As metas abusivas praticadas pelo ABN Real, que cobra dos funcionários o cumprimento de objetivos estabelecidos além da capacidade física de cada trabalhador, levou o banco a contabilizar um lucro de R$ 1,2 bilhão apenas nos seis primeiros meses do ano. O crescimento foi de 84% em relação ao mesmo período de 2006.
“É cada vez maior o número de pessoas que procura o Sindicato com problemas de saúde, como sofrimento mental, depressão e a própria LER/DORT, em função desta gestão perversa que os bancos praticam”, adverte a diretora do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), Natalina Gué.
“Estamos atentos para esta situação e tomamos atitudes contundentes através da campanha De olho na Saúde Mental dos Bancários. Os trabalhadores devem ficar atentos para esta prática do banco e procurar o Sindicato para intervir neste processo abusivo”, reforça. O SindBancários entende que não se pode permitir que o lucro sobreponha a saúde.
Os números do primeiro semestre de 2007
Segundo a Folha Online, excluindo fatos extraordinários, como o investimento em terceirização de serviços realizado em 2006 e os ganhos do ABN Real com a venda parcial de sua participação na Serasa, o lucro no semestre foi de R$ 1,211 bilhão e a expansão recua para 46%.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado foi de 25,4%, ante índice de 16,3% no primeiro semestre de 2006.
O resultado da intermediação financeira foi de R$ 5,785 bilhões entre janeiro e junho, com alta de 26% sobre o primeiro semestre de 2006. No mesmo período, os gastos com inadimplência cresceram 16%, para R$ 1,144 bilhão.
O total de receitas somou R$ 7,650 bilhões no semestre, crescimento de 25% em relação ao primeiro semestre de 2006. Segundo a empresa, o desempenho foi impulsionado pela expansão da carteira de crédito (+25%), participação crescente de segmentos mais rentáveis e a conquista de 1,2 milhões de novos clientes.
A carteira de crédito também ajudou a puxar os resultados do banco, com crescimento de 25% no último um ano, encerrando junho deste ano em R$ 54,30 bilhões. No mesmo período, os empréstimos para pessoas física subiram 27,1%, para R$ 26,649 bilhões, e o crédito para pessoa jurídica avançou 22,3%, a R$ 26,790 bilhões.
A carteira de crédito imobiliário teve crescimento de 36,7%, atingindo a marca de R$ 2,357 bilhões ao final do primeiro semestre de 2007, respondendo por 4,3% do total da carteira de crédito do Banco.
O total de depósitos do banco aumentou 13% no período de 12 meses, para R$ 54,153 bilhões. Do total, R$ 6,727 bilhões são depósitos à vista, R$ 8,854 bilhões são aplicações em caderneta de poupança e R$ 39,156 bilhões são depósitos a prazo. As operações do banco holandês, incorporadas no Brasil ao Banco Real, estão envolvidas na disputa de compra do ABN Amro entre o rival britânico Barclays e um consórcio formado pelos europeus Santander, Royal Bank of
Scotland (RBS) e Fortis.
Incorporação do Sudameris
A partir do próximo dia 3 de setembro, todas as agências do banco Sudameris passarão a funcionar sob a bandeira do ABN Amro Real. O início da operação conjunta, que também inclui toda a parte de sistemas, chega após
quatro anos da aquisição do Sudameris pelo Real, ocorrida em 2003.
Segundo o presidente do ABN Real e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fábio Barbosa, o processo de compreensão da dinâmica do Sudameris é a principal justificativa para a demora na integração operacional dos dois bancos.
A incorporação do Sudameris vai agregar 262 novas agências ao Real, passará a contar com 1.106. Já a base de clientes irá saltar dos atuais 11,33 milhões para pouco mais de 12,69 milhões.
Durante entrevista coletiva, Barbosa fez questão de salientar que não há intenção de demitir funcionários e nem de fechar agências, mesmo aquelas que sejam vizinhas. O cliente que costumava freqüentar determinada agência vai continuar freqüentando. Não vamos obrigá-lo sequer a atravessar a rua, explicou o executivo.
Mesmo assim, o Real espera capturar sinergias com a integração. A idéia é oferecer serviços diferenciados para os clientes recém-chegados do Sudameris, como conta universitária e private bank, entre outros. O executivo do Real, entretanto, preferiu não revelar o valor estimado para essas sinergias. Barbosa disse ainda que a troca das fachadas das agências do Sudameris deverá custar cerca de R$ 70 milhões.
O custo das mudanças nas configurações internas das agências, segundo ele, ainda está sendo calculado. O ABN Real pretende abrir 50 novas agências em 2007, sendo que 17 delas já estão em operação.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO: www.bancariospoa.org.br