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OPOSIÇÃO QUER QUE PRESIDENTE DA CAIXA EXPLIQUE CONTRATO COM A GTECH

Valor Econômico
BRASÍLIA – A oposição ao governo no Senado mudou de tática ontem e está recorrendo a outros instrumentos, além do pedido por uma CPI, para manter o governo sob pressão em relação ao caso Waldomiro.
O vice-presidente do PFL, senador José Jorge (PE), apresentou um requerimento para que o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, deponha na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), sobre a negociação entre a Caixa e a multinacional GTech para a prorrogação do contrato para a área de loterias.
Segundo matéria publicada este final de semana pela revista ” Época ” , os executivos da GTech foram orientados por Waldomiro Diniz a contratarem como consultor Rogério Buratti, um antigo assessor do hoje ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no tempo em que este era prefeito de Ribeirão Preto em seu primeiro mandato. A orientação de Diniz teria sido confirmada pela Caixa.
Além de Mattoso, José Jorge quer a convocação do vice-presidente de Controladoria da Caixa, João Aldemir Dornelles, do vice-presidente de Logística, Paulo Bretas, e do ex-vice-presidente da mesma área, Mário Haag. Bretas teria sido o dirigente da instituição que reforçou com executivos da Gtech a necessidade de contratação da consultoria, de acordo com a reportagem da revista.
Até ontem, os senadores da oposição estavam evitando convocar os envolvidos para depoimentos nas comissões da Casa, por entender que isto enfraqueceria o discurso de que só por meio de uma CPI a investigação do episódio seria possível.
José Jorge justificou a nova tática como uma reação à bem sucedida decisão dos líderes governistas na Casa de bloquearem a instalação de qualquer CPI, não indicando seus integrantes. ” O Senado, desde a última semana, tem sido impedido de exercer sua prerrogativa constitucional de fiscalizar os atos do Poder Executivo ” , afirmou o pefelista. José Jorge também carregou no tom ao criticar a estratégia do governo de impedir investigações no Legislativo. ” O PT está querendo institucionalizar a criminalidade ” , disse.
O requerimento do pefelista ainda precisará ser votado na CAE, onde o governo dispõe de ampla maioria, para ser atendido. Ainda assim, a convocação por si só não significa que o depoimento acontecerá.
Há mais de duas semanas um convite feito pela CAE ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para participarem de uma audiência pública na Casa sobre a política econômica, sequer foi respondido.
Hoje, a oposição deve ter outro enfrentamento com os governistas no Senado de resultado já conhecido.
Será votado pelo plenário o parecer do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), rejeitando a questão de ordem apresentada pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), contestando a decisão do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), de não fazer a indicação dos integrantes da CPI dos Bingos em substituição aos líderes governistas.
Com a previsível aprovação do parecer de Quintanilha, os oposicionistas terão esgotado as possibilidades de instalação de CPI por meio do caminho político e poderão então recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra Sarney e os líderes.

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OPOSIÇÃO QUER QUE PRESIDENTE DA CAIXA EXPLIQUE CONTRATO COM A GTECH

Valor Econômico

BRASÍLIA – A oposição ao governo no Senado mudou de tática ontem e está recorrendo a outros instrumentos, além do pedido por uma CPI, para manter o governo sob pressão em relação ao caso Waldomiro.

O vice-presidente do PFL, senador José Jorge (PE), apresentou um requerimento para que o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, deponha na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), sobre a negociação entre a Caixa e a multinacional GTech para a prorrogação do contrato para a área de loterias.

Segundo matéria publicada este final de semana pela revista ” Época ” , os executivos da GTech foram orientados por Waldomiro Diniz a contratarem como consultor Rogério Buratti, um antigo assessor do hoje ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no tempo em que este era prefeito de Ribeirão Preto em seu primeiro mandato. A orientação de Diniz teria sido confirmada pela Caixa.

Além de Mattoso, José Jorge quer a convocação do vice-presidente de Controladoria da Caixa, João Aldemir Dornelles, do vice-presidente de Logística, Paulo Bretas, e do ex-vice-presidente da mesma área, Mário Haag. Bretas teria sido o dirigente da instituição que reforçou com executivos da Gtech a necessidade de contratação da consultoria, de acordo com a reportagem da revista.

Até ontem, os senadores da oposição estavam evitando convocar os envolvidos para depoimentos nas comissões da Casa, por entender que isto enfraqueceria o discurso de que só por meio de uma CPI a investigação do episódio seria possível.

José Jorge justificou a nova tática como uma reação à bem sucedida decisão dos líderes governistas na Casa de bloquearem a instalação de qualquer CPI, não indicando seus integrantes. ” O Senado, desde a última semana, tem sido impedido de exercer sua prerrogativa constitucional de fiscalizar os atos do Poder Executivo ” , afirmou o pefelista. José Jorge também carregou no tom ao criticar a estratégia do governo de impedir investigações no Legislativo. ” O PT está querendo institucionalizar a criminalidade ” , disse.

O requerimento do pefelista ainda precisará ser votado na CAE, onde o governo dispõe de ampla maioria, para ser atendido. Ainda assim, a convocação por si só não significa que o depoimento acontecerá.

Há mais de duas semanas um convite feito pela CAE ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para participarem de uma audiência pública na Casa sobre a política econômica, sequer foi respondido.

Hoje, a oposição deve ter outro enfrentamento com os governistas no Senado de resultado já conhecido.

Será votado pelo plenário o parecer do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), rejeitando a questão de ordem apresentada pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), contestando a decisão do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), de não fazer a indicação dos integrantes da CPI dos Bingos em substituição aos líderes governistas.

Com a previsível aprovação do parecer de Quintanilha, os oposicionistas terão esgotado as possibilidades de instalação de CPI por meio do caminho político e poderão então recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra Sarney e os líderes.

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