TRANSCRIÇÃO DE REPORTAGEM DA RÁDIO CÂMARA:
Resumo
Dezembro, época de décimo terceiro salário no bolso e muitas compras. Nesta semana, a Rádio Câmara apresenta uma série justamente sobre consumo e educação financeira. Em cinco matérias, você acompanha uma análise de como é a cultura financeira do brasileiro, a vida complicada de quem compra compulsivamente e, claro, algumas dicas para virar o ano tirando as contas do vermelho. Hoje, na primeira reportagem, você confere que o endividamento é também uma preocupação do governo. Os detalhes, com Daniele Lessa.
De um lado, os bancos centrais das maiores economias do planeta estão anunciando medidas para conter a crise que ameaça o euro. A possibilidade de uma quebra do sistema financeiro mundial assombra vários países e a reação natural das pessoas é parar de consumir. Do outro lado, aqui no Brasil, o governo anuncia incentivos ao crédito para aquecer as vendas de Natal. O objetivo é que o país siga embalado no berço esplêndido do consumo. Porém, sem um planejamento, é frequente que o consumo mostre sua outra face – o endividamento, como realça o presidente da Comissão de Finanças da Câmara, deputado Claudio Puty.
“Como nós passamos nos últimos anos a um padrão de crescimento baseado no consumo, ao contrário de outros países que são baseados ou na exportação ou nos investimentos, o consumo de massa tem um papel mais relevante, nos preocupa, principalmente à luz da crise americana, o endividamento das famílias. Então acho que educação financeira passa a ter um sentido mais geral, passa a não ser só problema individual, mas um problema coletivo, macroeconômico.”
Projeto de lei já aprovado na Câmara e em análise no Senado determina que a educação financeira entre nos currículos escolares. O governo se antecipou e, em 2007, reuniu diversas entidades, como o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliares e alguns Ministérios, a fim de criar uma Estratégia Nacional de Educação Financeira. Nos últimos dois anos, está em curso um projeto piloto envolvendo 891 escolas públicas de nível médio. José Alexandre Vasco é um dos superintendentes da CVM e explica qual a ideia desse trabalho com os estudantes.
“Para que eles sejam protagonistas da sua vida e, portanto, não estejam sujeitos a padrões que apenas repitam comportamentos muitas vezes insustentáveis que a família tem por falta de uma cultura financeira. As pesquisas mostram que esses padrões, por exemplo, se uma família é endividada, ou é uma família que tem hábitos de poupança, esses padrões se repetem e, portanto, eles são passados entre gerações. Daí, a importância de que uma abordagem de educação financeira junto às crianças e aos jovens contribuísse com esse esforço total, mais amplo, que é um objetivo, acho, de toda a educação, que é formar cidadãos autônomos.”
O projeto almeja que os jovens se tornem multiplicadores e possam até influenciar a maneira como os pais lidam com as finanças. Além de cálculos financeiros, o material inclui a leitura crítica de anúncios publicitários, os direitos do trabalhador e o uso dos recursos públicos. Uma das atividades, por exemplo, é calcular o custo da escola pública. Para o estudante Iago Ferreira, participar do projeto já está mostrando efeitos práticos.
“Eu aprendi principalmente antes de gastar qualquer dinheiro, a pensar nas consequências e o quanto eu vou precisar, talvez em um projeto futuro, desse dinheiro. Eu posso estar investindo em alguma coisa que não tenha nenhum benefício futuramente para mim. Desde o início do projeto tenho economizado e com o dinheiro que eu economizei, eu consegui juntar uma grana que deu pra me sustentar numa viagem que eu fiz para o exterior”.
Para os interessados em conhecer o projeto, mais informações estão na internet, na página www.vidaedinheiro.org.br .
Sabe aquela história de sobrar mês e faltar salário? De cada quatro brasileiros, três sabem muito bem o que é isso, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE. A dificuldade em fechar as contas está aumentando a busca por informações na área de finanças. Empresas e instituições também já se deram conta que orientar os colaboradores sobre dinheiro significa melhorar o ritmo de trabalho, como destaca Adriana Rodrigues, que atua no programa de Educação Financeira da Câmara.
“Porque uma pessoa que está endividada, ela diminui a sua concentração, a sua atenção no ambiente de trabalho. Ela não tem como produzir bem, depois ela tem uma série de complicações físicas também: gastrite, dor de cabeça, ansiedade, depressão, problemas de relacionamento com esposa, com filhos, em função do endividamento ou de uma forma de administrar o dinheiro não saudável. Então, afeta diretamentamente o ambiente de trabalho.”
Para quem não sabe como abordar o assunto, o Banco Central oferece capacitação nessa área. Instituições como as Forças Armadas, universidades e associações já receberam ajuda para treinar pessoas habilitadas a multiplicar informações sobre educação financeira. O analista do BC, Vital Fagundes, reconhece que é um desafio ser previdente em um mundo que incentiva tanto o consumo.
“Pela própria cultura que nós tivemos, inflacionária, a gente tem toda uma perspectiva de pouco planejamento e de pouca poupança. Essa é uma realidade, principalmente, com essa coisa do crédito fácil. Essa questão do marketing envolvente que nós temos acaba que as pessoas realmente estão gastando mais do que se deve, mais do que se ganha, então o que nós realmente buscamos é exatamente mostrar a importância desse planejamento para que você possa viver bem hoje, amanhã e sempre , não é só viver o hoje e estar apertado amanhã não.”
(trecho fábula – “quando o inverno chegou, a formiga tinha bastante comida guardada, então ela resolveu chamar a cigarra para brincar. Dona cigarra, você não gostaria de brincar na neve? Mas a cigarra não tinha nenhuma comida, estava com muita fome e sem forças para brincar. Ela aprendeu uma grande lição: é muito importante aprender a planejar com antecedência”)
Mais informações sobre as capacitações oferecidas pelo Banco Central, você obtem no telefone 3414-1275. O código de Brasília é 61.
De Brasília, Daniele Lessa
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www.camara.gov.br/internet/radiocamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=130960
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Reportagem Especial
07/12/2011
- A cultura financeira do brasileiro (07’00”)
Dezembro, época de décimo terceiro salário no bolso e muitas compras. Nesta semana, a Rádio Câmara apresenta uma série justamente sobre consumo e educação financeira. Em cinco matérias, você acompanha uma análise de como é a cultura financeira do brasileiro, a vida complicada de quem compra compulsivamente e, claro, algumas dicas para virar o ano tirando as contas do vermelho. Hoje, na primeira reportagem, você confere que o endividamento é também uma preocupação do governo. Os detalhes, com Daniele Lessa.
- Como se comporta o brasileiro quando o assunto é comprar a crédito (06’41”)
Nesta semana, a Rádio Câmara apresenta uma série sobre consumo e educação financeira. Hoje, na segunda reportagem, você relembra momentos da recente história econômica do Brasil e confere qual a atitude mais comum atualmente quando o assunto é comprar a crédito. Os detalhes, com Daniele Lessa.
- Dívidas: um assunto conhecido por quase 70% dos brasileiros (06’45”)
Nesta semana, a Rádio Câmara está apresentando uma série de reportagens sobre consumo e educação financeira. Hoje, a jornalista Daniele Lessa coloca um assunto bem conhecido por quase 70% dos brasileiros – as dívidas.
- O desafio de fazer com os filhos tenham uma relação saudável com o consumo (06’47”)
A Rádio Câmara está apresentando nesta semana uma série especial sobre consumo e educação financeira. Hoje, na quarta reportagem desta série, você vai conferir que lidar bem com o dinheiro é um caminho para bons relacionamentos e para transformar sonhos em realidade. Além disso, a matéria aborda como os pais podem educar os filhos para que eles cresçam tendo uma relação saudável com o consumo. Os detalhes, com Daniele Lessa.
- Dinheiro traz felicidade? (07’59”)
A Rádio Câmara apresentou nesta semana uma série especial sobre consumo e educação financeira. Hoje, na quinta e última reportagem desta série, acompanhe com Daniele Lessa, as respostas à pergunta: dinheiro traz felicidade?