A Greve dos bancários já entra no seu 12º dia de duração. Com os
bancários lutando para que os banqueiros abram negociação, enquanto
esses de braços cruzados dão o tom da campanha. Dizem que não negociam,
que não haverá ganho real esse ano para a categoria bancária, que os
bancários devem ficar felizes somente com a reposição da inflação do
período! Porém é preciso que os bancários digam em alto e em bom tom
que essa campanha salarial não é como as outras campanhas salariais.
Pois não é uma campanha somente por questões econômicas, não é uma
campanha apenas pelo salário, mas sim pelo resgate da dignidade do
bancário que nos últimos anos se tornou uma categoria conhecida como
categoria tarja preta, onde muitos dos bancários são submetidos
diariamente a jornadas extenuantes, são submetidos ao assédio moral, são
submetidos às más condições de trabalho, são submetidos a competições
desiguais entre os seus para que possam atingir mais metas que os
bancários da mesa ao lado, para ter mais reconhecimento e
consequentemente um salário mais justo!
Os Banqueiros gananciosos tem o pensamento voltado apenas para o lucro e
para o acúmulo do capital o que vai lhes propiciar figurar entre as
grandes fortunas do mundo que anualmente saem na lista da Revista
Forbes! O Brasil concentra entre 10 e 15% da sua riqueza nas mãos de não
mais que 125 famílias no Brasil, E dentre essas famílias, figuram os
nomes dos donos e herdeiros dos Bancos Brasileiros como Milu Vilela e
Roberto Setúbal, donos do Itaú S/A, Da Família dos Moreira Salles que
venderam o Banco Unibanco ao Itaú, mas mantiveram um de seus herdeiros
no alto escalação do Banco. Dos irmãos Moise Jose Joseph Safra,
herdeiros do Banco Safra, dos herdeiros do Banco de Lázaro Brandão, o
Bradesco. Dentre outras grandes fortunas dos bancos! E com certeza
nessas 125 famílias, constam também altos executivos desses bancos
privados e públicos que podem chegar a ganhar de 5 a 8 milhões de
participação nos lucros dos bancos, enquanto o que sobra para as
bancárias e os bancários são migalhas dessas fortunas, apesar de que é
com o suor, o sangue, o desgaste físico das bancárias e bancários que
essas poucas famílias tem o privilégio de constar nas listas de maiores
fortunas do Brasil e do Mundo.
E apesar disso o que recebem em troca? Como dissemos são menos que
migalhas desse lucro acumulado, pois se os Banqueiros abrissem mãos de
poucas migalhas isso seria um já considerável para a renda do bancário.
Numa incansável e desgastante campanha os banqueiros insistem em enrolar
os bancários, principalmente por que alegam que estão arrecadando menos
do que no ano passado. Pode até ser mais isso não é desculpa. Dizer que
no ano anterior o lucro foi maior que esse ano não é justificativo,
ainda que não seja o mesmo é na casa dos bilhões de reais, na grande
maioria dos Bancos. Outro aspecto que não podemos aceitar por parte dos
banqueiros agiotas da nação é que venham a público fazer coro com outros
empresários sem responsabilidade social na tentativa de aprovação do
Projeto de Lei 4330 – Das Terceirizações/Precarizações, pura e
simplesmente por que vêm no projeto a possiblidade de aumentar ainda
mais seus lucros, com menos contratação, com desresponsabilização
solidária, que tinham até então com as empresas terceiras, do
descompromisso em não permitir que se terceirize a atividade fim nos
bancos! Temos dito que se esse projeto for aprovado, podemos ver
novamente a volta dos empregos precários, pois eles na lógica do projeto
podem ser quartirizados e até quintarizados é se que o termo existe.
Portanto, desde o inicio das andanças em nossas bases sindicais temos
dito p
ara as bancárias e para os bancários que a campanha desse ano não
seria somente por salário! É por Saúde e condições de trabalho; é por
segurança bancária para as bancárias e bancários e também para os
clientes e usuários de banco, que se não forem de alta renda, são cada
dia mais empurrados para os caixas eletrônicos, para as lotéricas e para
os correspondentes bancários; E por mais contratações para que os
bancários possam bem atender os clientes; É por menos filas nos
bancos e também por menos tarifas; É por mais participação nos Lucros e
por metas não abusivas para a categoria; É por dignidade e por melhores
condições de trabalho! E por manter as conquistas históricas que tivemos
durantes esses 22 anos de vigência da nossa Convenção Coletiva Nacional!
É pelo fortalecimento da tática de Campanha Nacional Unificada que se
mostrou acertada nas duas últimas décadas!
Assim, pedimos em nome da categoria bancária que vocês cidadãos e
cidadãs tenham a compreensão que a greve dos bancários, que paralisa
as agências bancárias por mais de 12 dias só continua por que o
banqueiro é ganancioso e intransigente, e tenta de forma desesperadora
colocar a população contra os bancários, através dos veículos de
comunicação que recebem milhões em propaganda desses bancos e por isso
fazem coro com esses quatro ou cinco banqueiros que ditam as normas do
sistema financeiro nacional. Situação que precisa mudar, com a
democratização desse sistema, do Banco Central, com controle público do
sistema financeiro através da convocação de uma grande conferência do
Sistema Financeiro, para que nós possamos regrar esse sistema que desde
a muito vem sendo desregulamentado pelos representantes desses quatro ou
cinco banqueiros nacionais e internacionais! É preciso regras para o
sistema financeiro, é preciso que os banqueiros sabiam que eles têm nas
mãos concessão de atividade bancária, para promover a inclusão e a
bancarização dos mais necessitados e excluídos do sistema! Por tudo
isso, dizemos à sociedade que nossa campanha salarial desse ano não é só
por salário.É pela dignidade das bancárias e dos bancários!
Marcio Kieller,
Vice presidente da CUT/Pr e Diretor de Políticas Sindicais e Movimentos
Sociais do Sindicato dos Bancários de Curitiba!