Por Raquel Salgado De São Paulo.
A Forjaria Fav, uma pequena metalúrgica localizada em São Bernardo do Campo, concedeu a seus dez funcionários participação nos lucros e resultados no valor de R$ 1,2 mil. Em Diadema, os 29 trabalhadores da Fundição Chuí também viram em seus contra-cheques um adicional de R$ 280 referente à distribuição dos lucros. A Kronberg, outra empresa do ramo metalúrgico do ABC paulista, pagou R$ 600 aos dez empregados da fábrica. As três pequenas empresas concederam esse benefício, em 2005, pela primeira vez.
O segundo ano de crescimento consecutivo da economia brasileira tem se refletido no bolso do trabalhador em mecanismos que vão além do sempre almejado aumento real, aquele que dá ganho salarial acima da inflação acumulada desde o ano anterior. O número de reajustes parcelados e escalonados – que pressupõem teto para os aumentos – caiu sensivelmente. Há categorias negociando elevação de salário já para 2006 e os abonos, que substituem os aumentos com a desvantagem de não serem incorporados aos salários, também são menos freqüentes. Algumas categorias conseguiram, inclusive, reduzir a jornada de trabalho.
Os auxiliares de administração escolar do Estado de São Paulo evitaram a corrosão dos salários por tempo mais longo. Com data-base em março, fecharam acordo com um aumento real de 1,8% a partir de maio deste ano. Foi uma negociação bem melhor do que a de 2004, quando a categoria repôs só a inflação acumulada em 7,48% e ainda precisou parcelar esse reajuste em duas vezes, recebendo 3% em março e o restante apenas no mês de maio. O parcelamento é ruim porque deixa o rendimento depreciado por um período maior e, enquanto isso, a inflação continua a morder uma fatia do salário.
Em uma negociação inédita na história do movimento sindical brasileiro, 170 mil metalúrgicos do Estado de São Paulo com data-base em setembro garantiram agora um aumento real para 2006. No caso dos empregados em autopeças e empresas de fundição, o reajuste deste ano foi de 3% além da inflação e no próximo ano será de 1,99%. Nas montadoras, o acordo fechado foi de 3,7% de reajuste real em 2005 e mais 1,3% em 2006.
Osvaldo Bargas, secretário de relações do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), lembra que a organização sindical ainda é a melhor maneira para se chegar a uma menor desigualdade social. “Organizações fortes e representativas são capazes de fechar bons acordos de aumento salarial e assim distribuir de forma mais igual a renda”, diz.
Os farmacêuticos do Estado de São Paulo, filiados à Federação dos Químicos, tiveram importantes reivindicações atendidas, além do aumento real. No final do ano passado, conseguiram mudar a data-base de novembro para abril. Além disso, negociaram a redução da jornada de trabalho e, em 2005, cerca de 80% dos 6 mil farmacêuticos estão trabalhando 42 horas semanais, em vez das 44 anteriores.
Sérgio Luiz, secretário-executivo da Federação, conta que na rodada de abril deste ano os ganhos sociais foram importantes. “Criamos duas comissões permanentes de negociação: uma para discutir a saúde dos trabalhadores e outra para debater assuntos relacionados à discriminação racial”. A categoria também pretende pôr em pauta temas como a implantação de organização sindical no local de trabalho, o problema do assédio sexual e da terceirização no setor.
Os abonos salariais, considerado um instrumento perverso pelos sindicalistas porque não é incorporado ao poder de compra dos trabalhadores, têm perdido espaço com a queda da inflação, que deixa menos difícil a obtenção de reajustes reais. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) revela que no primeiro semestre de 2005 menos de 4% dos acordos salariais contaram com esse recurso. Em 2004 e 2003, o percentual variou entre 8% e 9%.
Os trabalhadores na indústria de artefatos de couro de Franca, pólo calçadista do interior paulista, sentiram na pele essa melhora. Com data-base em janeiro, a categoria conseguiu repor a inflação e ainda aumentar em 1,76% seu salário. No ano passado, o reajuste ficou em 10,38%. Apesar do número chamar atenção, ele apenas cobriu a inflação e os trabalhadores tiveram que se contentar com um abono mensal de R$ 60.
Mesmo com ganhos salariais em diversas categorias, o rendimento real médio dos brasileiros tem crescido pouco. Nos 12 meses terminados em julho, ficou 1,6% maior, chegando a R$ 968 nas seis maiores regiões metropolitanas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A explicação está na grande quantidade de mão-de-obra disponível, o que faz com que pessoas que estão entrando no mercado aceitem salários menores.
No entanto, Marcelo de Ávila, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ressalta que até julho o salário recebido pelos empregados do setor público cresceu 4,3% na variação em 12 meses. “É um sintoma do bom ciclo econômico. O setor público não faz concursos para contratar a torto e à direita, pois, ao contrário de uma empresa privada, não pode demitir o trabalhador sem justificativas”, explica. A maior elevação no rendimento desse segmento também indica que as contratações estão sendo para faixas de salários mais altas.
Outra indicação positiva para o mercado de trabalho está no número de ocupados com carteira de trabalho. Desde fevereiro deste ano, o trabalho formal tem crescido a taxas superiores aos do conjunto do setor privado. Em julho, ocorreu um fato novo: pela primeira vez desde março de 2003, o crescimento em 12 meses do emprego informal ficou levemente negativo: menos 0,01%.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.valoronline.com.br.
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Por Mhais• 19 de setembro de 2005• 17:23• Sem categoria
Crescimento traz ganhos além do salário
Por Raquel Salgado De São Paulo.
A Forjaria Fav, uma pequena metalúrgica localizada em São Bernardo do Campo, concedeu a seus dez funcionários participação nos lucros e resultados no valor de R$ 1,2 mil. Em Diadema, os 29 trabalhadores da Fundição Chuí também viram em seus contra-cheques um adicional de R$ 280 referente à distribuição dos lucros. A Kronberg, outra empresa do ramo metalúrgico do ABC paulista, pagou R$ 600 aos dez empregados da fábrica. As três pequenas empresas concederam esse benefício, em 2005, pela primeira vez.
O segundo ano de crescimento consecutivo da economia brasileira tem se refletido no bolso do trabalhador em mecanismos que vão além do sempre almejado aumento real, aquele que dá ganho salarial acima da inflação acumulada desde o ano anterior. O número de reajustes parcelados e escalonados – que pressupõem teto para os aumentos – caiu sensivelmente. Há categorias negociando elevação de salário já para 2006 e os abonos, que substituem os aumentos com a desvantagem de não serem incorporados aos salários, também são menos freqüentes. Algumas categorias conseguiram, inclusive, reduzir a jornada de trabalho.
Os auxiliares de administração escolar do Estado de São Paulo evitaram a corrosão dos salários por tempo mais longo. Com data-base em março, fecharam acordo com um aumento real de 1,8% a partir de maio deste ano. Foi uma negociação bem melhor do que a de 2004, quando a categoria repôs só a inflação acumulada em 7,48% e ainda precisou parcelar esse reajuste em duas vezes, recebendo 3% em março e o restante apenas no mês de maio. O parcelamento é ruim porque deixa o rendimento depreciado por um período maior e, enquanto isso, a inflação continua a morder uma fatia do salário.
Em uma negociação inédita na história do movimento sindical brasileiro, 170 mil metalúrgicos do Estado de São Paulo com data-base em setembro garantiram agora um aumento real para 2006. No caso dos empregados em autopeças e empresas de fundição, o reajuste deste ano foi de 3% além da inflação e no próximo ano será de 1,99%. Nas montadoras, o acordo fechado foi de 3,7% de reajuste real em 2005 e mais 1,3% em 2006.
Osvaldo Bargas, secretário de relações do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), lembra que a organização sindical ainda é a melhor maneira para se chegar a uma menor desigualdade social. “Organizações fortes e representativas são capazes de fechar bons acordos de aumento salarial e assim distribuir de forma mais igual a renda”, diz.
Os farmacêuticos do Estado de São Paulo, filiados à Federação dos Químicos, tiveram importantes reivindicações atendidas, além do aumento real. No final do ano passado, conseguiram mudar a data-base de novembro para abril. Além disso, negociaram a redução da jornada de trabalho e, em 2005, cerca de 80% dos 6 mil farmacêuticos estão trabalhando 42 horas semanais, em vez das 44 anteriores.
Sérgio Luiz, secretário-executivo da Federação, conta que na rodada de abril deste ano os ganhos sociais foram importantes. “Criamos duas comissões permanentes de negociação: uma para discutir a saúde dos trabalhadores e outra para debater assuntos relacionados à discriminação racial”. A categoria também pretende pôr em pauta temas como a implantação de organização sindical no local de trabalho, o problema do assédio sexual e da terceirização no setor.
Os abonos salariais, considerado um instrumento perverso pelos sindicalistas porque não é incorporado ao poder de compra dos trabalhadores, têm perdido espaço com a queda da inflação, que deixa menos difícil a obtenção de reajustes reais. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) revela que no primeiro semestre de 2005 menos de 4% dos acordos salariais contaram com esse recurso. Em 2004 e 2003, o percentual variou entre 8% e 9%.
Os trabalhadores na indústria de artefatos de couro de Franca, pólo calçadista do interior paulista, sentiram na pele essa melhora. Com data-base em janeiro, a categoria conseguiu repor a inflação e ainda aumentar em 1,76% seu salário. No ano passado, o reajuste ficou em 10,38%. Apesar do número chamar atenção, ele apenas cobriu a inflação e os trabalhadores tiveram que se contentar com um abono mensal de R$ 60.
Mesmo com ganhos salariais em diversas categorias, o rendimento real médio dos brasileiros tem crescido pouco. Nos 12 meses terminados em julho, ficou 1,6% maior, chegando a R$ 968 nas seis maiores regiões metropolitanas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A explicação está na grande quantidade de mão-de-obra disponível, o que faz com que pessoas que estão entrando no mercado aceitem salários menores.
No entanto, Marcelo de Ávila, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ressalta que até julho o salário recebido pelos empregados do setor público cresceu 4,3% na variação em 12 meses. “É um sintoma do bom ciclo econômico. O setor público não faz concursos para contratar a torto e à direita, pois, ao contrário de uma empresa privada, não pode demitir o trabalhador sem justificativas”, explica. A maior elevação no rendimento desse segmento também indica que as contratações estão sendo para faixas de salários mais altas.
Outra indicação positiva para o mercado de trabalho está no número de ocupados com carteira de trabalho. Desde fevereiro deste ano, o trabalho formal tem crescido a taxas superiores aos do conjunto do setor privado. Em julho, ocorreu um fato novo: pela primeira vez desde março de 2003, o crescimento em 12 meses do emprego informal ficou levemente negativo: menos 0,01%.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.valoronline.com.br.
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