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Lula se declara militante da regulação da mídia

O ex-presidente nunca havia sido tão explícito na defesa da regulamentação do setor quanto no discurso com que abriu o Encontro de Blogueir@s e Ativistas.

Da Redação Ricardo Stuckert

O oligopólio da comunicação no Brasil ganhou definitivamente um crítico engajado – e de peso não negligenciável.

O ex-presidente Lula nunca havia sido tão explícito na defesa da regulamentação do setor  quanto no discurso com que abriu o 4º Encontro de Blogueir@s Progressistas e Ativistas Digitais, em São Paulo, iniciado nesta sexta (16).

No encontro, que se estende até o domingo, ele fez uma autocrítica dos tempos da presidência.  Lula admitiu que hoje sua consciência sobre a regulação é muito superior “a que eu tinha ontem”.

O compromisso de recuperar o tempo perdido, porém, é contundente.

Senhores donos das corporações, a defesa da regulação fundiu-se  à agenda da maior liderança política do Brasil, de uma vez por todas.

Foi o que Lula disse aos blogueiros em compassada promessa: ‘Daqui para frente, com quem eu falar e para quem eu falar, quando eu puder falar, essa será uma das primeiras prioridades, a regulação da Comunicação no país’.

Os dias que correm, de maciça barragem de fogo contra o governo e o PT, apenas fizeram reforçar no ex-presidente  a pertinência dessa mudança.

A ausência de pluralidade no sistema brasileiro de comunicação é encarada por ele como uma das mais perigosas ameaças à vida política e à democracia. E, portanto, um dos obstáculos mais sérios ao debate necessário sobre os desafios da sociedade e de seu desenvolvimento.

‘Nunca vi tanta violência’ (como contra a Dilma), desabafou para provocar em seguida: ‘Qual é a preocupação? Que depois da Dilma esse Lula volta?’

À vontade e irônico – ‘cadê o choque de gestão na Cantareira?’ –  Lula não perde o fio da meada . E o que é central e está em jogo mais uma vez, na disputa de outubro, é o risco de se interromper  os   avanços  ‘destes 11 anos que eu não temo em comparar em nenhuma área’, desafia. Ato contínuo, sapeca o  bordão que promete figurar como outra estaca de suas intervenções nesta campanha:

‘Gente, choque de gestão significa desemprego e cortar salários’.

Não é apenas uma provocação, mas a indicação de um divisor de águas que promete mais uma vez separar o joio do trigo nesta eleição.

Não por acaso, na mesma hora em que Lula falava aos blogueiros ‘sujos’ –‘deve ser por culpa da falta de água do Alckimin’– o presidenciável tucano, Aécio Neves, discursava para mil associados na Câmara Americana de Comércio (Amcham), também em São Paulo.

Aos executivos presentes, o candidato do PSDB reiterava  a disposição de, se eleito, declarar ‘guerra total ao custo Brasil e a todas  as sua variáveis’. Aquelas sabidas e advertidas por Lula.

Aécio foi aplaudido pelo seu público. Com o mesmo entusiasmo registrado há duas semanas, ao prometer o mesmo –com detalhes não divulgados–  aos endinheirados clientes mais ricos  do Itaú, com os quais teve uma conversa de portas fechadas, na sede do banco, na capital.

Lula não tem ilusões. Dá a entender aos  blogueiros que, mesmo com a vitória em outubro, a ameaça representada pela agenda dos aécios & armínios não estará afastada. Explicita então a outra estaca ordenadora de suas prioridades na luta pelo passo seguinte do desenvolvimento brasileiro: ‘Sem a reforma política não conseguiremos fazer nada neste país’, adverte e convoca: ‘Esse Congresso  não a fará; a reforma política terá que ser feita por nós, pelos partidos em uma  Constituinte Exclusiva para isso!’, arremeta  sob aplausos tão intensos quanto os dirigidos ao candidato conservador, em outro auditório, e por motivos opostos.

O ex-presidente está convicto de que a Copa do Mundo será um sucesso. ‘Quando o Brasil fez o Maracanã, para a Copa de 50’, rememora, ‘ eles falavam a mesma coisa (que o país não estava preparado) . Naquele tempo o Brasil era um exportador agrícola de um produto só, o café’.

‘Nós botamos, em Educação e Saúde (desde 2010, quando começaram as obras da Copa)  R$ 825  bilhões!’, exalta-se. O valor  mencionado por Lula é dez vezes superior ao aplicado nos estádios, como explica a propaganda institucional veiculada pelo governo sobre o assunto. ‘E o BNDES não emprestou para clubes construírem (as arenas), mas para as empresas (que vão pagar)’, emenda o ex-presidente.

Torcedor fanático, Lula diz que só tem medo de uma coisa na Copa: ‘De repetir o Uruguai (a derrota para a seleção adversária)’, sussurra. ‘Tínhamos passado pela semifinal com uma vitória de sete a um, sobre a Espanha. Estava tudo pronto para a festa da vitória, aí entramos de salto alto (contra o Uruguai) e perdemos. E sabe em quem botaram a culpa? Em um negro, o Barbosa, que tomou o gol, quando a responsabilidade era de todo o time’, resume.

‘Por que não marcaram mais dois?’, cobra, incansável na convocação à luta e avisa: ‘Agora, só vou a Santa Cruz de la Sierra para um encontro  com movimentos sociais e depois não saio mais do Brasil, até outubro’.

Como se dissesse,  ‘me aguardem’.

Créditos da foto: Ricardo Stuckert

Notícia colhida no sítio http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Lula-se-declara-militante-da-regulacao-da-midia/4/30946

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Para assistir o Lula neste evento, acesse http://www.youtube.com/watch?v=1ptKhWkH-nw

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A cada entrevista, democratização da comunicação será o ponto principal das minhas intervenções, diz Lula

No 4º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais, ex-presidente ressalta a pluralidade de vozes como pilar da democracia

Escrito por: William Pedreira e Henri Chevalier – CUT Nacional

Entre discussões sobre Copa do Mundo, Eleições 2014 e uma mídia sedenta em atacar e desmoralizar o governo federal, um tema teve destaque nesta sexta-feira (16), em São Paulo, durante a abertura do 4º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais. A Democratização da Comunicação ganhou um importante aliado: o ex-presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Leia mais: Marco Regulatório das Comunicações será a principal bandeira do FNDC em 2014-2015

 

A mais de 500 pessoas, Lula se compromete com debates sobre Comunicação
A mais de 500 pessoas, Lula se compromete com debates sobre Comunicação

“Hoje eu tenho mais consciência da necessidade da luta pela Democratização da Comunicação e espero que eu a tenha cada vez mais, porque quanto maior a consciência, mais se briga. E cada vez que eu tiver oportunidade de dar entrevista a partir de agora, não importa se o veículo é pequeno ou grande, a bandeira pela Democratização da Comunicação será o ponto principal que vou abordar”, afirma o ex-presidente a um plenário com mais de 500 pessoas, incluindo jornalistas da imprensa tradicional.

Lula ressaltou legislações e debates em países como Argentina, Inglaterra e Uruguai para embasar sua defesa a um Marco Regulatório das Comunicações no Brasil. “Estamos ganhando espaço e amadurecendo o debate. É importante dizer que ninguém quer censurar ninguém. Ao contrário, queremos cada vez cantar mais alto ‘liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós’.”. Para o ex-presidente, é necessário garantir a pluralidade de vozes para se alcançar a verdadeira democracia no Brasil e os Países vizinhos podem ser uma referência.

Neutralidade

Ao parabenizar os movimentos sociais e ativistas digitais pela pressão democrática que resultou na aprovação do Marco Civil da Internet no Congresso Nacional, o ex-presidente destacou a importância da neutralidade de rede, que inibe a cobrança por diferentes pacotes de dados. Em seguida defendeu outro conceito de neutralidade: a de conteúdo.

“Um dia teremos neutralidade na mídia televisada e nos órgãos oficiais”, afirmou Lula, logo após lembrar a omissão da imprensa em relação aos problemas do estado de São Paulo, principalmente a crise da água, e ressaltar as críticas da imprensa tradicional durante sua gestão na presidência. “Quando critico a imprensa, dizem que estou atacando. Quando a imprensa me ataca, dizem que são críticas”, ironizou. “Esperamos, pelo menos, seriedade da imprensa”.

Leia mais: No Brasil, tentam demonizar a regulamentação da mídia, diz Franklin Martins

 

Criminalização da Política

Criticando a criminalização da política difundida pelos meios de comunicação, Lula destacou a importância da blogosfera, redes sociais e mídia alternativa na oposição a esse processo. Para ele, com a internet, o movimento pela Democracia e a consciência política crescerão. “Nós temos internet, sites, blogueiros. Precisamos usar estes meios para criar embasamento político. Sabe como o sindicalismo cresceu? Acordando às 2h da manhã pra ir na porta da fabrica entregar folheto. Acham que a grande mídia falava da gente na década de 80, 90?”, questionou. As críticas eram constantes, assim como hoje, por serem do mesmo grupo político e econômico. E citando as diversas formas de ataques e críticas sofridas graças à imprensa hegemônica, Lula lembra a repercussão dada pela mídia nas recentes celebrações do 1º de maio.

“As críticas feitas e reproduzidas são virulentas, até mesmo desrespeitosas e criminosas. Como as promovidas pelo [deputado federal] Paulinho”, salienta. “Tudo o que conquistamos foi na base da luta, assim como teremos que lutar muito para aprovar um Marco Regulatório das Comunicações nesse País”.

Aprofundar a democracia

Sobre a crescente descrença na política, Lula afirmou que o caminho da negação é um perigo, pois favorece movimentos como o Nazismo, o Fascismo e a própria ditadura militar brasileira instalada em 1964. “Se você não esta satisfeito com o Lula, entre na política e apresente alternativas”, desafia.

Quando aborda a questão das manifestações pelo Brasil, o ex-presidente diz que, em uma democracia, todos possuem liberdade para apoiar ou criticar as direções tomadas pelos governos e a participação dos jovens deve ser estimulada. “Agora, é bom lembrar que, se não houver uma reforma política, não se mudará nada. Com isso quero dizer que esse congresso não fará a reforma política que o Brasil precisa. Ela só será feita a partir de uma constituinte exclusiva e soberana”. Para Lula, os movimentos não podem ter medo de manifestações. É preciso voltar a ter orgulho de ir às ruas.

Notícia colhida no sítio http://www.cut.org.br/destaques/24395/a-cada-entrevista-democratizacao-da-comunicacao-sera-o-ponto-principal-das-minhas-intervencoes-diz-lula?utm_source=cut&utm_medium=email&utm_term=informacut&utm_campaign=informacut

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