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Bancários do DF reúnem quatro mil na Esplanada

A greve dos bancários, que completa dez dias, continua em todo o país por tempo indeterminado. Enquanto grevistas e banqueiros não chegam a um acordo, os clientes encontram dificuldade para realizar operações, especialmente de depósito, grandes saques e pagamento de contas. Entidades de defesa do consumidor orientam clientes que foram penalizados a recorrerem à Justiça para compensar eventuais prejuízos.
Em Brasília, onde a paralisação afeta cerca de 150 agências, mesmo os terminais eletrônicos de alguns bancos estão fechados aos correntistas. ‘‘Já fui a três agências e em nenhuma consegui sacar. Até liguei para o banco e combinei de pegar o dinheiro, mas quando cheguei encontrei tudo lacrado pelos avisos de greve’’, disse o motorista Admilson Ferreira de Deus, que precisava retirar do banco R$ 4 mil para o pagamento de funcionários da empresa onde trabalha.
Sem acesso aos terminais eletrônicos, os clientes também não conseguem fazer depósitos. ‘‘Tenho que depositar um cheque para cobrir a conta, mas não estou encontrando nenhum terminal disponível. O pior é que vou acabar pagando juros sem necessidade’’, lamentava Irone Cavalcante da Silva, diante das portas fechadas de uma agência no Setor Comercial Sul.
Penalidades
A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) anunciou que a posição das instituições financeiras é de que a greve não paralisou todas as agências e, portanto, os bancos cobrarão juros sobre dívidas pagas com atraso e saldos negativos nas contas correntes.
Para o Procon-DF, no entanto, os clientes não podem ser prejudicados se não houver atendimento disponível. ‘‘Os bancos têm que disponibilizar meios para que os clientes possam realizar todas as operações necessárias. Se o consumidor encontrar alguma restrição não pode ser penalizado com taxas ou juros’’, afirma o diretor de atendimento do Procon-DF, Oswaldo Morais.
Ele explica que com a reabertura das agências, os clientes penalizados devem procurar o Procon para exigir o estorno da cobrança. Correntistas que tiverem prejuízos grandes ou a perda de algum negócio por conta da greve também podem entrar com ação de indenização na Justiça — para valores até 40 salários mínimos (R$ 10,4 mil), é possível acionar um juizado especial cível, onde o trâmite é mais rápido.
‘‘O banco é um fornecedor de serviços e tem que se responsabilizar pelos danos que causar aos clientes’’, completa Morais. No Rio de Janeiro, a Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor apresentou medida cautelar para impedir que os bancos cobrem juros e multas por atraso de pagamentos enquanto durar a greve.
Passeata
Depois de decidirem pela continuação do movimento, em assembléia ontem à tarde, os bancários de Brasília fizeram uma passeata pela Esplanada dos Ministérios. Segundo o sindicato dos bancários da capital, cerca de quatro mil grevistas participaram do ato, concluído em frente ao Ministério da Fazenda, onde fizeram um apitaço.
E novamente grevistas foram detidos pela polícia. Dessa vez , em São Paulo e em São José do Rio Preto (SP), onde três diretores foram presos durante a realização de piquetes em frente à agências nas duas cidades. Na quarta-feira, dois grevistas foram detidos em Brasília, em frente à sede do Banco do Brasil, quando reclamaram da intervenção da PM para desobstruir a entrada da agência.
O presidente do sindicato dos bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, pretende se encontrar hoje com o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, para reclamar da estratégia dos bancos de utilizar policiais militares para combater os piquetes. O ministério, no entanto, nega o encontro.
Pelos cálculos da Confederação Nacional dos Bancários, mais de 200 mil trabalhadores (dos 398 mil) estão parados em todo o país, em 24 capitais e cerca de cem cidades do interior. Eles querem reajuste de 25%, mas a Fenaban mantém a proposta de 8,5% de aumento.
Fonte: Correio Braziliense – Luís Osvaldo Grossmann

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Bancários do DF reúnem quatro mil na Esplanada

A greve dos bancários, que completa dez dias, continua em todo o país por tempo indeterminado. Enquanto grevistas e banqueiros não chegam a um acordo, os clientes encontram dificuldade para realizar operações, especialmente de depósito, grandes saques e pagamento de contas. Entidades de defesa do consumidor orientam clientes que foram penalizados a recorrerem à Justiça para compensar eventuais prejuízos.

Em Brasília, onde a paralisação afeta cerca de 150 agências, mesmo os terminais eletrônicos de alguns bancos estão fechados aos correntistas. ‘‘Já fui a três agências e em nenhuma consegui sacar. Até liguei para o banco e combinei de pegar o dinheiro, mas quando cheguei encontrei tudo lacrado pelos avisos de greve’’, disse o motorista Admilson Ferreira de Deus, que precisava retirar do banco R$ 4 mil para o pagamento de funcionários da empresa onde trabalha.

Sem acesso aos terminais eletrônicos, os clientes também não conseguem fazer depósitos. ‘‘Tenho que depositar um cheque para cobrir a conta, mas não estou encontrando nenhum terminal disponível. O pior é que vou acabar pagando juros sem necessidade’’, lamentava Irone Cavalcante da Silva, diante das portas fechadas de uma agência no Setor Comercial Sul.

Penalidades
A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) anunciou que a posição das instituições financeiras é de que a greve não paralisou todas as agências e, portanto, os bancos cobrarão juros sobre dívidas pagas com atraso e saldos negativos nas contas correntes.

Para o Procon-DF, no entanto, os clientes não podem ser prejudicados se não houver atendimento disponível. ‘‘Os bancos têm que disponibilizar meios para que os clientes possam realizar todas as operações necessárias. Se o consumidor encontrar alguma restrição não pode ser penalizado com taxas ou juros’’, afirma o diretor de atendimento do Procon-DF, Oswaldo Morais.

Ele explica que com a reabertura das agências, os clientes penalizados devem procurar o Procon para exigir o estorno da cobrança. Correntistas que tiverem prejuízos grandes ou a perda de algum negócio por conta da greve também podem entrar com ação de indenização na Justiça — para valores até 40 salários mínimos (R$ 10,4 mil), é possível acionar um juizado especial cível, onde o trâmite é mais rápido.

‘‘O banco é um fornecedor de serviços e tem que se responsabilizar pelos danos que causar aos clientes’’, completa Morais. No Rio de Janeiro, a Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor apresentou medida cautelar para impedir que os bancos cobrem juros e multas por atraso de pagamentos enquanto durar a greve.

Passeata
Depois de decidirem pela continuação do movimento, em assembléia ontem à tarde, os bancários de Brasília fizeram uma passeata pela Esplanada dos Ministérios. Segundo o sindicato dos bancários da capital, cerca de quatro mil grevistas participaram do ato, concluído em frente ao Ministério da Fazenda, onde fizeram um apitaço.

E novamente grevistas foram detidos pela polícia. Dessa vez , em São Paulo e em São José do Rio Preto (SP), onde três diretores foram presos durante a realização de piquetes em frente à agências nas duas cidades. Na quarta-feira, dois grevistas foram detidos em Brasília, em frente à sede do Banco do Brasil, quando reclamaram da intervenção da PM para desobstruir a entrada da agência.

O presidente do sindicato dos bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, pretende se encontrar hoje com o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, para reclamar da estratégia dos bancos de utilizar policiais militares para combater os piquetes. O ministério, no entanto, nega o encontro.

Pelos cálculos da Confederação Nacional dos Bancários, mais de 200 mil trabalhadores (dos 398 mil) estão parados em todo o país, em 24 capitais e cerca de cem cidades do interior. Eles querem reajuste de 25%, mas a Fenaban mantém a proposta de 8,5% de aumento.

Fonte: Correio Braziliense – Luís Osvaldo Grossmann

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