É com indignação que Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Paraná (MST-PR) denuncia um incêndio criminoso ocorrido na noite desta terça-feira (28), no acampamento Benedito Gomes, em Perobal, região centro-oeste do Paraná. A ação destruiu um barracão comunitário onde estavam guardados cerca de 8 mil quilos de alimentos e ferramentas de trabalho, utilizados de forma coletiva pelas famílias, e também o barracão utilizado para reuniões e atividades da comunidade.
Um dos dirigentes e uma integrante da secretaria do acampamento também receberam mensagens com ameaças, para que saiam do território. As lideranças realizaram boletins de ocorrência na Polícia Civil de Perobal sobre os incêndios e ameaças, e os casos devem ser investigados.
O acampamento existe desde janeiro de 2026, formado por cerca de 400 famílias em uma área do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-PR). A ocupação denuncia e pressiona o Incra a destinar o imóvel para Reforma Agrária, uma vez que está sendo utilizada ilegalmente por fazendeiros há cerca de 20 anos.
O caso é alvo de uma Ação Civil Pública (5001061-24.2022.4.04.7004/PR) ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2022, após a identificação de diversas irregularidades na tentativa de passar a terra pública para o nome de um suposto proprietário. A área é intitulada fazenda Tiburi, e tem 215 hectares, e segue sendo utilizada ilegalmente por fazendeiros.
Ao longo de duas décadas, a fazenda Tiburi foi palco de inúmeros episódios de violência de fazendeiros contra famílias camponesas Sem Terra que reivindicam a destinação da área para Reforma Agrária. Em março deste ano, um ataque químico com intoxicação por agrotóxicos, após uma pulverização realizada por um fazendeiro. O caso envolve a possível contaminação de famílias que vivem na área e levanta preocupações quanto aos riscos à saúde e ao meio ambiente. A denúncia foi encaminhada a diversos órgãos e segue em investigação.
Esta violência é resultado da demora na efetivação da reforma agrária, em um território que já pertence ao INCRA. Exigimos a investigação do incêndio e do crime de ameaça. Reafirmamos também a urgência da efetivação da reforma agrária neste território.
Perobal, 29 de julho de 2026
Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Paraná (MST-PR)
Fonte: MST/PR