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Por 11:26 Notícias

Fora da agenda, Alckmin encontra representante da embaixada dos EUA logo após ameaça ao Brasil

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, reuniu-se nesta quinta-feira (7) com o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar. O encontro ocorreu fora da agenda, em Brasília, no mesmo dia em que o perfil oficial da embaixada no X (antigo Twitter) compartilhou uma grave ameaça ao Judiciário brasileiro feita por um alto funcionário do governo de Donald Trump.

Na noite anterior, Darren Beattie, assessor do presidente dos EUA e subsecretário de Estado para a Diplomacia Pública, atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tentou intimidar seus aliados.

“O ministro Moraes é o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores. Suas flagrantes violações de direitos humanos resultaram em sanções pela Lei Magnitsky, determinadas pelo presidente Trump. Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto”, escreveu Beattie.

A postagem foi endossada pelo perfil oficial da Embaixada dos EUA no Brasil, que traduziu a ameaça para o português. Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos EUA e atua como articulador das medidas de Trump contra o Brasil, comemorou o recado, ressaltando que “aliados de Moraes em qualquer lugar” também seriam alvo.

A ofensiva é parte de uma sequência de ataques públicos de Washington contra o Judiciário brasileiro desde que Moraes decretou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Em nota divulgada no início da semana, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado afirmou:

“O ministro Alexandre de Moraes, já sancionado pelos Estados Unidos por violações de direitos humanos, continua usando as instituições brasileiras para silenciar a oposição e ameaçar a democracia. Impor ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro de se defender publicamente não é um serviço público. Deixem Bolsonaro falar!”. 

Na sequência, vem a ameaça: 

“Os Estados Unidos condenam a ordem de Moraes que impôs prisão domiciliar a Bolsonaro e responsabilizarão todos aqueles que colaborarem ou facilitarem condutas sancionadas”. 

Reunião sigilosa em meio à crise comercial

Procurado, o Mdic informou apenas que a reunião de Alckmin com Escobar tratou das “relações bilaterais” entre Brasil e Estados Unidos, sem mencionar as ameaças recentes. O governo norte-americano também não deu detalhes do teor da conversa.

O encontro ocorreu em meio à crise provocada pelo tarifaço de 50% imposto por Trump a produtos brasileiros, medida que atinge 35,9% das vendas nacionais para os EUA e ameaça setores como carne, café, calçados e couro. Alckmin disse que o governo prepara um plano de contingência para amenizar as perdas, com previsão de anúncio até terça-feira (12).

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Texto: Ivan Longo

Fonte: Revista Fórum

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