Existem poucos profissionais com a rotina de um professor. Poucos têm um contato tão direto e permanente com a comunidade quanto os professores.
A atividade de um professor vai muito além da sala de aula. Ele a leva consigo nos trabalhos dos alunos, nas provas, faz a preparação das aulas e, sobretudo, a preocupação com seus alunos é algo que não deixa de habitar seus pensamentos quando ele sai da escola e vai para a sua casa.
O professor não “desliga” nunca. A qualquer momento, vendo um filme, durante um passeio, assistindo à TV, poderá vir à sua mente a imagem de um aluno ou de uma aluna que requer mais atenção ou que se destaca. Em outro momento vai perceber, de repente, uma forma de ajudar outro aluno que precisa de uma orientação específica. O professor se dedica, se desgasta, vive diuturnamente a sua opção profissional, que é, na verdade, uma opção de vida.
Muitos professores ministram aulas em duas ou até três escolas. Muitos estão vinculados a mais de uma rede de ensino. Não é o ideal, nem recomendável, mas não há escolha. A professora e o professor têm necessidades, família, filhos. Eles têm direito a uma vida digna, de progredir com o seu trabalho.
Nossa categoria, em São Paulo é composta em mais de 70% por mulheres. Além da jornada dupla ou mesmo tripla de trabalho como professora, grande parte delas ainda cumpre sua jornada como mãe de família, cuidando da educação de seus filhos, além de enfrentar, muitas vezes, problemas familiares. Quantos filhos e filhas de professoras recebem os cuidados rotineiros de suas avós ou outros parentes enquanto a mãe cumpre sua função social com grande sacrifício em jornadas de trabalho cansativas?
Por que continuamos? Porque há em nós um compromisso que não se rompe. Um compromisso com todas aquelas crianças e jovens cujos rostos nos vêm à mente em momentos inusitados. Qual de nós, professores, já não imaginou um de nossos alunos ou alunas no futuro, como um profissional renomado, alguém que poderá fazer a diferença? Qual de nós já não viu no olhar de um jovem ou de uma criança, na sala de aula, a centelha de um futuro promissor? Quantos de nós já não nos emocionamos ao descobrir que alguns de nossos alunos realizaram um sonho que um dia compartilharam conosco em sala de aula ou numa conversa a sós? Este elo não se quebra facilmente, porque nós gostamos de ser essas pessoas que ajudam a juventude a descobrir os caminhos do futuro.
Mas o governo, responsável pelo nosso destino profissional e pela escola pública não enxerga nada além da necessidade de implementar o seu projeto para o estado de São Paulo. As autoridades não conseguem nos ver. Os dirigentes do Estado não se perguntam quem é este professor; quem é esta professora. Eles não estão verdadeiramente interessados em nos conhecer.
Quando paramos para pensar, tomamos consciência do quanto o trabalho de um funcionário público interfere na vida da população e como somos essenciais. Cabe ao profissional da saúde o tratamento cuidadoso para com aqueles que estão acometidos de alguma enfermidade ou acidentados. Aos profissionais da área da segurança cabe zelar pela integridade física de todos os cidadãos e pela tranqüilidade social. A nós, professores, cabe uma das tarefas mais honrosas que pode existir, que é formar cidadãos. Somos aqueles de quem a população espera atenção, cuidado, segurança, dedicação. E, no entanto, não recebemos do estado as condições para cumprir plenamente este nosso papel social, único e indispensável. Em uma palavra: não somos valorizados.
Quando escrevemos o texto do parecer que dá embasamento às diretrizes da carreira do magistério público (Resolução CNE/CEB 2/2009), percebemos o quanto a educação brasileira é fragmentada, ou seja, dividida em partes que não se combinam harmonicamente. Tudo aparece separado. A escola como estrutura e instituição muitas vezes adquire mais importância do que os professores, alunos e demais membros da comunidade escolar. Por isto dissemos naquele texto: em que pese todos os avanços que se possa ter em termos de estrutura e infra-estrutura na escola pública, se o ser humano que nela trabalha e estuda não tiver suas necessidades atendidas, ela não alcançará o êxito esperado pela sociedade. É preciso recuperar a escola como processo de humanização. O ofício do professor não é parte de uma engrenagem, mas é único, humano, e, como tal, precisa ser apoiado e reconhecido.
Qual é, portanto, o grande desafio? Na minha opinião, é resgatar o verdadeiro sentido do termo comunidade escolar. Ou percebemos que fazemos parte de um mesmo organismo social, que é a escola, que temos necessidades comuns, que dependemos uns dos outros, que estamos todos do mesmo lado, a educação pública, ou morreremos abraçados.
Mas a sociedade depende de seu próprio esforço. O governo não está interessado em atender à maioria da população. Pai, mãe, ele não se importa com as necessidades de seus filhos. Professor, professora, ele quer continuar apenas privilegiando uma parcela da sociedade que já é elitizada e tem todas as suas necessidades atendidas.
Isto fica claro quando o governo ignora uma greve de educadores, que mobilizou a categoria durante mais de trinta dias e dominou o noticiário, ocupou as ruas, causou comoção e gerou amplo debate. Como pode o secretário da Educação, diante de tudo isto, ter mantido sua rotina e ter se recusado a conversar com os professores durante a greve? Parece que existimos para eles apenas como peças de uma engrenagem, mas não como pessoas que merecem consideração e respeito.
A greve não é um acontecimento corriqueiro. Assim como uma febre em um organismo biológico, ela é sintoma de alguma doença no organismo social. E a doença é clara: abandono, descaso, desvalorização, desmotivação, um profundo cansaço frente à frieza com que somos tratados por aqueles que deveriam ser os primeiros a incentivar, valorizar, acolher, dialogar e buscar junto conosco – e não contra nós – as melhores saídas para os problemas da escola pública.
Professores, alunos, funcionários, pais: todos nós fazemos parte de uma mesma comunidade. Temos que fazer da unidade que somos também uma unidade de propósitos e uma unidade de ação. É preciso que todos percebam que não pode fazer bem à escola estadual uma lei que, através de uma prova, deixa sem nenhum reajuste salarial pelo menos 80% dos professores. Não pode dar bons resultados deixar toda uma categoria durante quatro anos sem nenhum reajuste de salários. O jornal Folha de S. Paulo apontou: apesar de ser o estado mais rico, SP paga a seus professores o 14º salário do Brasil.
Não é razoável, como faz o governo estadual, deixar professores sem tempo para preparar adequadamente suas aulas e desenvolver outras atividades necessárias à boa qualidade do ensino. Não é aceitável que o governo incorpore a GAM (Gratificação por Atividade do Magistério) em três parcelas anuais, quando poderia fazê-lo de uma única vez, e isto não quebraria o Estado. Além de tudo, é revoltante que o governo culpe os professores pelas deficiências que existem na rede estadual de ensino.
O governo não cumpre suas obrigações, mas o pior é que veicula inverdades na televisão e no rádio. Quem conhece um professor que ganhe R$ 7 mil por mês? Quem sabe de alguma professora que tenha recebido R$ 15 mil de bônus? Onde estão as classes com dois professores? Alguém conhece realmente salas de informática que funcionam em finais de semana com monitores nas escolas estaduais? Quem tiver condições de demonstrar estes fatos poderá fazê-lo aqui mesmo neste blog, pois o governo afirma estas coisas, mas não demonstra. O sindicato, portanto, não está mentindo quando diz que isto não existe.
Diante de tudo isto, reconforta-me sempre assistir ao filme Gandhi, no qual há uma passagem em que este grande líder da humanidade diz: “Quando me desespero, me lembro de que, na história, os caminhos da verdade e do amor sempre vencem. Sempre houve tiranos, assassinos; estes nunca conseguiram ser invencíveis. No final, sempre caíram.”
Vale a pena seguir em frente. Juntos, somos mais fortes, mais capazes e venceremos.
Por Maria Izabel Azevedo Noronha, que é presidenta da APEOESP e membro do Conselho Nacional de Educação.
ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cut.org.br.
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APP apresenta pauta de reivindicação aos novos diretores da Seed
Sindicato defendeu a implementação de um reajuste para além da data-base, prevista para maio
Na tarde dessa quarta-feira (28), a presidente da APP-Sindicato, professora Marlei Fernandes de Carvalho, e a secretária Geral Mariah Seni da Silva, reuniram-se com o novo diretor Geral da Seed, Altevir de Andrade, com a nova chefe do GRHS, Siloé de Lourdes Costa, com a superintendente de Educação Alayde Digiovani e a assessora de gabinete Solange Cunha.
Na reunião, a APP apresentou parte da pauta de reivindicação aos novos diretores, pois são eles que, após as negociações políticas, realizam todos os encaminhamentos necessários para a efetivação de cada processo.
No início da reunião, o diretor Geral assinou e despachou o parecer da Procuradoria Geral do Estado sobre o Cargo de 40 horas para a implementação na SEAP. Tanto a professora Siloé como o diretor Altevir afirmaram realizar todo o empenho para a operacionalização e implementação no mês de maio. A presidente da APP relatou a insatisfação da categoria e da entidade com a demora na efetivação da dobra.
Na sequência foi debatida a necessidade de novas etapas para a realização do cargo de 40 horas para a Educação Profissional, Ensino Especial, Pedagogas e todas as disciplinas. A APP reafirmou a necessidade da realização da transposição de disciplinas.
A APP debateu a situação financeira do Estado realizando mais uma vez a defesa da possibilidade da implementação de todas as políticas além da possibilidade de um reajuste para além da data-base prevista para maio. Segundo o Dieese, com o aumento da receita será possível avançar em um novo reajuste. Haverá uma reunião específica com a representação do Dieese com Diretor Geral para tratar de todos os itens financeiros da pauta. Também haverá uma reunião com o novo Secretário do Planejamento.
Funcionários de Escola – Item intensamente debatido foi o ponto da pauta sobre todas as necessidades de suprimento, nomeação dos concursados, ampliação de vagas e substituição. A professora Siloé apresentou um diagnóstico sobre as vagas dos Agentes I, confira:
Dos 2387 convocados nessa etapa:
787 são PReducação
176 são PSS
729 são CLAD (CLT antigo)
002 são conveniados
693 são novos
Deste total, 500 foram considerados inaptos e cerca de outros 500 não compareceram. Com isso será necessário contratações temporárias de forma urgente para suprimento de demanda. O GRHS já está realizando o levantamento.
A Chefe do GRHS apresentou a autorização de ampliação de mais 3.500 novas vagas do Agente I.
A APP também cobrou um acompanhamento especial da SEED nas outras Secretarias de Governo tanto para a nomeação dos Agente I como a dos Professores.
Promoções – a APP apresentou a necessidade de se implementar a promoção o mais rápido possível e não aguardar um ano de cada protocolo. Essa prática precisa ser corrigida.
Progressão dos Funcionários – o processo da progressão encontra-se na Seap. A Chefe do GRHS acompanhará imediatamente o processo de implementação.
Outros itens da pauta debatidos: ampliação de Pedagogas/os, novo porte de escolas, gratificação de mestrado e doutorado, pagamento de auxílio transporte e período noturno a todos os funcionários/as, direito de pagamento pela maior habilitação aos contratos PSS, concurso de remoção aos funcionários/as, ampliação da Lei 106 (inclusão da contagem de tempo de serviço do PSS para a promoção e progressão), reconhecimento do tempo de serviço da PReducação para fins de qüinqüênio, PDE (implementação de pagamento), contracheque para os PSS, entre outros.
Mesmo com duas horas e meia de reunião ainda não foi possível tratar de todos os itens da pauta. Na próxima semana novas reuniões acontecerão. A presidente da APP ressaltou: “Foi necessário tratar dos pontos centrais e mais urgentes. Muitas vezes as grandes dificuldades são os encaminhamentos assumidos politicamente, mas não encaminhados na sua aplicação. Portanto, foi muito importante tratar dos temas centrais, de forma detalhada, para que se possa resolver de forma mais rápida no governo. Muitas vezes a burocracia emperra todos os procedimentos, outras vezes a falta de encaminhamento. Por isso a APP ressaltou a importância da ação conjunta do GRHS e da Diretoria Geral”.
A secretária Geral da APP, Mariah Seni, destacou: “só o fato de já se ter um diagnóstico sobre a situação do Agente Educacional I foi demasiadamente importante. A necessidade de mais funcionários para o atendimento do trabalho nas escolas já está absorvida pelos novos diretores”.
O Diretor Geral Altevir de Andrade e a Chefe do GRHS Siloé de Lourdes comprometeram-se em resolver as situações de forma mais urgente. Afirmaram que assumiram essa nova tarefa com esse intuito.
Confira mais uma vez toda a pauta de reivindicação, para tanto, acesse o endereço eletrônico http://www.app.com.br/portalapp/imprensa/pauta_2010.pdf
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.appsindicato.org.br.