Em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores, Quintino Marques Severo, fez uma avaliação sobre a última reunião do secretariado da executiva nacional da entidade. Entre as prioridades da nova gestão da CUT, sublinhou o líder metalúrgico que presidiu a CUT-RS durante dois mandatos, estão a Campanha Salarial do 2º Semestre, a mobilização contra as ações anti-sindicais e a luta contra o trabalho aos domingos.
Entre as prioridades da CUT, definidas pela última reunião da executiva, está a Campanha Salarial do 2º semestre. Qual a sua avaliação?
Neste segundo semestre, teremos a mobilização de categorias que historicamente tem um grande peso, como bancários, petroleiros, trabalhadores dos correios, os metalúrgicos das montadoras. Estou convencido de que há dois fatores determinantes: o primeiro, é o fortalecimento do papel da CUT como central dirigente, com representatividade não apenas legítima como legal. Então, é preciso construir uma pauta conjunta com pontos específicos, com percentual de aumento real, garantindo que todos tenham ganhos superiores à inflação. Queremos que esta pauta comum sirva de referência para os trabalhadores de todo o país. Ao unificarmos uma pauta econômica e política, devemos dar-lhe um caráter de unidade, levando as reivindicações, que não são só econômicas, as três esferas de governo, federal, estadual e municipal. A redução da jornada de trabalho e a política salarial são condições de fato para caminharmos rumo à distribuição de renda. Uma Campanha Salarial com este formato cumpre um papel estratégico.
No último período há uma avalanche de denúncias de ações anti-sindicais. Como a CUT vem se contrapondo a estes ataques?
Estamos sofrendo vários retrocessos em distintos Estados do país, onde diferentes governos estão atacando servidores e suas organizações sindicais. Também temos vários dirigentes cutistas assassinados, como é o caso do companheiro Jair Antonio da Costa, do setor coureiro-calçadista do Rio Grande do Sul, morto pela PM; ou o companheiro Anderson, do Sindfrios do Rio de Janeiro, que até hoje o governo estadual não desvendou. Estes não são apenas ataques à organização sindical, mas à própria vida. Jair e Anderson são exemplos de batalhadores que pagaram com a vida a defesa dos direitos dos trabalhadores. Em relação à perseguição, a CUT está com pedidos de audiência com os governos de todos os Estados que vêm adotando tais práticas. Quanto aos assassinatos, teremos uma reunião com o ministro Márcio Thomaz Bastos, onde vamos solicitar a federalização da apuração dos crimes.
Como está o debate sobre o FGTS das domésticas?
A executiva da CUT está debatendo o tema a partir de um enfoque claro: os direitos são para todos os trabalhadores. Não há como defender dois tipos de empregos, um com mais outro com menos direitos. Ainda que não seja conclusivo, o debate reafirma estes princípios, defendendo a MP 284, que busca ampliar a formalização no trabalho doméstico.
E o trabalho aos domingos?
Adotamos a posição do ramo dos comerciários contra a abertura do comércio aos domingos. Entretanto, aonde não for possível evitar que se abra, vamos lutar por uma legislação que garanta a sua regulamentação através de Convenção Coletiva, assegurando direitos para toda a categoria.
Como ficará o calendário de reuniões da CUT a partir de agora?
O secretariado terá um calendário fixo todas as terças-feiras, às 14 horas. A executiva nacional terá reuniões mensais, com a próxima nos dias 2 e 3 de agosto, onde aprovaremos a data do Planejamento e o calendário para as demais reuniões da direção nacional.
Fonte: CUT
Notícias recentes
- CEO do BRB preso financiou parte dos R$ 5,9 milhões para mansão de Flávio Bolsonaro
- Lula assina projeto 151, que garante negociação e fortalece direitos do servidor
- Garantia de direitos trabalhistas no campo ainda enfrenta desafios
- Com presença de Lula, evento em Barcelona desafia a extrema direita
- Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 2
Comentários
Por Mhais• 11 de julho de 2006• 10:13• Sem categoria
“Vamos unificar a luta por aumento real nas Campanhas Salariais do 2º Semestre”, afirma Quintino Severo
Em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores, Quintino Marques Severo, fez uma avaliação sobre a última reunião do secretariado da executiva nacional da entidade. Entre as prioridades da nova gestão da CUT, sublinhou o líder metalúrgico que presidiu a CUT-RS durante dois mandatos, estão a Campanha Salarial do 2º Semestre, a mobilização contra as ações anti-sindicais e a luta contra o trabalho aos domingos.
Entre as prioridades da CUT, definidas pela última reunião da executiva, está a Campanha Salarial do 2º semestre. Qual a sua avaliação?
Neste segundo semestre, teremos a mobilização de categorias que historicamente tem um grande peso, como bancários, petroleiros, trabalhadores dos correios, os metalúrgicos das montadoras. Estou convencido de que há dois fatores determinantes: o primeiro, é o fortalecimento do papel da CUT como central dirigente, com representatividade não apenas legítima como legal. Então, é preciso construir uma pauta conjunta com pontos específicos, com percentual de aumento real, garantindo que todos tenham ganhos superiores à inflação. Queremos que esta pauta comum sirva de referência para os trabalhadores de todo o país. Ao unificarmos uma pauta econômica e política, devemos dar-lhe um caráter de unidade, levando as reivindicações, que não são só econômicas, as três esferas de governo, federal, estadual e municipal. A redução da jornada de trabalho e a política salarial são condições de fato para caminharmos rumo à distribuição de renda. Uma Campanha Salarial com este formato cumpre um papel estratégico.
No último período há uma avalanche de denúncias de ações anti-sindicais. Como a CUT vem se contrapondo a estes ataques?
Estamos sofrendo vários retrocessos em distintos Estados do país, onde diferentes governos estão atacando servidores e suas organizações sindicais. Também temos vários dirigentes cutistas assassinados, como é o caso do companheiro Jair Antonio da Costa, do setor coureiro-calçadista do Rio Grande do Sul, morto pela PM; ou o companheiro Anderson, do Sindfrios do Rio de Janeiro, que até hoje o governo estadual não desvendou. Estes não são apenas ataques à organização sindical, mas à própria vida. Jair e Anderson são exemplos de batalhadores que pagaram com a vida a defesa dos direitos dos trabalhadores. Em relação à perseguição, a CUT está com pedidos de audiência com os governos de todos os Estados que vêm adotando tais práticas. Quanto aos assassinatos, teremos uma reunião com o ministro Márcio Thomaz Bastos, onde vamos solicitar a federalização da apuração dos crimes.
Como está o debate sobre o FGTS das domésticas?
A executiva da CUT está debatendo o tema a partir de um enfoque claro: os direitos são para todos os trabalhadores. Não há como defender dois tipos de empregos, um com mais outro com menos direitos. Ainda que não seja conclusivo, o debate reafirma estes princípios, defendendo a MP 284, que busca ampliar a formalização no trabalho doméstico.
E o trabalho aos domingos?
Adotamos a posição do ramo dos comerciários contra a abertura do comércio aos domingos. Entretanto, aonde não for possível evitar que se abra, vamos lutar por uma legislação que garanta a sua regulamentação através de Convenção Coletiva, assegurando direitos para toda a categoria.
Como ficará o calendário de reuniões da CUT a partir de agora?
O secretariado terá um calendário fixo todas as terças-feiras, às 14 horas. A executiva nacional terá reuniões mensais, com a próxima nos dias 2 e 3 de agosto, onde aprovaremos a data do Planejamento e o calendário para as demais reuniões da direção nacional.
Fonte: CUT
Deixe um comentário