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Povo curitibano debate a Palestina nesta sexta-feira, dia 25

Capital paranaense sediará encontro entre líderes sindicais e representantes palestinos

Escrito por: APP Sindicato

Nesta sexta-feira (25/01), a APP-Sindicato realizará um encontro reflexivo sobre o direito dos povos judeus.

O evento é promovido pela Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) em parceria com entidades sindicais e terá a participação do jornalista e historiador André Gattaz, autor do livro “A Guerra da Palestina: da criação do Estado de Israel à Nova Intifada”, uma das principais obras brasileiras sobre a ocupação israelense.

Também estará presente o médico palestino Abdel Latif Hasan Abdel Latif, pesquisador e debatedor da história do mundo árabe.

O evento é aberto ao público e tem o apoio da Central Única dos Trabalhadores do Paraná.

Serviço:

Curitiba debate a Palestina

Data: 25 de janeiro de 2013

Horário: 20h00.

Local: Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, Rua Kellers, 475, Bairro São Francisco, em Curitiba-PR.

Notícia colhida no sítio http://www.cutpr.org.br/destaque-lateral/779/curitiba-debate-a-palestina-no-proximo-dia-25

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Os últimos conflitos na Palestina: um novo jogo?

No último conflito, Obama enviou a secretária de Estado a Israel para apertar a mão de Netanyahu. Depois foi a Ramallah para dizer ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que os EUA apoiam a solução dos dois Estados. O problema foi que Abbas e a Autoridade Palestina não eram atores neste conflito. E Clinton não podia ir a Gaza porque os EUA consideram o Hamas uma organização terrorista. Assim, os EUA mostraram ao mundo que não só deixaram de ser indispensáveis, mas também que sequer são relevantes. O artigo é de Immanuel Wallerstein.

Immanuel Wallerstein – Esquerda.net

O mundo inteiro observou o último e violento conflito entre Israel e os palestinos. Todo mundo prendeu a respiração quando o presidente Morsi do Egito mediou uma trégua, que, até o momento, está durando. E todos, exceto os israelenses, aplaudiram Morsi por ter conseguido chegar à trégua, o que parecia difícil.

Mas qual o seu significado? Para responder, temos de nos perguntar o que cada um dos quatro principais intervenientes desejava ganhar. Os quatro eram o primeiro-ministro Bibi Netanyahu de Israel, o presidente Obama, o presidente Morsi, e a liderança do Hamas. Cada um deles queria coisas diferentes.

Comecemos por Netanyahu. Ele está diante de uma eleição que quer ganhar por larga margem. De momento, não pode bombardear o Irã, mas queria que as atenções voltassem a este país e se afastassem da Palestina. Jogou assim a habitual carta nacionalista para consumo interno – abaixo o terrorista Hamas. E é melhor que os Estados Unidos nos apoiem 100%, ou podemos bombardear o Irã imediatamente.

Meteu-se num problema inesperado. O Hamas revelou-se um pouco mais forte militarmente que no passado. Na verdade, demonstrou capacidade de enviar foguetes com bombas para Telaviv e Jerusalém. Sim, Israel defendeu-se destes foguetes, com sucesso, pelos novos Iron Dome fornecidos pelos Estados Unidos. Mas foi um aviso militar para o futuro.

Além disso, foi Israel, e não o Hamas a ser responsabilizado em todo o mundo (mas com mais importância na Europa ocidental) por ter começado este último confronto. Foi má imprensa, e promete ficar pior. Assim, Netanyahu recuou e aceitou a trégua. Que continha coisas (pelo menos no papel) que Israel nunca antes estivera disposto a dizer.

E quanto a Obama? Este conflito era a última coisa que ele precisava. O presidente dos EUA estava no meio de uma batalha política fundamental nos Estados Unidos, e tem comichões quando ouve falar em mais compromissos militares no exterior. Mas obviamente tinha de apoiar Israel no Conselho de Segurança. Assim, que tentou ele fazer? Muito simples – procurou manter-se relevante. Enviou a secretária de Estado Clinton a Israel para apertar publicamente a mão de Netanyahu. Depois foi a Ramallah para dizer ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que os Estados Unidos continuavam a favorecer uma solução de Dois Estados.

O problema foi que Abbas e a Autoridade Palestina não eram atores neste conflito. E, evidentemente, Hillary Clinton não podia ir a Gaza mediar uma trégua porque os EUA oficialmente consideram o Hamas uma organização terrorista. Assim, Obama e Clinton conseguiram mostrar ao mundo que os Estados Unidos não só deixaram de ser indispensáveis, mas também que sequer são relevantes.

Quanto ao Egito, Morsi queria fazer duas coisas. Primeiro, mostrar que o Egito era uma nação indispensável, pelo menos no Médio Oriente. E, em segundo lugar, queria desviar o centro de atenção do mundo do Irã e da Síria para a Palestina. Foi totalmente bem sucedido no primeiro objetivo, e teve grande sucesso no segundo. Entre outras coisas, observem como a Arábia Saudita ficou quieta durante o episódio. Também esse reino começou a aparecer menos relevante.

Agora, o mundo ocidental pensa que Morsi jogou fora a sua vitória devido aos decretos internos que anunciou poucos dias depois da trégua. É verdade que enfrenta agora a oposição unida de metade do país. Mas quem é a metade do Egito que se manifesta contra ele? É uma aliança de jovens herdeiros das revoltas de 1968 contra a autoridade, dos liberais tradicionalmente orientados para o mercado, dos nacionalistas nasseristas, da esquerda política e dos grupos remanescentes do regime de Mubarak.

Notem que todos estes grupos de uma forma ou de outra estão comprometidos com valores que se encontram no mundo ocidental. Contra eles, Morsi fala em nome de um conjunto de valores árabo-islâmicos autóctones que a Irmandade Muçulmana sempre defendeu. Morsi está a reproduzir internamente o que fez internacionalmente. O Egito, não os Estados Unidos, foi o mediador do conflito. E, dentro do Egito, será a sharia(mesmo uma sharia versão leve) que prevalecerá. Trata-se de uma posição que tem um grande apelo.

Quanto ao Hamas, está comemorando. Israel teve de se acertar com ele. Marginalizou Abbas. Os Estados Unidos terão também de começar a negociar com eles. Só podem estar otimistas em relação ao seu futuro.

(*) Immanuel Wallerstein é sociólogo e professor universitário norte-americano. Tradução, revista pelo autor, de Luis Leiria para o Esquerda.net.

Artigo colhido no sítio http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21498

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