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CRIANÇAS NA ESCOLA E MORTE DE ANALFABETOS MELHORA ESTATÍSTICAS

Gazetad do Povo
Influência de programas de ensino para adultos é muito pequena
O analfabetismo entre adultos no Brasil vem caindo e a tendência é que ele se aproxime de zero. A ironia por trás desta boa notícia é que o mérito do fenômeno não está nos programas de alfabetização, mas sim na bem-sucedida inclusão escolar de crianças ocorrida na última década.
Com os jovens freqüentando a escola, o problema ficou concentrado nas parcelas mais idosas da população. Naturalmente, conforme os analfabetos forem envelhecendo e falecendo, o analfabetismo diminuirá. Uma solução inercial.
Os dados do Paraná servem como exemplo: em 1996, o universo dos que não sabiam ler e escrever era de 709 mil pessoas. Em 2000, segundo o último censo, eram 650 mil. A maior concentração de iletrados está na faixa das pessoas com mais de 50 anos – passa de 25%. O fenômeno estatístico, embora produzido por uma ação positiva (a inserção escolar, que atinge mais de 99% das crianças no Paraná), camufla a ineficiência na educação de adultos. Isso não significa que as ações para resolver o problema não tiveram grau algum de sucesso. Apenas não foram representativas.
“A taxa de analfabetismo declinou durante todo o século passado. Isso se deve menos aos programas de alfabetização do que às políticas de inclusão dos mais jovens no ensino”, diz Maria Clara Di Pierro, coordenadora da área políticas públicas de educação da ONG paulista Ação Educativa.
“Essa situação preocupa. Ainda mais porque há a possibilidade de alfabetizar adultos em poucos meses”, diz ex-deputada federal do Rio Grande do Sul Esther Grossi, coordenadora do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (Geempa). Na opinião de Esther, muitos programas apenas arregimentam analfabetos, sem apresentar resultados práticos. “Alguns levantamentos mostram que apenas 15% das pessoas que participam das campanhas de alfabetização aprendem a ler e escrever”, diz.
Foram várias as iniciativas públicas nos últimos 50 anos para resolver o problema. Na década de 90, os grandes projetos, como o Mobral, foram substituídos por uma combinação de apoio público e voluntariado. Os problemas comuns às iniciativas são a metodologia inadequada, a curta duração dos cursos e o isolamento da rede normal de ensino. “O ideal é que os alunos possam progredir dentro do sistema de educação”, aponta Maria Clara.
Para Esther Grossi, o tempo dos cursos não é o maior problema. “Ainda existem muitos professores leigos, que não têm formação para ensinar, envolvidos nos projetos e a metodologia muitas vezes é ultrapassada”, diz.
O professor de Filosofia do Centro Universitário Positivo (UnicenP), Pedro Elói, chama a atenção para o analfabetismo funcional, outra questão camuflada pela expansão do ensino fundamental. “Deve-se investir mais na qualidade, ou teremos uma estatística melhor com uma realidade ainda precária”, opina.
A Secretaria de Estado da Educação (Seed) espera a liberação de verbas vinculadas ao projeto Brasil Alfabetizado, do governo federal, para colocar em prática um plano de ação mais amplo contra o analfabetismo. Segundo Cida Zanetti, chefe do Departamento de Ensino de Jovens e Adultos da Seed, o trabalho de alfabetização no país tem sido feito de forma pontual, com influência limitada sobre as estatísticas que diagnosticam o problema. Atualmente, a Secretaria mantém parcerias para ampliar o atendimento aos adultos que não sabem ler e escrever.
Uma das iniciativas tem a participação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano (Sedu). Os municípios que recebem financiamento do órgão dão como contra-partida um investimento em alfabetização.

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CRIANÇAS NA ESCOLA E MORTE DE ANALFABETOS MELHORA ESTATÍSTICAS

Gazetad do Povo

Influência de programas de ensino para adultos é muito pequena

O analfabetismo entre adultos no Brasil vem caindo e a tendência é que ele se aproxime de zero. A ironia por trás desta boa notícia é que o mérito do fenômeno não está nos programas de alfabetização, mas sim na bem-sucedida inclusão escolar de crianças ocorrida na última década.

Com os jovens freqüentando a escola, o problema ficou concentrado nas parcelas mais idosas da população. Naturalmente, conforme os analfabetos forem envelhecendo e falecendo, o analfabetismo diminuirá. Uma solução inercial.

Os dados do Paraná servem como exemplo: em 1996, o universo dos que não sabiam ler e escrever era de 709 mil pessoas. Em 2000, segundo o último censo, eram 650 mil. A maior concentração de iletrados está na faixa das pessoas com mais de 50 anos – passa de 25%. O fenômeno estatístico, embora produzido por uma ação positiva (a inserção escolar, que atinge mais de 99% das crianças no Paraná), camufla a ineficiência na educação de adultos. Isso não significa que as ações para resolver o problema não tiveram grau algum de sucesso. Apenas não foram representativas.

“A taxa de analfabetismo declinou durante todo o século passado. Isso se deve menos aos programas de alfabetização do que às políticas de inclusão dos mais jovens no ensino”, diz Maria Clara Di Pierro, coordenadora da área políticas públicas de educação da ONG paulista Ação Educativa.

“Essa situação preocupa. Ainda mais porque há a possibilidade de alfabetizar adultos em poucos meses”, diz ex-deputada federal do Rio Grande do Sul Esther Grossi, coordenadora do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (Geempa). Na opinião de Esther, muitos programas apenas arregimentam analfabetos, sem apresentar resultados práticos. “Alguns levantamentos mostram que apenas 15% das pessoas que participam das campanhas de alfabetização aprendem a ler e escrever”, diz.

Foram várias as iniciativas públicas nos últimos 50 anos para resolver o problema. Na década de 90, os grandes projetos, como o Mobral, foram substituídos por uma combinação de apoio público e voluntariado. Os problemas comuns às iniciativas são a metodologia inadequada, a curta duração dos cursos e o isolamento da rede normal de ensino. “O ideal é que os alunos possam progredir dentro do sistema de educação”, aponta Maria Clara.

Para Esther Grossi, o tempo dos cursos não é o maior problema. “Ainda existem muitos professores leigos, que não têm formação para ensinar, envolvidos nos projetos e a metodologia muitas vezes é ultrapassada”, diz.

O professor de Filosofia do Centro Universitário Positivo (UnicenP), Pedro Elói, chama a atenção para o analfabetismo funcional, outra questão camuflada pela expansão do ensino fundamental. “Deve-se investir mais na qualidade, ou teremos uma estatística melhor com uma realidade ainda precária”, opina.

A Secretaria de Estado da Educação (Seed) espera a liberação de verbas vinculadas ao projeto Brasil Alfabetizado, do governo federal, para colocar em prática um plano de ação mais amplo contra o analfabetismo. Segundo Cida Zanetti, chefe do Departamento de Ensino de Jovens e Adultos da Seed, o trabalho de alfabetização no país tem sido feito de forma pontual, com influência limitada sobre as estatísticas que diagnosticam o problema. Atualmente, a Secretaria mantém parcerias para ampliar o atendimento aos adultos que não sabem ler e escrever.

Uma das iniciativas tem a participação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano (Sedu). Os municípios que recebem financiamento do órgão dão como contra-partida um investimento em alfabetização.

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