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Usina Hidrelétrica de Jirau: operários coagidos por repressão

Já havia sido noticiado na edição nº 101 (janeiro de 2013) de AND a realização de um treinamento da 17ª Brigada de Infantaria de Selva do exército entre os dias 15 a 20 de outubro de 2012 no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia.

Cinquenta militares participaram do treinamento, realizaram abordagens dos ônibus que transportavam operários, obrigaram os trabalhadores a saírem dos veículos e efetuaram revistas vexatórias.

No dia 30 de outubro, no Sítio Pimental, canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, ocorreu nova operação do exército contando com cerca de 250 militares do 51º Batalhão de Infantaria de Selva – 51 º BIS. Durante todo o dia os militares ocuparam “uma unidade considerada um ponto estratégico para que se tenha o controle do acesso e seja permitido o livre funcionamento do local. ‘Os militares ocuparam logo cedo a portaria do sítio e distribuíram as companhias pelas áreas industrial e de infraestrutura do canteiro, como o paiol de explosivos e os acessos terrestres e fluviais’” [fonte: Valor Econômico de 31 de outubro de 2012].

Nos dias 4, 5 e 6 de junho do corrente ano, mais uma vez, o canteiro de obras da UHE de Jirau foi ocupado pelo exército. Cerca de 270 homens do 6º Batalhão de Infantaria de Selva, subordinados à 17ª Brigada de Infantaria de Selva, realizaram exercício militar denominado de “tomada e proteção” das Usinas Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio. O exercício militar consistiu no patrulhamento de toda a extensão territorial das usinas, em seu entorno e montagem de um posto de controle de trânsito na entrada do canteiro de obras. Durante os três dias de operação o efetivo ficou instalado nas hidrelétricas, acomodado nos alojamentos e utilizando refeitório.

AÇÃO CRIMINAL CONTRA GREVISTAS

No dia 25 de setembro ocorrerá, em Porto Velho – RO, nova audiência de instrução e julgamento dos 24 operários acusados de crimes durante o movimento grevista que paralisou o canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau em março/abril de 2012.

A Liga Operária denuncia que “o processo criminal em andamento contra 24 operários visa cercear e criminalizar o legítimo direito de greve” e isentar o consórcio de grandes empreiteiras da responsabilidade pelo descumprimento de direitos trabalhistas e imposição de condições degradantes de trabalho e baixos salários que levaram a deflagração da greve.

Essa ação criminal contra os operários grevistas também é, segundo a Liga Operária, uma forma de tentar condenar os operários pelo incêndio dos alojamentos da usina ocorrido no período da greve.

Conforme noticiado na edição nº 89 (maio de 2012) de AND, há denúncias de que a empreiteira Camargo Corrêa, que faz parte do Consórcio Construtor de Jirau, “seria a principal interessada em um evento das proporções do incêndio no dia 3 de abril (de 2012), porque receberia um seguro que pode chegar a R$ 1 bilhão”.

Fonte: A Nova Democracia

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