(São Paulo) Não bastasse as demissões e a péssima qualidade do atendimento, não bastasse a exploração dos clientes para se manter no topo da lucratividade do já abastado sistema financeiro nacional, o Bradesco agora quer ampliar seus ganhos em detrimento da saúde dos bancários. É o que o próprio banco deixou claro ontem aos sindicalistas, na segunda rodada de negociações. O principal item da pauta de reivindicações previsto para as discussões – o Plano de Saúde do banco – foi reduzido a uma pequena conversa, já que o Bradesco se negou a aprofundar as negociações.
No último encontro, realizado no dia 13 de junho, os membros da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco apresentaram ao banco os problemas que o funcionalismo encontra na hora de usar o Plano de Saúde. O primeiro ponto a ser discutido era o boicote que os médicos estão promovendo contra o Bradesco Saúde, principamente em Minas Gerais, no Nordeste, em algumas cidades do Rio de Janeiro, em Curitiba e no Estado de São Paulo. “Mesmo a despeito de todo o farto material divulgado pela imprensa, o banco alegou que não existe boicote e logo de cara mostrou sua falta de vontade de negociar”, disse Carlindo Abelha, diretor da CNB/CUT e coordenador da COE.
Mas as negociações ainda pioraram. Quando os bancários reivindicaram ao Bradesco o pagamento integral das consultas, os representantes do banco negaram e dispararam, com todas as letras, que o complemento é um problema dos bancários. “Não bastasse fechar os olhos para o boicote, agora o Bradesco quer economizar com a saúde dos bancários. Pela tabela da AMB (Associação Brasileira de Médicos), cada consulta custa R$ 42, mas o banco só arca com R$ 27. Para uma empresa que teve um lucro líquido de R$ 1,25 bilhão no primeiro semestre deste ano, 21% a mais que no mesmo período do ano passado, cuidar da saúde dos seus funcionários é uma obrigação. Mas a política do Bradesco é outra e só visa o lucro”, destacou Pedro Sardi, diretor da Fetec São Paulo e membro da COE.
Ele ressaltou que o Santander já utiliza o Saúde Bradesco e que o Unibanco e o HSBC estão negociando com a empresa a implantação do plano. “Isto já é uma preocupação para o movimento sindical. Se o Bradesco não tem nenhuma preocupação com os seus próprios funcionários, o que dizer dos empregados dos concorrentes”, disse Pedro.
Mesmo com duas respostas decepcionantes, os bancários ainda tentaram avançar nas negociações e reivindicaram o credenciamento de mais médicos. Em várias regiões do Brasil, principalmente em algumas cidades do interior, não há sequer um médico credenciado para atender os usuários do Saúde Bradesco. “Muitos bancários precisam viajar quilômetros para receber um atendimento médico. Cobramos do banco e a resposta foi a mesma de sempre: ‘estamos estudando o assunto’. Ora, ao que parece o Bradesco está mais preocupado com a viabilidade financeira do credenciamento do que com a saúde dos funcionários”, lamentou Carlos Augusto Mosca, presidente do Sindicato de Belo Horizonte e membro da COE.
Férias – Outro tema previsto para as discussões, as férias dos funcionários, obteve um pequeno avanço, mas nada que garanta o cumprimento dos direitos do trabalhador. Em alguns casos, o Bradesco obriga os seus funcionários a vender dez dias de suas férias, indo contra a própria CLT. “Nós reivindicamos o cumprimento da lei, e o banco garantiu que fará um comunicado aos funcionários esclarecendo que a venda das férias é um direito e não um dever. Mas alertamos os sindicatos que fiquem atentos, pois este comunicado não é garantia de que o banco não vai mais pressionar a venda dos dez dias”, avisou Luís Gustavo, representante da Federação do Rio Grande do Sul na Comissão.
Falta de vontade – Abelha destacou que há tempos o Bradesco não demostra nenhuma vontade de negociar. “Nossas negociações, na verdade, viraram conversa, pois nada se negocia. Nas duas rodadas de negociação, por exemplo, o diretor de RH do banco, José Luís Bueno, não compareceu aos encontros, o que mostra claramente que o Bradesco não está nem aí para as reivindicações dos seus funcionários”, concluiu o dirigente.
Fonte: Fábio Jammal Makhoul – CNB/CUT
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Por Mhais• 4 de agosto de 2004• 10:00• Sem categoria
Bradesco “lava as mãos” para a saúde dos funcionários
(São Paulo) Não bastasse as demissões e a péssima qualidade do atendimento, não bastasse a exploração dos clientes para se manter no topo da lucratividade do já abastado sistema financeiro nacional, o Bradesco agora quer ampliar seus ganhos em detrimento da saúde dos bancários. É o que o próprio banco deixou claro ontem aos sindicalistas, na segunda rodada de negociações. O principal item da pauta de reivindicações previsto para as discussões – o Plano de Saúde do banco – foi reduzido a uma pequena conversa, já que o Bradesco se negou a aprofundar as negociações.
No último encontro, realizado no dia 13 de junho, os membros da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco apresentaram ao banco os problemas que o funcionalismo encontra na hora de usar o Plano de Saúde. O primeiro ponto a ser discutido era o boicote que os médicos estão promovendo contra o Bradesco Saúde, principamente em Minas Gerais, no Nordeste, em algumas cidades do Rio de Janeiro, em Curitiba e no Estado de São Paulo. “Mesmo a despeito de todo o farto material divulgado pela imprensa, o banco alegou que não existe boicote e logo de cara mostrou sua falta de vontade de negociar”, disse Carlindo Abelha, diretor da CNB/CUT e coordenador da COE.
Mas as negociações ainda pioraram. Quando os bancários reivindicaram ao Bradesco o pagamento integral das consultas, os representantes do banco negaram e dispararam, com todas as letras, que o complemento é um problema dos bancários. “Não bastasse fechar os olhos para o boicote, agora o Bradesco quer economizar com a saúde dos bancários. Pela tabela da AMB (Associação Brasileira de Médicos), cada consulta custa R$ 42, mas o banco só arca com R$ 27. Para uma empresa que teve um lucro líquido de R$ 1,25 bilhão no primeiro semestre deste ano, 21% a mais que no mesmo período do ano passado, cuidar da saúde dos seus funcionários é uma obrigação. Mas a política do Bradesco é outra e só visa o lucro”, destacou Pedro Sardi, diretor da Fetec São Paulo e membro da COE.
Ele ressaltou que o Santander já utiliza o Saúde Bradesco e que o Unibanco e o HSBC estão negociando com a empresa a implantação do plano. “Isto já é uma preocupação para o movimento sindical. Se o Bradesco não tem nenhuma preocupação com os seus próprios funcionários, o que dizer dos empregados dos concorrentes”, disse Pedro.
Mesmo com duas respostas decepcionantes, os bancários ainda tentaram avançar nas negociações e reivindicaram o credenciamento de mais médicos. Em várias regiões do Brasil, principalmente em algumas cidades do interior, não há sequer um médico credenciado para atender os usuários do Saúde Bradesco. “Muitos bancários precisam viajar quilômetros para receber um atendimento médico. Cobramos do banco e a resposta foi a mesma de sempre: ‘estamos estudando o assunto’. Ora, ao que parece o Bradesco está mais preocupado com a viabilidade financeira do credenciamento do que com a saúde dos funcionários”, lamentou Carlos Augusto Mosca, presidente do Sindicato de Belo Horizonte e membro da COE.
Férias – Outro tema previsto para as discussões, as férias dos funcionários, obteve um pequeno avanço, mas nada que garanta o cumprimento dos direitos do trabalhador. Em alguns casos, o Bradesco obriga os seus funcionários a vender dez dias de suas férias, indo contra a própria CLT. “Nós reivindicamos o cumprimento da lei, e o banco garantiu que fará um comunicado aos funcionários esclarecendo que a venda das férias é um direito e não um dever. Mas alertamos os sindicatos que fiquem atentos, pois este comunicado não é garantia de que o banco não vai mais pressionar a venda dos dez dias”, avisou Luís Gustavo, representante da Federação do Rio Grande do Sul na Comissão.
Falta de vontade – Abelha destacou que há tempos o Bradesco não demostra nenhuma vontade de negociar. “Nossas negociações, na verdade, viraram conversa, pois nada se negocia. Nas duas rodadas de negociação, por exemplo, o diretor de RH do banco, José Luís Bueno, não compareceu aos encontros, o que mostra claramente que o Bradesco não está nem aí para as reivindicações dos seus funcionários”, concluiu o dirigente.
Fonte: Fábio Jammal Makhoul – CNB/CUT
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