O presidente Lula partiu para cima de Jair Bolsonaro (PL), no programa Conversa com o Presidente na manhã desta terça-feira (5) e acusou o antecessor de planejar um golpe de Estado da “forma mais mesquinha”.
Sem falar o nome do adversário, Lula se referiu a Bolsonaro como “o coisa” e afirmou que o ex-presidente deve ser julgado pelos mais de 700 mil mortos pela Covid no país.
“Isso tudo foi criado pelo ódio disseminado pelo país pelo ‘coisa’. ‘O coisa’ ainda vai ser julgado por genocídio. Porque não é brincadeira ter morrido 700 mil pessoas. E uma grande parte por falta de cuidado, de orientação do governo, por falta de respeito à medicina e à ciência. Não é Lula que quer. Eu quero que ele tenha direito à presunção da inocência em todos os processos. Mas, não dá para passar sem ter uma investigação correta sobre porque morreu tanta gente no Brasil, porque tanto descaso. E fora as outras coisas que estão aparecendo por ai”, disse.
O presidente, então, comentou sobre a tentativa de golpe desencadeada por Bolsonaro após a derrota nas urnas, em outubro passado, que culminou com os atos terroristas de apoiadores no dia 8 de Janeiro em Brasília, com a destruição do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do edifício-sede do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Na verdade, um cidadão que não tem coragem de passar a faixa, que se esconde porque tava prevendo um golpe. Na verdade, ele queria dar um golpe da forma mais mesquinha possível. Disputou e ganhou uma eleição e, com medo de perder, disse que a eleição não era correta, que tinha falha”, afirmou.
“Não cabe a um presidente da República gostar ou não de uma decisão da suprema Corte. A Suprema Corte decide, a gente cumpre. É assim que é”, emendou Lula, sobre os constantes ataques de Bolsonaro a ministros do STF, como em 7 de Setembro, quando o ex-presidente chamou Alexandre de Moraes de “canalha” e disse que não cumpriria mais as sentenças do ministro.
“Meu caro, paz e amor é tudo que esse país precisa. Paz, amor, emprego, um bom salário, uma casinha para morar, um carrinho para passear, um belo telefone celular, um belo computador. E uma extraordinária educação. E nós vamos conseguir isso”, disse ainda Lula, ao lado do ministro da Educação, Camilo Santana, que participou do programa.
O presidente ainda afirmou que os militares se apropriaram do 7 de Setembro durante a Ditadura.
“Como nós tivemos durante 23 anos um regime autoritário, a verdade é que os militares se apropriaram do 7 de Setembro, que deixou de ser uma coisa da sociedade como um todo. O que nós estamos querendo fazer agora, com a participação do Exército, Marinha e Aeronáutica, é um 7 de Setembro de todos”, afirmou.
O presidente confirmou que vai participar das festividades da data na próxima quinta-feira (7), mas sairá ao meio dia para viajar para a Índia, onde participa da reunião e deve assumir a presidência do G20.
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Foto: Ricardo Stuckert
Fonte: Revista Fórum