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Por 07:10 Sem categoria

Ministra Marta destaca a importância do Vale-Cultura no acordo assinado pelos bancários

Para presidente da CUT, outras categorias tambérm terão de lutar para incluir o benefício em suas campanhas salariais

Escrito por: Luiz Carvalho

 

Para Marta, ampliar o acesso à cultura é fundamental para democratizar a sociedade (Fotos: Roberto Parizotti)

Para Marta, ampliar o acesso à cultura é fundamental para democratizar a sociedade (Fotos: Roberto Parizotti)

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, participou nesta terça-feira (22) da reunião da direção da CUT, em São Paulo, e destacou a importância da inclusão do Vale-Cultura no acordo coletivo que os bancários assinaram no último dia 18.

“Após a aprovação no Congresso e a sanção da presidenta Dilma, esse foi o momento mais importante (para o benefício)”, afirmou Marta.

A categoria é a primeira a aderir ao programa por meio de uma campanha salarial. Os trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos terão direito a R$ 50 por mês para utilizarem na compra de ingressos para shows, teatro, cinema, compra de CDs e outros produtos culturais.

Entre 2% e 10% deste valor é descontado, de acordo com a faixa salarial. A expectativa é atingir mais de 300 mil bancários.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, o benefício é importante para ampliar o acesso à cultura e as campanhas terão, a partir de agora, a responsabilidade de brigar também por esse direito. “É uma política importantíssima, que só poderia ter sido feita num governo democrático e popular”, acrescentou o dirigente.

Além de apontar que a adesão ao programa não custa nada além de boa vontade dos empresários – o empregador poderá deduzir o valor ou, no caso dos pequenos comerciantes, não terão o vale tributado como parte da folha – a ministra também falou sobre o reflexo que o programa pode trazer às regiões mais pobres.

“Faltam bancas de jornal nas periferias porque as publicações são caras. Com o Vale-Cultura, os trabalhadores poderão comprar jornais, revistas e fazer com que surja esse tipo de comércio também nas áreas mais afastadas dos centros”, avaliou Marta.

Segundo ela, 673 empresas já aderiram ao programa e 38 mil trabalhadores foram beneficiados. Outras cinco milhões de empresas podem participar e favorecer 36 milhões de pessoas que ganham até cinco mínimos.

Cultura para democratizar –Vagner aproveitou a ocasião para destacar que a Central discute a criação de um departamento de cultura, nos moldes do que a CUT-SP já possui e que a ideia é buscar mais uma forma de comunicação com a sociedade, especialmente, a juventude.

“Precisamos transformar o ambiente da participação política em um ambiente legal para os jovens porque vemos certo afastamento em relação aos partidos políticos e aos sindicatos. Ficamos muito pragmáticos, pensando em salário, emprego, mas só isso não faz com que façamos a renovação”, disse o dirigente.

Marta também tratou da tentativa do Ministério de descentralizar os recursos da Lei Rouanet – que concentra 80% dos investimentos culturais na região sudeste – por meio da criação de editais com eixos específicos para as demais regiões e de olho em recortes de gênero e raça.

A ministra citou ainda que o governo pretende criar 300 Centros de Artes e Esportes Unicados (CEUs) em todo o Brasil nas cidades mais remotas do Brasil até o final de 2014, comentou o desafio de ampliar a imagem do país no exterior por meio da cultura e tratou do convênio com a prefeitura de São Paulo no valor de R$ 3 milhões para a instalação de 80 pontos de cultura na capital.

Ao final, questionada pelos dirigentes sobre a recente polêmica das biografias, afirmou ser favorável à liberdade de expressão, desde que acompanhada pelo aumento da multa em caso de difamação dos biografados.

Leia também: Bancários conquistam mais acesso à cultura

Notícia colhida no sítio http://www.cut.org.br/destaques/23882/ministra-marta-suplicy-destaca-a-importancia-do-vale-cultura-no-acordo-assinado-pelos-bancarios

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Outros significados da vitoriosa Campanha Salarial dos Bancários

21/10/2013

Contra o pessimismo de analistas econômicos que previam ano fraco para negociações coletivas, categoria bancária conquistou importantes vitórias na campanha deste ano

Escrito por: Vagner Freitas, presidente nacional da CUT

A categoria bancária – 513 mil pessoas em todo o país – produziu um belo espetáculo de unidade e conquistou vitórias importantes na última campanha salarial. Os resultados, é importante ressaltar, representam ganhos para outros setores da economia brasileira e é um exemplo positivo de negociação coletiva para outras categorias de trabalhadores/as.

O reajuste salarial de 8% vai acrescentar R$ 2,861 bilhões na economia em um ano. Além desse valor, que se refere apenas a pagamentos de salários, serão injetados na economia nos próximos 12 meses mais R$ 5,318 bilhões da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), sendo que uma parte considerável será paga agora, após a assinatura do acordo; e, R$ 429,14 milhões de  pagamento do auxílio refeição e alimentação. Isso sem contar a cláusula inovadora conquistada esse ano – o vale cultura de R$ 50, que beneficiará trabalhadores/as bancários/as que recebem até cinco salários mínimos, que vai injetar outros R$ 113 milhões a mais em um ano.

Somando todos esses valores, serão injetados na economia brasileira, entre salários e benefícios, R$ 8,722 bilhões (14,5% superior à campanha do ano anterior).

Esses recursos financeiros, considerando a grande capilaridade da categoria bancária, ajudarão economias locais, mas também as grandes metrópoles, com impactos positivos no comércio varejista em geral, em restaurantes, supermercados e em estabelecimentos de cultura, ou ainda em setores de serviços, como estabelecimentos educacionais e de cuidados pessoais, gerando assim, um movimento positivo nesses setores.

Outro significado importante da resistência durante os 23 dias de greve e do acordo bem sucedido dos bancários é o exemplo para outras categorias, que deve influenciar positivamente nas negociações importantes do segundo semestre que ainda estão em curso, como Petroleiros, Metalúrgicos, Professores, Alimentação, além de outras categorias.

Muitos comentaristas de plantão anunciavam um ano fraco para as negociações coletivas. Vimos no primeiro semestre que, apesar das dificuldades, 85% das categorias registraram reajuste salarial acima da inflação. Inconformados, esses comentaristas começaram a dizer que o desempenho da economia teria impacto negativo sobre as negociações apenas no segundo semestre. O acordo dos bancários mostra o contrário: a organização dos trabalhadores por uma luta justa garantiu a conquista dos direitos e ainda, com impactos positivos por toda economia.

As trabalhadoras e os trabalhadores bancários estão de parabéns, porque são exemplo de superação das amarras à negociação existentes na legislação atual, porque conquistaram avanços importantes e inovadores e deram uma respostas àqueles que desenhavam um quadro pessimista sobre as negociações coletivas em 2013.

Artigo colhido no sítio http://www.cut.org.br/destaques/23877/outros-significados-da-vitoriosa-campanha-salarial-dos-bancarios

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