(São Paulo) Em balanço de final de ano, o presidente nacional da CUT, João Antonio Felício, fala ao Portal do Mundo do Trabalho sobre o crescimento da CUT no período, os êxitos obtidos nas negociações salariais, sobre avanços, conquistas e desafios para o Ano Novo. “Crescemos em 2005 e vamos crescer ainda mais em 2006.”
Qual o principal balanço do período?
Sem dúvida alguma, pela importância que teve na conjuntura, precisamos sublinhar o importante crescimento da CUT, não apenas do ponto de vista de número de sindicatos, mas da qualidade da sua intervenção. Não é à toa que ampliamos o número de categorias que garantiram aumentos iguais ou superiores à inflação, chegando a 87,5%. Isso foi fruto da luta, de nossa organização e mobilização. É um balanço positivo que inverte uma tendência histórica.
Isso é fruto também da pressão exercida pelo movimento sindical na questão da política econômica?
Evidentemente que sim. Se não tivéssemos derrotado o desgoverno neoliberal de FHC e invertido a lógica, com maior geração de emprego e renda, isso não teria sido possível. Esses avanços só se tornaram realidade por termos crescimento econômico. Os ganhos reais no salário mínimo são fruto disso. Sem crescimento econômico, essa possibilidade naturalmente seria muito reduzida. É importante frisar que estas melhorias, ainda que limitadas, favorecem sobretudo à população mais pobre. A transferência de renda está fazendo o Nordeste crescer mais que o país. Cito como exemplo Salvador; na capital baiana o salário médio subiu 12,2% nos últimos doze meses, bem superior aos 5% da média nacional.
A defesa de uma política de recuperação permanente do salário mínimo também ganhou força?
A CUT está cada vez mais ousada, propositiva e isso tem sido decisivo para conquistarmos uma política de médio e longo prazo na questão da elaboração do salário mínimo. A II Marcha Nacional pelo aumento do salário mínimo, pela redução da jornada para 40 horas semanais, pelo reajuste da tabela do Imposto de Renda e pela valorização do serviço e dos servidores públicos, na qual a CUT teve participação destacada é uma boa demonstração disso. Mas nossa central foi além, fortalecendo sua organização nos mais variados segmentos. Seja na Secretaria de Mulheres ou nos coletivos de mulheres e do movimento negro, temos diversas conquistas que podem ser realçadas, incorporando novas e melhores contribuições para a luta da classe trabalhadora. Foram encontros, marchas e mobilizações seja em nível nacional ou local, onde surgiram novas lideranças.
No âmbito internacional, a CUT também demarcou posição…
Claro, particularmente se confrontando à postura do Ministério da Fazenda no caso da redução das alíquotas na Organização Mundial do Comércio. Com nossa posição firme, calcada no aprofundado estudo das perversas conseqüências que teria a abertura indiscriminada para a economia nacional, para o emprego e o salário, conseguimos ganhar vários setores empresariais e do próprio governo, evitando o desastre anunciado. Mais recentemente, em união com a KCTU e a Cosatu conseguirmos reafirmar essa posição na reunião da OMC em Hong Kong.
Há pontos negativos da conjuntura…
O grande ponto negativo foi o baixo crescimento econômico ocorrido neste ano, o que só demonstra os acertos das observações feitas pela CUT, particularmente quanto à questão dos juros altos, do elevado superávit primário e da sobrevalorização do câmbio, que estimula as importações e inibe as exportações. Se tivesse havido aceitação das nossas ponderações, terminaríamos o ano em condições muito melhores. Também temos um problema bastante grave que é o das demissões no setor coureiro-calçadista que, felizmente, começamos a reverter a partir de uma reunião de representantes de entidades cutistas e empresariais com o próprio presidente Lula e vários dos seus ministros para enfrentar a questão do importacionismo de calçados vindos da China, além, obviamente, de maiores incentivos e taxas de juros menores ao setor, sem falar na ampliação de dois meses do seguro-desemprego, que passa de cinco para sete meses e retroativo a fevereiro de 2005..
E do ponto de vista sindical?
Uma das importantes novidades é a conquista do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda. A ampliação do número de sindicatos cutistas, mais de cem novas entidades sindicais em um único ano, alcançando a 3.362 sindicatos, é algo expressivo. Respondemos à altura contra as diversas tentativas de fracionamento e divisão sindical de setores que tentaram semear a desfiliação da central, e que redundaram em retumbante fracasso. Nos poucos locais onde conseguiram desfiliar algum sindicato da Central, o fizeram em assembléias inteiramente esvaziadas. Atentam contra a necessária unidade da classe trabalhadora precisamente no momento em que ela é mais necessária para fazer frente às pressões da direita e impulsionar o país no caminho das mudanças, da soberania e da justiça social. Unidos, teremos obviamente melhores condições de vitória, construindo alternativas que possibilitem ao país romper as amarras da submissão ao capital especulativo e colocar os interesses do nosso povo no centro. É a velha história do feixe, cada vez mais atual.
E as perspectivas para 2006?
Iniciaremos o ano com uma reunião das centrais com o governo já no dia 11. Defendemos o reajuste do salário mínimo para R$ 400,00, a atualização da tabela do Imposto de Renda e o reajuste do funcionalismo. Ampliaremos a pressão sobre o governo e o Congresso, pois defendemos que o aumento do mínimo tem forte impacto na distribuição de renda, sendo um elemento decisivo para a justiça social. Evidentemente, é uma questão de opção de governo, mas reafirmamos: os recursos existem, precisam ser alocados a serviço da produção, do desenvolvimento econômico, e não da especulação, do pagamento de juros aos especuladores externos. Queremos prioridade para a área social no Orçamento da União em 2006.
E temos ainda o 9º ConCUT…
Nosso 9º Congresso será um marco na história da entidade. A realizar-se no mês de junho, às vésperas da eleição presidencial, terá papel decisivo na aglutinação dos movimentos social e sindical no sentido de fortalecer a luta pela construção de um novo Brasil e impedir o retrocesso. Enraizada na base, reafirmando seu caráter autônomo, a CUT se afirmará cada vez mais como instrumento de organização e mobilização da classe trabalhadora, o que lhe confere um peso central no desdobramento desta luta.
Fonte: CUT.
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Por Mhais• 26 de dezembro de 2005• 00:07• Sem categoria
A CUT cresceu em 2005 e vai crescer mais em 2006, diz João Felício
(São Paulo) Em balanço de final de ano, o presidente nacional da CUT, João Antonio Felício, fala ao Portal do Mundo do Trabalho sobre o crescimento da CUT no período, os êxitos obtidos nas negociações salariais, sobre avanços, conquistas e desafios para o Ano Novo. “Crescemos em 2005 e vamos crescer ainda mais em 2006.”
Qual o principal balanço do período?
Sem dúvida alguma, pela importância que teve na conjuntura, precisamos sublinhar o importante crescimento da CUT, não apenas do ponto de vista de número de sindicatos, mas da qualidade da sua intervenção. Não é à toa que ampliamos o número de categorias que garantiram aumentos iguais ou superiores à inflação, chegando a 87,5%. Isso foi fruto da luta, de nossa organização e mobilização. É um balanço positivo que inverte uma tendência histórica.
Isso é fruto também da pressão exercida pelo movimento sindical na questão da política econômica?
Evidentemente que sim. Se não tivéssemos derrotado o desgoverno neoliberal de FHC e invertido a lógica, com maior geração de emprego e renda, isso não teria sido possível. Esses avanços só se tornaram realidade por termos crescimento econômico. Os ganhos reais no salário mínimo são fruto disso. Sem crescimento econômico, essa possibilidade naturalmente seria muito reduzida. É importante frisar que estas melhorias, ainda que limitadas, favorecem sobretudo à população mais pobre. A transferência de renda está fazendo o Nordeste crescer mais que o país. Cito como exemplo Salvador; na capital baiana o salário médio subiu 12,2% nos últimos doze meses, bem superior aos 5% da média nacional.
A defesa de uma política de recuperação permanente do salário mínimo também ganhou força?
A CUT está cada vez mais ousada, propositiva e isso tem sido decisivo para conquistarmos uma política de médio e longo prazo na questão da elaboração do salário mínimo. A II Marcha Nacional pelo aumento do salário mínimo, pela redução da jornada para 40 horas semanais, pelo reajuste da tabela do Imposto de Renda e pela valorização do serviço e dos servidores públicos, na qual a CUT teve participação destacada é uma boa demonstração disso. Mas nossa central foi além, fortalecendo sua organização nos mais variados segmentos. Seja na Secretaria de Mulheres ou nos coletivos de mulheres e do movimento negro, temos diversas conquistas que podem ser realçadas, incorporando novas e melhores contribuições para a luta da classe trabalhadora. Foram encontros, marchas e mobilizações seja em nível nacional ou local, onde surgiram novas lideranças.
No âmbito internacional, a CUT também demarcou posição…
Claro, particularmente se confrontando à postura do Ministério da Fazenda no caso da redução das alíquotas na Organização Mundial do Comércio. Com nossa posição firme, calcada no aprofundado estudo das perversas conseqüências que teria a abertura indiscriminada para a economia nacional, para o emprego e o salário, conseguimos ganhar vários setores empresariais e do próprio governo, evitando o desastre anunciado. Mais recentemente, em união com a KCTU e a Cosatu conseguirmos reafirmar essa posição na reunião da OMC em Hong Kong.
Há pontos negativos da conjuntura…
O grande ponto negativo foi o baixo crescimento econômico ocorrido neste ano, o que só demonstra os acertos das observações feitas pela CUT, particularmente quanto à questão dos juros altos, do elevado superávit primário e da sobrevalorização do câmbio, que estimula as importações e inibe as exportações. Se tivesse havido aceitação das nossas ponderações, terminaríamos o ano em condições muito melhores. Também temos um problema bastante grave que é o das demissões no setor coureiro-calçadista que, felizmente, começamos a reverter a partir de uma reunião de representantes de entidades cutistas e empresariais com o próprio presidente Lula e vários dos seus ministros para enfrentar a questão do importacionismo de calçados vindos da China, além, obviamente, de maiores incentivos e taxas de juros menores ao setor, sem falar na ampliação de dois meses do seguro-desemprego, que passa de cinco para sete meses e retroativo a fevereiro de 2005..
E do ponto de vista sindical?
Uma das importantes novidades é a conquista do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda. A ampliação do número de sindicatos cutistas, mais de cem novas entidades sindicais em um único ano, alcançando a 3.362 sindicatos, é algo expressivo. Respondemos à altura contra as diversas tentativas de fracionamento e divisão sindical de setores que tentaram semear a desfiliação da central, e que redundaram em retumbante fracasso. Nos poucos locais onde conseguiram desfiliar algum sindicato da Central, o fizeram em assembléias inteiramente esvaziadas. Atentam contra a necessária unidade da classe trabalhadora precisamente no momento em que ela é mais necessária para fazer frente às pressões da direita e impulsionar o país no caminho das mudanças, da soberania e da justiça social. Unidos, teremos obviamente melhores condições de vitória, construindo alternativas que possibilitem ao país romper as amarras da submissão ao capital especulativo e colocar os interesses do nosso povo no centro. É a velha história do feixe, cada vez mais atual.
E as perspectivas para 2006?
Iniciaremos o ano com uma reunião das centrais com o governo já no dia 11. Defendemos o reajuste do salário mínimo para R$ 400,00, a atualização da tabela do Imposto de Renda e o reajuste do funcionalismo. Ampliaremos a pressão sobre o governo e o Congresso, pois defendemos que o aumento do mínimo tem forte impacto na distribuição de renda, sendo um elemento decisivo para a justiça social. Evidentemente, é uma questão de opção de governo, mas reafirmamos: os recursos existem, precisam ser alocados a serviço da produção, do desenvolvimento econômico, e não da especulação, do pagamento de juros aos especuladores externos. Queremos prioridade para a área social no Orçamento da União em 2006.
E temos ainda o 9º ConCUT…
Nosso 9º Congresso será um marco na história da entidade. A realizar-se no mês de junho, às vésperas da eleição presidencial, terá papel decisivo na aglutinação dos movimentos social e sindical no sentido de fortalecer a luta pela construção de um novo Brasil e impedir o retrocesso. Enraizada na base, reafirmando seu caráter autônomo, a CUT se afirmará cada vez mais como instrumento de organização e mobilização da classe trabalhadora, o que lhe confere um peso central no desdobramento desta luta.
Fonte: CUT.
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