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SEMINÁRIO AMPLIA LUTA CONTRA A INSEGURANÇA NOS BANCOS

(Curitiba/São Paulo) Cerca de 80 dirigentes sindicais participaram na quarta e quinta-feira, dias 24 e 25, em Curitiba, do 2º Seminário Nacional sobre Segurança Bancária, promovido pela Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT). Um documento com a definição das reivindicações aos bancos, as ações junto às autoridades competentes, um projeto para mudança da lei nº 7.102, de 20.06.83, e as propostas de organização e mobilização será disponibilizado nos próximos dias pela CNB/CUT. “Queremos comprometer todas as entidades sindicais a priorizar essa luta e a combater a irresponsabilidade dos banqueiros diante da onda de assaltos e seqüestros que apavoram a categoria em todo o país”, conclamou o secretário-geral da Confederação, Carlos Cordeiro.
O evento foi aberto pela presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Marisa Stédile, e pelo presidente da CNB/CUT, Vagner Freitas. Marisa lembrou que a motivação para a realização do seminário na capital paranaense fora a morte de uma cliente em janeiro, durante assalto a uma agência do Bradesco, o banco que sofreu mais autuações da Polícia Federal (PF) nos últimos anos.
Vagner condenou a falta de investimentos dos bancos em segurança e lançou um desafio ao movimento sindical. “Sindicato não pode discutir apenas salário e emprego, mas precisa incluir temas que envolvem a vida do bancário, como a segurança”, afirmou. O presidente da CNB/CUT aproveitou para divulgar o calendário de organização da campanha salarial de 2004, defendendo “uma campanha forte, unificada e vitoriosa”.
Antes de apresentar a radiografia sobre o crescimento da violência nas instituições financeiras, Carlão pediu um minuto de silêncio para lembrar bancários, vigilantes e clientes que já perderam suas vidas, vítimas de ações criminosas nos bancos. “Percebe-se que os assaltos estão migrando para as lotéricas, frente a total ausência de mecanismos de segurança nos correspondentes bancários”, destacou o sindicalista. “Os bandidos estão cada vez mais arrojados, existindo casos de bancários que, seqüestrados, tiveram bombas amarradas em seus corpos para buscarem o dinheiro no banco e, depois, foram demitidos”, denunciou.
Cordeiro é também o representante da CNB/CUT no Conselho Consultivo para Assuntos de Segurança Privada, um órgão coordenado pelo Ministério da Justiça e PF, com a participação de vigilantes, Febraban e outras entidades. Segundo o representante dos bancários, “Bradesco e Unibanco são os bancos que mais sofreram autuações da PF”, apontou.
Vários sindicatos trocaram experiências, como Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Londrina, Piracicaba e Limeira, quanto à implantação de portas de segurança, leis municipais e outras iniciativas. “A lei que obriga a instalação de portas giratórias em todos os acessos destinados ao público em agências e postos de serviço na capital gaúcha foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal ao negar recurso do ABN Real”, enfatizou o diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região e da Federação dos Bancários do RS, Ademir Wiederkehr. Essa legislação e outras podem ser acessadas pelo link Leis Bancárias no site do Sindicato (www.bancariospoa.com.br).
Bancos facilitam para os bandidos
O segundo dia de seminário contou com a presença do presidente da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), José Boaventura, e de representantes dos Bancos do Brasil e do HSBC, que integraram a mesa de debates e da Caixa Econômica Federal e Itaú, que participaram com ouvintes.
O secretário-geral da CNB contestou a atitude dos bancos em relação aos funcionários após os assaltos e seqüestros. “Não há assistência adequada. Já vi casos onde a família do bancário foi mantida refém, com o filho e esposa amordaçados e o bancário obrigado a abrir o cofre, no dia seguinte teve de trabalhar normalmente. Sua família permaneceu em casa, sem qualquer segurança”, denunciou ele reforçando que, na maioria das vezes o bancário seqüestrado ainda é demitido por ter pago o resgate.
Carlão citou ainda outros casos extremos de assaltos, como ocorrido no interior do Ceará, onde um bancário que transportava valores foi assaltado e amarrado à uma linha de trem. Outro transportava valores em um táxi e foi torturado e baleado após o assalto e lembrou a recente morte de um gerente do Itaú em Limeira e da cliente ferida após um assalto e que acabou perdendo a vida, em Curitiba.
O modelo de agências utilizado hoje pela maioria dos bancos facilita a ação de bandidos. Onde há porta de segurança, elas estão localizadas após o hall eletrônico, ou seja, os clientes, os próprios funcionários que são deslocados para orientarem os clientes, ficam à mercê de assaltantes, pois não há segurança adequada nos locais. “No Bradesco a situação é pior, pois maioria das agências não possui as portas; no Unibanco, com a instalação dos ‘tesoureiros eletrônicos’, as portas foram retiradas na maior parte das agências e o HSBC ameaça deixar apenas um vigilante nas agências, contrariando a lei que determina, no mínimo, dois profissionais por localidade”, denunciou Cordeiro.
“O bancos precisam mudar a sua postura e valorizar a vida, não somente o dinheiro”, disse presidente da Confederação dos Vigilantes, contestando o modelo de segurança utilizado nos bancos. Mesmo onde há portas de segurança, como é no caso da maior parte das agências do Banco do Brasil, o atendimento eletrônico fica desprotegido. O representante do BB no seminário afirmou que o banco pretende reposicionar as portas.
Já o representante do HSBC chegou ao absurdo de afirmar que o spread bancário no Brasil é alto por conta do elevado custo da segurança e disse que é obrigação das entidades sindicais mudarem as leis para que os bancos refaçam o esquema segurança. Os bancários contestaram o banco inglês e questionaram a atitude do setor financeiro de recorrerem quando há aprovação de leis locais que asseguram a instalação de portas giratórias com detector de metais.
“Os bancos possuem uma das tecnologias mais avançadas do mundo, têm lucros altos, as tarifas são elevadas, por isso, sobra dinheiro para oferecer uma segurança melhor do que a que existe hoje”, disse Carlão.
Ato pela segurança
No período da tarde de quinta-feira, os dirigentes de todo o Brasil presentes no II Seminário Nacional de Segurança, realizaram um grande ato por melhorias na segurança nos bancos. Os alvos foram as agências do HSBC e Unibanco no centro de Curitiba. A manifestação também contou com a apresentação de dois performers. O Bradesco também foi denunciado por não instalar portas com detector de metais em suas agências, pode deixar os bancários e clientes do atendimento eletrônico à mercê de bandidos e obrigar funcionários a transportarem valores em seus carros particulares em ou táxis.
Propostas e Carta de Curitiba
Os participantes do II Seminário Nacional de Segurança elaboraram uma série de sugestões a serem encaminhadas, que estão também relacionados na Carta de Curitiba – documento elaborado durante o seminário e que está em anexo a esta matéria.
Entre as propostas aprovadas e que devem constar no projeto para mudança na Lei que trata da segurança nos bancos está a obrigatoriedade das portas de segurança em todas a agências e postos de atendimento; a proibição de manuseio dos equipamentos de segurança por parte dos bancários; de desobrigação do gerente ou tesoureiro ficar com a chave do cofre, evitando assim os seqüestros e o cumprimento da proibição do transporte de valores por parte dos bancários e um melhor treinamento para os vigilantes.
Os participantes sugeriram ainda que o seminário de segurança seja realizado anualmente. O coletivo de Segurança da CNB/CUT, formado por um representante de cada federação, se reunirá no dia 5/04, em Brasília e no dia seguinte ocorrerá o próximo encontro da Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada, na qual a CNB tem voz e voto.
Jornalistas: Ademir Wiederkehr – Seeb PoA e Meire Bicudo – CNB/CUT

Por 18:42 Sem categoria

SEMINÁRIO AMPLIA LUTA CONTRA A INSEGURANÇA NOS BANCOS

(Curitiba/São Paulo) Cerca de 80 dirigentes sindicais participaram na quarta e quinta-feira, dias 24 e 25, em Curitiba, do 2º Seminário Nacional sobre Segurança Bancária, promovido pela Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT). Um documento com a definição das reivindicações aos bancos, as ações junto às autoridades competentes, um projeto para mudança da lei nº 7.102, de 20.06.83, e as propostas de organização e mobilização será disponibilizado nos próximos dias pela CNB/CUT. “Queremos comprometer todas as entidades sindicais a priorizar essa luta e a combater a irresponsabilidade dos banqueiros diante da onda de assaltos e seqüestros que apavoram a categoria em todo o país”, conclamou o secretário-geral da Confederação, Carlos Cordeiro.

O evento foi aberto pela presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Marisa Stédile, e pelo presidente da CNB/CUT, Vagner Freitas. Marisa lembrou que a motivação para a realização do seminário na capital paranaense fora a morte de uma cliente em janeiro, durante assalto a uma agência do Bradesco, o banco que sofreu mais autuações da Polícia Federal (PF) nos últimos anos.

Vagner condenou a falta de investimentos dos bancos em segurança e lançou um desafio ao movimento sindical. “Sindicato não pode discutir apenas salário e emprego, mas precisa incluir temas que envolvem a vida do bancário, como a segurança”, afirmou. O presidente da CNB/CUT aproveitou para divulgar o calendário de organização da campanha salarial de 2004, defendendo “uma campanha forte, unificada e vitoriosa”.

Antes de apresentar a radiografia sobre o crescimento da violência nas instituições financeiras, Carlão pediu um minuto de silêncio para lembrar bancários, vigilantes e clientes que já perderam suas vidas, vítimas de ações criminosas nos bancos. “Percebe-se que os assaltos estão migrando para as lotéricas, frente a total ausência de mecanismos de segurança nos correspondentes bancários”, destacou o sindicalista. “Os bandidos estão cada vez mais arrojados, existindo casos de bancários que, seqüestrados, tiveram bombas amarradas em seus corpos para buscarem o dinheiro no banco e, depois, foram demitidos”, denunciou.

Cordeiro é também o representante da CNB/CUT no Conselho Consultivo para Assuntos de Segurança Privada, um órgão coordenado pelo Ministério da Justiça e PF, com a participação de vigilantes, Febraban e outras entidades. Segundo o representante dos bancários, “Bradesco e Unibanco são os bancos que mais sofreram autuações da PF”, apontou.

Vários sindicatos trocaram experiências, como Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Londrina, Piracicaba e Limeira, quanto à implantação de portas de segurança, leis municipais e outras iniciativas. “A lei que obriga a instalação de portas giratórias em todos os acessos destinados ao público em agências e postos de serviço na capital gaúcha foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal ao negar recurso do ABN Real”, enfatizou o diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região e da Federação dos Bancários do RS, Ademir Wiederkehr. Essa legislação e outras podem ser acessadas pelo link Leis Bancárias no site do Sindicato (www.bancariospoa.com.br).

Bancos facilitam para os bandidos

O segundo dia de seminário contou com a presença do presidente da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), José Boaventura, e de representantes dos Bancos do Brasil e do HSBC, que integraram a mesa de debates e da Caixa Econômica Federal e Itaú, que participaram com ouvintes.

O secretário-geral da CNB contestou a atitude dos bancos em relação aos funcionários após os assaltos e seqüestros. “Não há assistência adequada. Já vi casos onde a família do bancário foi mantida refém, com o filho e esposa amordaçados e o bancário obrigado a abrir o cofre, no dia seguinte teve de trabalhar normalmente. Sua família permaneceu em casa, sem qualquer segurança”, denunciou ele reforçando que, na maioria das vezes o bancário seqüestrado ainda é demitido por ter pago o resgate.

Carlão citou ainda outros casos extremos de assaltos, como ocorrido no interior do Ceará, onde um bancário que transportava valores foi assaltado e amarrado à uma linha de trem. Outro transportava valores em um táxi e foi torturado e baleado após o assalto e lembrou a recente morte de um gerente do Itaú em Limeira e da cliente ferida após um assalto e que acabou perdendo a vida, em Curitiba.

O modelo de agências utilizado hoje pela maioria dos bancos facilita a ação de bandidos. Onde há porta de segurança, elas estão localizadas após o hall eletrônico, ou seja, os clientes, os próprios funcionários que são deslocados para orientarem os clientes, ficam à mercê de assaltantes, pois não há segurança adequada nos locais. “No Bradesco a situação é pior, pois maioria das agências não possui as portas; no Unibanco, com a instalação dos ‘tesoureiros eletrônicos’, as portas foram retiradas na maior parte das agências e o HSBC ameaça deixar apenas um vigilante nas agências, contrariando a lei que determina, no mínimo, dois profissionais por localidade”, denunciou Cordeiro.

“O bancos precisam mudar a sua postura e valorizar a vida, não somente o dinheiro”, disse presidente da Confederação dos Vigilantes, contestando o modelo de segurança utilizado nos bancos. Mesmo onde há portas de segurança, como é no caso da maior parte das agências do Banco do Brasil, o atendimento eletrônico fica desprotegido. O representante do BB no seminário afirmou que o banco pretende reposicionar as portas.

Já o representante do HSBC chegou ao absurdo de afirmar que o spread bancário no Brasil é alto por conta do elevado custo da segurança e disse que é obrigação das entidades sindicais mudarem as leis para que os bancos refaçam o esquema segurança. Os bancários contestaram o banco inglês e questionaram a atitude do setor financeiro de recorrerem quando há aprovação de leis locais que asseguram a instalação de portas giratórias com detector de metais.

“Os bancos possuem uma das tecnologias mais avançadas do mundo, têm lucros altos, as tarifas são elevadas, por isso, sobra dinheiro para oferecer uma segurança melhor do que a que existe hoje”, disse Carlão.

Ato pela segurança

No período da tarde de quinta-feira, os dirigentes de todo o Brasil presentes no II Seminário Nacional de Segurança, realizaram um grande ato por melhorias na segurança nos bancos. Os alvos foram as agências do HSBC e Unibanco no centro de Curitiba. A manifestação também contou com a apresentação de dois performers. O Bradesco também foi denunciado por não instalar portas com detector de metais em suas agências, pode deixar os bancários e clientes do atendimento eletrônico à mercê de bandidos e obrigar funcionários a transportarem valores em seus carros particulares em ou táxis.

Propostas e Carta de Curitiba

Os participantes do II Seminário Nacional de Segurança elaboraram uma série de sugestões a serem encaminhadas, que estão também relacionados na Carta de Curitiba – documento elaborado durante o seminário e que está em anexo a esta matéria.

Entre as propostas aprovadas e que devem constar no projeto para mudança na Lei que trata da segurança nos bancos está a obrigatoriedade das portas de segurança em todas a agências e postos de atendimento; a proibição de manuseio dos equipamentos de segurança por parte dos bancários; de desobrigação do gerente ou tesoureiro ficar com a chave do cofre, evitando assim os seqüestros e o cumprimento da proibição do transporte de valores por parte dos bancários e um melhor treinamento para os vigilantes.

Os participantes sugeriram ainda que o seminário de segurança seja realizado anualmente. O coletivo de Segurança da CNB/CUT, formado por um representante de cada federação, se reunirá no dia 5/04, em Brasília e no dia seguinte ocorrerá o próximo encontro da Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada, na qual a CNB tem voz e voto.

Jornalistas: Ademir Wiederkehr – Seeb PoA e Meire Bicudo – CNB/CUT

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