Segundo o Ministério do Trabalho, pelo atual modelo sindical, o negócio é bastante atraente O ano de 2005 fechou com 254 novos sindicatos registrados pelo Ministério do Trabalho. Significa dizer que, tirando finais de semana e feriados, a cada dia nasce um sindicato no País. Estima-se que no Brasil existam cerca de 18 mil entidades sindicais. O ministério quer apresentar, até o segundo semestre deste ano, uma radiografia do sistema sindical brasileiro, considerada hoje uma caixa preta.O Estado não sabe ao certo quantos sindicatos são no País, mas já tem conhecimento de que muitos existem apenas no papel. “Tem sindicato que não tem sede. Funciona na casa do presidente da entidade, que em alguns casos preside quatro ou cinco entidades. Tem sindicato que não tem um sócio sequer”, afirma Osvaldo Bargas, secretário de Relações do Trabalho, do Ministério do Trabalho.Segundo ele, pelo atual modelo sindical, abrir uma sindicato virou um bom negócio para muitos. Para ser representante de uma categoria não é preciso esforço nem para registrar o sindicato nem para atrair seus sócios. A legislação assegura que, mesmo se a entidade não tiver nenhum filiado, terá a verba compulsória do imposto sindical, que obriga o recolhimento, uma vez por ano, de um um dia do salário bruto do trabalhador, seja ele sindicalizado ou não.O “negócio” é atraente. Não é a toa que no Ministério do Trabalho tramitam, atualmente, nove mil processos que tratam de pedido de abertura de sindicatos e mudança de estatuto das entidades já existentes. Bargas não soube estimar quantos tratam exclusivamente de pedidos de abertura de novas entidades, mas garante que o volume é grande. No ano passado, foram 346 pedidos de registros, sendo 254 deferidos.O que se vê é uma corrida para abrir um sindicato. Os empregadores domésticos, por exemplo, já trataram de garantir o registro da entidade para representar a categoria, assim como os lavadores de carros, os condôminos e os porteiros de condomínios. “Abrir sindicato virou um bom negócio porque existe o monopólio da representatividade (uma categoria não pode ter dois ou mais sindicatos); garante estabilidade no emprego para seus dirigentes; a entidade não precisa prestar contas a ninguém; além disto, tem a arrecadação compulsória”, observa Bargas.A situação preocupa não só o governo, que organizou um Fórum para discutir mudanças no sistema sindical brasileiro, como as centrais sindicais. “Sem a reforma sindical, o sindicalismo vai se desmoralizando”, garante Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também apóia a reforma, cujo texto final, aprovado pelo fórum, foi encaminhado no ano passado para o Congresso Nacional.
Fonte: Jornal de Brasília
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