Dieese: ‘Valorização do salário mínimo cria efeito dinâmico na sociedade’
São Paulo – O coordenador de atendimento técnico sindical do Dieese, Airton Santos, comentou nesta segunda-feira (5) em entrevista à Rádio Brasil Atual que a política de valorização do salário mínimo não é importante apenas para os trabalhadores e aposentados que o recebem, mas para os demais salários também.
Segundo o coordenador, o reajuste de 8,8%, em vigor desde 1º de janeiro, que elevou o valor do salário mínimo para R$ 788, representa uma “razoável” massa de recursos injetada na economia e cria um efeito “dinâmico” na sociedade. “Um efeito multiplicador, porque esses recursos vão para as pessoas de renda baixa e voltam diretamente para a economia, como consumo”.
Airton afirma que, juntamente com as políticas de transferência de renda e o esforços do movimento sindical em conquistar aumentos reais, o salário mínimo tem sustentado o mercado interno. “Sua importância é ainda maior, pois faz com que o piso salarial de diversos setores da produção sejam puxados para cima, garantindo um aumento geral dos salários.”
Sobre o aventado risco de revisão das regras de reajuste do mínimo, o coordenador do Dieese diz que qualquer mudança teria de ser discutida no Congresso. “Mas acho que o Congresso não é suficiente para discutir isso. O movimento sindical precisa estar atento e, se necessário, pôr o bloco na rua, porque a gente sabe que tem resistência.”
“Essa conquista não pode ser discutida administrativamente. É uma discussão muito longa, porque foi uma luta árdua do movimento sindical e do trabalhador. O movimento sindical tem que bater o pé e não abrir mão. Não é uma coisa simples e beneficia muita gente”, conclui Airton Santos.
Renda do trabalho cresce 2,8% acima da inflação em 2014
São Paulo – De acordo com pesquisa realizada mensalmente pelo IBGE, a renda média do trabalho cresceu 2,8% acima da inflação, em 12 meses, até novembro, que ultrapassa o aumento do ano anterior para igual período, que foi de 1,8%.
Em entrevista à Rádio Brasil Atual, o coordenador de atendimento sindical do Dieese, Airton Santos, diz que o mercado de trabalho aquecido e, por consequência, a disputa por profissionais mais qualificados colaboraram para a elevação. Outros fatores importantes são a política de valorização do salário mínimo, que força a elevação das remunerações como um todo, e a atuação do movimento sindical.
“Na medida em que o mercado de trabalho está aquecido e cresce a demanda por mão de obra qualifica, os sindicatos têm maior êxito nas negociações. Evidentemente, os trabalhadores mais disputados são aqueles com maior nível de qualificação”, afirma Airton Santos.
O coordenador do Dieese aponta para a formação de um círculo virtuoso: “Do ponto de vista da economia e do consumo do mercado interno, é algo muito positivo. Aumentos reais de salários revertem em maior consumo, portanto, o comércio se beneficia com isso. Se o comércio se beneficia, passa a haver mais produção, e essa produção requer mais mão de obra”.
Alguns críticos ressaltam que o aumento da renda pode gerar consumo excessivo, com impactos no aumento geral dos preços, mas Airton afirma que não se pode responsabilizar os salários pelo crescimento da crescimento da inflação. “É o mercado de trabalho aquecido que favorece”.
Sobre o cenário para 2015, o coordenador alega que o baixo crescimento do PIB, que gera expectativas negativas de investimento, além das medidas de ajustes anunciadas pelo governo podem refletir na renda do trabalhador, mas que ainda é cedo para previsões alarmistas.
Ouça a entrevista completa da Rádio Brasil Atual: