com a categoria e até o momento do fechamento desta nota nenhuma minuta de proposta foi oficialmente recebida pela entidade. Dessa forma, os servidores da AGU também devem discutir em assembleia se devem se juntar aos demais setores do funcionalismo em greve para cobrar a apresentação de proposta concreta para a categoria.

A Condsef segue reforçando que quanto mais o governo empurrar os processos de negociação, mais os servidores devem se mobilizar. Somente o reforço na mobilização nacional será capaz de fazer com que a categoria obtenha vitórias significativas em um processo de negociação que ainda não apresentou as respostas de melhoria que os servidores e serviços públicos necessitam.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www.condsef.org.br/portal3/index.php?option=com_content&view=article&id=5625:1007-categoria-deve-reforcar-mobilizacao-em-resposta-a-retaliacoes-do-governo-como-corte-de-ponto&catid=35:notas-condsef&Itemid=222

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