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Alckmin e FHC não têm moral para falar em ética

Adital – Três artigos: Artigo 1: Alckmin e FHC não têm moral para falar em ética. Artigo 2: Golpismo da TV Globo é desmascarado. Artigo 3: Capitalistas racistas da AFRICA DO SUL controlam a revista Veja
Artigo 1: Alckmin e FHC não têm moral para falar em ética
Derrotado no debate programático, o PSDB decidiu apostar tudo novamente na baixaria. No debate na TV Record, Geraldo Alckmin voltou a esbravejar contra “a praga da corrupção”. No mesmo dia, num evento para a elite paulista no Clube Pinheiros, o ex-presidente FHC acusou Lula de “fanfarrão” e afirmou que a diferença nesta eleição “não é programática, mas moral”. Mas quem são eles para posarem de éticos?
No caso do ex-governador, ele não tem moral nenhuma para falar em ética. Afinal, ele impediu inúmeras investigações de denúncias de corrupção no seu governo. Ao todo, sabotou a instalação de 69 Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) solicitadas por deputados de vários partidos na Assembléia Legislativa de São Paulo. Entre elas, 37 foram requeridas para apurar casos graves de fraudes e corrupção praticados diretamente pela administração estadual. As principais questionaram as irregularidades no brutal processo de privatização das estatais paulistas, com o uso de caixa-2 e de propinas depositadas em paraísos fiscais, decorrentes dos acertos com multinacionais que abocanharam as empresas por preços subavaliados.
Além dos pedidos de investigação das privatizações de rodovias, empresas de energia e do Banespa, outra CPI pretendia apurar denúncias contra a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), cujo presidente, Goro Hama, ex-tesoureiro do PSDB, já foi condenado em mais de 300 processos no TCE (Tribunal de Contas do Estado) por superfaturamento, dispensa ilegal de licitações e fraudes. Outra seria para investigar contratos de publicidade entre a Nossa Caixa e as agências Colucci&Associados e Full Jazz Comunicação. O mesmo TCE já avaliou que nestes contratos houve “afronta à legalidade e à moralidade”, que permitiram que estas agências movimentassem R$ 45,4 milhões sem contrato em dois anos.
Compra de votos de deputados
Ainda segundo o TCE, houve “desvio de finalidade” por parte deste banco ao veicular anúncio em órgãos ligados aos deputados estaduais em troca de apoio na Assembléia Legislativa, uma espécie de compra de votos. Ao analisar 278 pagamentos às duas agências, uma auditoria interna apontou irregularidade em 255 operações. Já outra CPI deve investigar as inserções publicitárias da mesma Nossa Caixa e das empresas Sabesp, Prodesp, CDHU e Dersa, entre outras, para favorecer jornais, revistas, programas de rádio e TV em troca de apoio nas eleições de 2004. Um dos agraciados foi Jou Jia, acupunturista de Alckmin, que obteve anúncios em sua revista da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, recém-privatizada.
Outra CPI que poderia dar dor de cabeça ao candidato tucano é a do Rodoanel, que visa apurar denúncias de superfaturamento de até 70% nas obras dos trechos norte e oeste do Rodoanel. O Ministério Público já reabriu as investigações sobre o desvio de verbas na obra, que consumiu mais de R$ 1 bilhão desde 1998 e sobre aditamentos constantes. Há ainda a CPI da Febem, solicitada para averiguar, além do desvio de verbas, “a responsabilidade do governo em ter transformado esta instituição num campo de concentração e numa escola avançada de criminalidade”, segundo Alessandro Rodrigues, do jornal Hora do Povo.
Além de não ter moral para falar em ética, Alckmin também deveria evitar o seu descontrole emocional. Volta e meia, ele faz insinuações grosseiras sobre a vida pessoal do presidente. Mas neste quesito o ex-governador também tem o rabo preso. Afinal, a sua filha, Sophia Alckmin, foi gerente até pouco tempo atrás da Daslu, antro do consumismo da elite paulista, acusada de contrabando e de evasão de divisas. Neste cargo, chegou a participar de audiências com Eduardo Guardia, secretário da Fazenda de seu pai, para negociar privilégios à criminosa empresa. Há ainda o caso mal explicado, típico de improbidade administrativa, da doação de 400 peças de alta costura para a sua esposa, dona Lu Alckmin.
Escândalos de corrupção de FHC
Quanto ao rejeitado FHC, que a cúpula tucana procura afastar da campanha, mas o seu egocentrismo não permite, ele é o que menos tem condições de falar sobre ética. Como disse recentemente o bispo emérito de Volta Redonda (RJ), dom Waldir Calheiros, “ele não tem moral para criticar o governo Lula, por mais erros que este tenha. Basta investigar as privatizações no governo dele e será encontrada muita sujeira”. No mesmo rumo, o ex-ministro da Controladoria-Geral da União, Waldir Pires, lembra que “os recursos mencionados nos escândalos no período em que ele estava no governo eram centenas de vezes maiores do que os que estão sendo investigados agora. Só no caso Banestado, fala-se em R$ 30 bilhões”.
Mesmo assim, vale a pena citar alguns casos escabrosos de corrupção no governo FHC só para refrescar a memória. Da mesma forma como ele insiste em falar besteiras, num gesto típico, este sim, do “fanfarrão”, não custa relembrar. Citaremos apenas os escândalos mais notórios, que FHC sempre sabotou a apuração:
Conivência escancarada. Já no início do seu primeiro mandato, em 19 de janeiro de 1995, FHC fincou o marco que mostraria sua conivência com a corrupção. Ele extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída por Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que visava combater o desvio de recursos públicos. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, ele criou a Controladoria-Geral da União, mas este órgão se notabilizou exatamente por abafar denúncias.
Caso Sivam. Também no início do seu primeiro mandato, surgiram denúncias de tráfico de influência e corrupção no contrato de execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam). O escândalo derrubou o brigadeiro Mauro Gandra e serviu para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Ele foi nomeado embaixador junto à FAO, em Roma, “um exílio dourado”. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia da estadunidense Raytheon, foi extinta por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.
Pasta Rosa. Em fevereiro de 1996, a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente os processos da pasta rosa. Era uma alusão à pasta com documentos citando doações ilegais de banqueiros para campanhas eleitorais de políticos da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o procurador-geral, Geraldo Brindeiro, ficou conhecido pela alcunha de “engavetador-geral da República”.
Compra de votos. A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denúncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Eles foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o e impedido a constituição de uma CPI.
Vale do Rio Doce. Apesar da mobilização da sociedade em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas estimavam seu preço em ao menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses nacionais. Ela detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, com navios, portos e ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa equivale hoje ao lucro trimestral da CVRD.
Privatização da Telebrás. O jogo de cartas marcadas da privatização do sistema de telecomunicações envolveu diretamente o nome de FHC. Vários “grampos” comprovaram o envolvimento de lobistas com líderes tucanos. Informações privilegiadas foram repassadas aos “queridinhos” de FHC. O mais grave foi o preço que as empresas privadas pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à “venda”, o governo investiu na infra-estrutura do setor mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio. Uma verdadeira rapinagem contra o Brasil e que o governo FHC impediu que fosse investigada.
Ex-caixa de FHC. A privatização da Telebrás foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio, ex-caixa das campanhas de FHC e de José Serra e ex-diretor do Banco do Brasil, foi acusado de cobrar R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Grampos do BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, ex-presidente do banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity, que tinha como um dos donos o tucano Pérsio Arida. FHC autorizou o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão. Além disso, o BNDES destinou cerca de R$ 10 bilhões para socorrer empresas que assumiram o controle das estatais. Numa dessas operações, injetou R$ 686,8 milhões na Telemar, assumindo 25% do seu controle acionário.
Juiz Lalau. A escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo levou para o ralo R$ 169 milhões. O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só apareceram em 2000. A CPI do Judiciário contribuiu para levar para a cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT, e para cassar o mandato do senador Luiz Estevão, dois dos principais envolvidos no caso. Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo surgiram no emaranhado das denúncias. O pior é que FHC, ao ser questionado por que havia liberado verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”.
Farra do Proer. O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para ele, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, ele atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.
Desvalorização do real. De forma eleitoreira, FHC segurou a paridade entre o real e o dólar apenas para assegurar a sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões de dólares das reservas do país. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou uma lista com o nome de 24 bancos que lucraram com a mudança e de outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas. Há indícios da existência de um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à turma de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1,6 bilhão de reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado.
Sudam e Sudene. De 1994 a 1999, houve uma orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Ao invés de desbaratar a corrupção e pôr os culpados na cadeia, FHC extinguiu o órgão. Já na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos do Fundo de Investimentos do Nordeste foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC extinguiu a Sudene, em vez de colocar os culpados na cadeia.
***
Artigo 2: Golpismo da TV Globo é desmascarado
O veterano jornalista Raimundo Rodrigues Pereira deveria receber um prêmio das entidades democráticas e populares pelas reportagens publicadas nas duas últimas edições da revista Carta Capital – pena que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sob o comando de Roberto Busato, abandonou temporariamente esta trincheira. Nos textos, escritos em conjunto com Antonio Carlos Queiroz, o incansável repórter, que leva a sério a profissão e a ética, desvenda “a trama que levou ao segundo turno” da eleição presidencial. Numa investigação séria e meticulosa, ele desmascara o papel da poderosa TV Globo, que com sua tática do “bate e assopra”, sempre em busca de benesses, vinha iludindo muita gente nos últimos tempos.
Na primeira reportagem, publicada na semana passada, Raimundo Pereira descreve a operação montada pelo delegado da Polícia Federal, Edmilson Bruno, e a equipe da Rede Globo para fabricar um factóide político na véspera do primeiro turno. Após vazar ilegalmente fotos do dinheiro apreendido na tentativa desastrada de compra do dossiê da máfia das sanguessugas, o policial ordenou que sua difusão fosse feita no Jornal Nacional daquela noite, 29 de setembro. Essa conversa tenebrosa chegou a ser gravada, mas a TV Globo preferiu ocultá-la e atender as instruções do delegado, assim como evitou noticiar a queda do avião da Gol, ocorrida na mesma tarde, para não ofuscar a criminosa operação contra o candidato Lula.
Ratzinger, o conservador da Globo
Já no segundo artigo, nesta semana, os dois jornalistas escrevem mais um capítulo do “dossiê da mídia”, no qual reafirmam, com novos dados, a reportagem anterior e ainda polemizam com o diretor-executivo da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel. Batizado nos dois textos de cardeal Ratzinger da emissora, “numa alusão ao papel ultraconservador do atual papa, Bento 16, durante o pontificado de João Paulo II”, Ali Kamel até publicou matéria paga em vários veículos, inclusive na Carta Capital, para se contrapor as denúncias de Raimundo Pereira. Mas não convenceu. “Ele foi escorregadio”, desdenhou Mino Carta, para quem o diretor da Rede Globo não respondeu minimamente as perguntas feitas pela revista.
“É invenção nossa que 70% das ambulâncias da Planan foram liberadas durante o governo FHC e que a Globo cuidou de não mencionar o fato? E é invenção nossa que até hoje o Jornal Nacional não destacou um repórter para investigar as relações de Barjas Negri [ex-ministro da Saúde de FHC] com Abel Pereira [lobista vinculado ao PSDB]? E é que pelo menos uma reportagem foi produzida sobre Abel Pereira, e editada, e até hoje não foi ao ar?”, ironiza Mino Carta. O Ratzinger da TV Globo, famoso por suas idéias conservadoras, por seus métodos truculentos e por ter escrito um livro negando a existência de racismo no Brasil, agora ficará conhecido por ter dado um golpe midiático que garantiu o segundo turno das eleições.
Cadê a ética jornalística?
Para Marcos Coimbra, diretor do instituto de pesquisas Vox Populi, foi esta sorrateira manipulação da mídia, na antevéspera do pleito, que desnorteou todas as sondagens eleitorais, que davam vitória para o presidente Lula, e que evitou a sua reeleição já no primeiro turno. “Os eleitores brasileiros foram votar no dia 1º sob um bombardeio que nunca tínhamos visto nem mesmo em 1989… Em nossa experiência eleitoral, não tínhamos visto nada parecido em matéria de interferência [da mídia]”, garante Coimbra.
Diante deste vergonhoso golpe midiático, que entrará para a triste história da imprensa nacional, poucos jornalistas levantaram as suas vozes. A maioria dos colunistas da televisão, rádio, jornais e revistas, que vive esbravejando em “defesa da ética”, nada falou. Entre as raras e meritórias exceções vale registrar a revolta de Luis Nassif, que escreveu em seu blog o texto intitulado “Réquiem do jornalismo”, ou a justa indignação de Paulo Henrique Amorim, que publicou em seu site Conversa Afiada um incisivo artigo condenando “o golpe do Estado que levou a eleição para o segundo turno”. Outras figuras conhecidas da imprensa brasileira preferiram o silêncio dos cúmplices! Confessaram a sua preferência tucana!
A podre história da Globo
Baixada a poeira, a tendência é que o presidente Lula seja reeleito no próximo domingo. As sondagens revelam até que Geraldo Alckmin poderá ter menos votos do que no primeiro turno, o que só confirma o poder corrosivo da mídia, com seus factóides, na votação anterior. Neste caso, como diz o ditado, “há males que vêem para o bem”. O lamentável episódio da manipulação da TV Globo poderá servir para despertar os iludidos sobre a imperiosa e urgente democratização dos meios de comunicação. A mídia hegemônica virou um partido da direita e precisa ser confrontada. Do contrário, ela colocará sempre em risco a democracia e a própria Constituição e maculará a já tão susceptível ética jornalística.
Além disso, o episódio serviu para refrescar a memória sobre a postura conservadora e golpista da Rede Globo. Como na parábola do escorpião, ela não consegue negar os seus instintos de classe por mais que se curvem às suas ambições. No livro “Mídia, crise política e poder no Brasil”, Venício de Lima dedica dois excelentes capítulos para falar das “intimidades com o poder da TV Globo”. Lembra do seu papel ativo na preparação do golpe militar de 1964, de seus sólidos e lucrativos vínculos com a ditadura, da fraude nas eleições de 1982 contra Leonel Brizola, da criminosa omissão na campanha das Diretas-Já em 1984, da ingerência na nomeação do ministro da Fazenda do governo José Sarney e de vários outros episódios lamentáveis de interferência desta poderosa empresa nos rumos políticos do Brasil.
***
Artigo 3: Capitalistas racistas da AFRICA DO SUL controlam a revista Veja
Na sua penúltima edição, a revista Veja estampou na capa a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão e a manchete espalhafatosa: “Ela pode decidir a eleição”. A chamada de capa ainda trazia a maldosa descrição: “Nordestina, 27 anos, educação média, R$ 450 por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro”. O intuito evidente da capa e da reportagem interna era o de estimular o preconceito de classe contra o presidente Lula, franco favorito nas pesquisas eleitorais entre a população mais carente. A edição não destoava de tantas outras, nas quais esta publicação da Editora Abril assume abertamente o papel de palanque da oposição de direita e destina veneno de nítido conteúdo fascistóide.
Agora, o escritor Renato Pompeu dá novos elementos que apimentam a discussão sobre a linha editorial racista desta revista. No artigo “A Abril e o apartheid”, publicado na revista Caros Amigos que está nas bancas, ele informa que “o grupo de mídia sul-africano Naspers adquiriu 30% do capital acionário da Editora Abril, que detém 54% do mercado brasileiro de revistas e 58% das rendas de anúncios em revistas no país. Para tanto, pagou 422 milhões de dólares. A notícia é de maio e foi publicada nos principais órgãos da mídia grande do Brasil. Mas não foi dada a devida atenção ao fato de a Naspers ter sido um dos esteios do regime do apartheid na África do Sul e ter prosperado com a segregação racial”.
Líderes da segregação racial
A Naspers tem sua origem em 1915, quando surgiu com o nome de Nasionale Pers, um grupo nacionalista africâner (a denominação dos sul-africanos de origem holandesa, também conhecidos como bôeres, que foram derrotados pela Grã-Bretanha na guerra que terminou em 1902). Este agrupamento lançou o jornal diário Die Burger, que até hoje é líder de mercado no país. Durante décadas, o grupo, que passou a editar revistas e livros, esteve estreitamente vinculado ao Partido Nacional, a organização partidária das elites africâneres que legalizou o detestável e criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial.
Como relata Renato Pompeu, “dos quadros da Naspers saíram os três primeiros-ministros do apartheid”. O primeiro diretor do Die Burger foi D.F. Malan, que comandou o governo da África do Sul de 1948 a 1954 e lançou as bases legais da segregação racial. Já os líderes do Partido Nacional H.F. Verwoerd e P.W. Botha participaram do Conselho de Administração da Naspers. Verwoerd, que quando estudante na Alemanha teve ligações com os nazistas, consolidou o regime do apartheid, a que deu feição definitiva em seu governo, iniciado em 1958. Durante a sua gestão ocorreram o massacre de Sharpeville, a proibição do Congresso Nacional Africano (que hoje governa o país) e a prolongada condenação de Nelson Mandela.
Já P. Botha sustentou o apartheid como primeiro-ministro, de 1978 a 1984, e depois como presidente, até 1989. “Ele argumentava, junto ao governo dos Estados Unidos, que o apartheid era necessário para conter o comunismo em Angola e Moçambique, países vizinhos. Reforçou militarmente a África do Sul e pediu a colaboração de Israel para desenvolver a bomba atômica. Ordenou a intervenção de forças especiais sul-africanas na Namíbia e em Angola”. Durante seu longo governo, a resistência negra na África do Sul, que cresceu, adquiriu maior radicalidade e conquistou a solidariedade internacional, foi cruelmente reprimida – como tão bem retrata o filme “Um grito de liberdade”, do diretor inglês Richard Attenborough (1987).
Os tentáculos do apartheid
Renato Pompeu não perdoa a papel nefasto da Naspers. “Com a ajuda dos governos do apartheid, dos quais suas publicação foram porta-vozes oficiosos, ela evoluiu para se tornar o maior conglomerado da mídia imprensa e eletrônica da África, onde atua em dezenas de países, tendo estendido também as suas atividades para nações como Hungria, Grécia, Índia, China e, agora, para o Brasil. Em setembro de 1997, um total de 127 jornalistas da Naspers pediu desculpas em público pela sua atuação durante o apartheid, em documento dirigido à Comissão da Verdade e da Reconciliação, encabeçada pelo arcebispo Desmond Tutu. Mas se tratava de empregados, embora alguns tivessem cargos de direção de jornais e revistas. A própria Naspers, entretanto, jamais pediu perdão por suas ligações com o apartheid”.
Segundo documentos divulgados pela própria Naspers, em 31 de dezembro de 2005, a Editora Abril tinha uma dívida liquida de aproximadamente US$ 500 milhões, com a família Civita detendo 86,2% das ações e o grupo estadunidense Capital International, 13,8%. A Naspers adquiriu em maio último todas as ações da empresa ianque, por US$ 177 milhões, mais US$ 86 milhões em ações da família Civita e outros US$ 159 milhões em papéis lançados pela Abril. “Com isso, a Naspers ficou com 30% do capital. O dinheiro injetado, segundo ela, serviria para pagar a maior parte das dividas da editora”. Isto comprova que o poder deste conglomerado, que cresceu com a segregação racial, é hoje enorme e assustador na mídia brasileira.
Os interesses alienígenas
Mas as relações alienígenas da revista Veja não são recentes nem se dão apenas com os racistas da África do Sul. Até recentemente, ela sofria forte influência na sua linha editorial das corporações dos EUA. A Capital International, terceiro maior grupo gestor de fundos de investimentos desta potência imperialista, tinha dois prepostos no Conselho de Administração do Grupo Abril – Willian Parker e Guilherme Lins. Em julho de 2004, esta agência de especulação financeira havia adquirido 13,8% das ações da Abril, numa operação viabilizada por uma emenda constitucional sancionada por FHC em 2002.
A Editora Abril também têm vínculos com a Cisneros Group, holding controlada por Gustavo Cisneros, um dos principais mentores do frustrado golpe midiático contra o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. O inimigo declarado do líder venezuelano é proprietário de um império que congrega 75 empresas no setor da mídia, espalhadas pela América do Sul, EUA, Canadá, Espanha e Portugal. Segundo Gustavo Barreto, pesquisador da UFRJ, as primeiras parcerias da Abril com Cisneros datam de 1995 em torno das transmissões via satélites. O grupo também é sócio da DirecTV, que já teve presença acionária da Abril. Desde 2000, os dois grupos se tornaram sócios na empresa resultante da fusão entre AOL e Time Warner.
Ainda segundo Gustavo Barreto, “a Editora Abril possui relações com instituições financeiras como o Banco Safra e a norte-americana JP Morgan – a mesma que calcula o chamado risco-país, índice que designa o risco que os investidores correm quando investem no Brasil. Em outras palavras, ela expressa a percepção do investidor estrangeiro sobre a capacidade deste país honrar os seus compromissos. Estas e outras instituições financeiras de peso são os debenturistas – detentores das debêntures (títulos da dívida) – da Editora Abril e de seu principal produto jornalístico. Em suma, responsáveis pela reestruturação da editora que publica a revista com linha editorial fortemente pró-mercado e anti-movimentos sociais”.
Um ninho de tucanos do PSDB e da direita brasileira
Além de ser controlada por grupos estrangeiros, a Veja mantém relações estreitas com o PSDB, que é o núcleo orgânico do capital rentista, e com o PFL, que representa a velha oligarquia conservadora. Emílio Carazzai, por exemplo, que hoje exerce a função de vice-presidente de Finanças do Grupo Abril, foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo FHC. Outra tucana influente na família Civita, dona do Grupo Abril, é Claudia Costin, ministra de FHC responsável pela demissão de servidores públicos, ex-secretária de Cultura no governo de Geraldo Alckmin e atual vice-presidente da Fundação Victor Civita.
Não é para menos que a Editora Abril sempre privilegiou os políticos tucanos. Afora os possíveis apoios “não contabilizados”, que só uma rigorosa auditoria da Justiça Eleitoral poderia provar, nas eleições de 2002, ela doou R$ 50,7 mil a dois candidatos do PSDB. O deputado federal Alberto Goldman, hoje um vestal da ética, recebeu R$ 34,9 mil da influente família; já o deputado Aloysio Nunes, ex-ministro de FHC, foi agraciado com R$ 15,8 mil. Ela também depositou R$ 303 mil na conta da DNA Propaganda, a famosa empresa de Marcos Valério que inaugurou um ilícito esquema de financiamento eleitoral para Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB. Estes e outros “segredinhos” da Editora Abril ajudam a entender a linha editorial racista da revista Veja e a sua postura de opositora radical do governo Lula.
Por Altamiro Borges, que é jornalista e editor da revista Debate Sindical.
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Alckmin e FHC não têm moral para falar em ética

Adital – Três artigos: Artigo 1: Alckmin e FHC não têm moral para falar em ética. Artigo 2: Golpismo da TV Globo é desmascarado. Artigo 3: Capitalistas racistas da AFRICA DO SUL controlam a revista Veja

Artigo 1: Alckmin e FHC não têm moral para falar em ética

Derrotado no debate programático, o PSDB decidiu apostar tudo novamente na baixaria. No debate na TV Record, Geraldo Alckmin voltou a esbravejar contra “a praga da corrupção”. No mesmo dia, num evento para a elite paulista no Clube Pinheiros, o ex-presidente FHC acusou Lula de “fanfarrão” e afirmou que a diferença nesta eleição “não é programática, mas moral”. Mas quem são eles para posarem de éticos?

No caso do ex-governador, ele não tem moral nenhuma para falar em ética. Afinal, ele impediu inúmeras investigações de denúncias de corrupção no seu governo. Ao todo, sabotou a instalação de 69 Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) solicitadas por deputados de vários partidos na Assembléia Legislativa de São Paulo. Entre elas, 37 foram requeridas para apurar casos graves de fraudes e corrupção praticados diretamente pela administração estadual. As principais questionaram as irregularidades no brutal processo de privatização das estatais paulistas, com o uso de caixa-2 e de propinas depositadas em paraísos fiscais, decorrentes dos acertos com multinacionais que abocanharam as empresas por preços subavaliados.

Além dos pedidos de investigação das privatizações de rodovias, empresas de energia e do Banespa, outra CPI pretendia apurar denúncias contra a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), cujo presidente, Goro Hama, ex-tesoureiro do PSDB, já foi condenado em mais de 300 processos no TCE (Tribunal de Contas do Estado) por superfaturamento, dispensa ilegal de licitações e fraudes. Outra seria para investigar contratos de publicidade entre a Nossa Caixa e as agências Colucci&Associados e Full Jazz Comunicação. O mesmo TCE já avaliou que nestes contratos houve “afronta à legalidade e à moralidade”, que permitiram que estas agências movimentassem R$ 45,4 milhões sem contrato em dois anos.

Compra de votos de deputados

Ainda segundo o TCE, houve “desvio de finalidade” por parte deste banco ao veicular anúncio em órgãos ligados aos deputados estaduais em troca de apoio na Assembléia Legislativa, uma espécie de compra de votos. Ao analisar 278 pagamentos às duas agências, uma auditoria interna apontou irregularidade em 255 operações. Já outra CPI deve investigar as inserções publicitárias da mesma Nossa Caixa e das empresas Sabesp, Prodesp, CDHU e Dersa, entre outras, para favorecer jornais, revistas, programas de rádio e TV em troca de apoio nas eleições de 2004. Um dos agraciados foi Jou Jia, acupunturista de Alckmin, que obteve anúncios em sua revista da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, recém-privatizada.

Outra CPI que poderia dar dor de cabeça ao candidato tucano é a do Rodoanel, que visa apurar denúncias de superfaturamento de até 70% nas obras dos trechos norte e oeste do Rodoanel. O Ministério Público já reabriu as investigações sobre o desvio de verbas na obra, que consumiu mais de R$ 1 bilhão desde 1998 e sobre aditamentos constantes. Há ainda a CPI da Febem, solicitada para averiguar, além do desvio de verbas, “a responsabilidade do governo em ter transformado esta instituição num campo de concentração e numa escola avançada de criminalidade”, segundo Alessandro Rodrigues, do jornal Hora do Povo.

Além de não ter moral para falar em ética, Alckmin também deveria evitar o seu descontrole emocional. Volta e meia, ele faz insinuações grosseiras sobre a vida pessoal do presidente. Mas neste quesito o ex-governador também tem o rabo preso. Afinal, a sua filha, Sophia Alckmin, foi gerente até pouco tempo atrás da Daslu, antro do consumismo da elite paulista, acusada de contrabando e de evasão de divisas. Neste cargo, chegou a participar de audiências com Eduardo Guardia, secretário da Fazenda de seu pai, para negociar privilégios à criminosa empresa. Há ainda o caso mal explicado, típico de improbidade administrativa, da doação de 400 peças de alta costura para a sua esposa, dona Lu Alckmin.

Escândalos de corrupção de FHC

Quanto ao rejeitado FHC, que a cúpula tucana procura afastar da campanha, mas o seu egocentrismo não permite, ele é o que menos tem condições de falar sobre ética. Como disse recentemente o bispo emérito de Volta Redonda (RJ), dom Waldir Calheiros, “ele não tem moral para criticar o governo Lula, por mais erros que este tenha. Basta investigar as privatizações no governo dele e será encontrada muita sujeira”. No mesmo rumo, o ex-ministro da Controladoria-Geral da União, Waldir Pires, lembra que “os recursos mencionados nos escândalos no período em que ele estava no governo eram centenas de vezes maiores do que os que estão sendo investigados agora. Só no caso Banestado, fala-se em R$ 30 bilhões”.

Mesmo assim, vale a pena citar alguns casos escabrosos de corrupção no governo FHC só para refrescar a memória. Da mesma forma como ele insiste em falar besteiras, num gesto típico, este sim, do “fanfarrão”, não custa relembrar. Citaremos apenas os escândalos mais notórios, que FHC sempre sabotou a apuração:

Conivência escancarada. Já no início do seu primeiro mandato, em 19 de janeiro de 1995, FHC fincou o marco que mostraria sua conivência com a corrupção. Ele extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída por Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que visava combater o desvio de recursos públicos. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, ele criou a Controladoria-Geral da União, mas este órgão se notabilizou exatamente por abafar denúncias.

Caso Sivam. Também no início do seu primeiro mandato, surgiram denúncias de tráfico de influência e corrupção no contrato de execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam). O escândalo derrubou o brigadeiro Mauro Gandra e serviu para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Ele foi nomeado embaixador junto à FAO, em Roma, “um exílio dourado”. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia da estadunidense Raytheon, foi extinta por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.

Pasta Rosa. Em fevereiro de 1996, a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente os processos da pasta rosa. Era uma alusão à pasta com documentos citando doações ilegais de banqueiros para campanhas eleitorais de políticos da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o procurador-geral, Geraldo Brindeiro, ficou conhecido pela alcunha de “engavetador-geral da República”.

Compra de votos. A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denúncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Eles foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o e impedido a constituição de uma CPI.

Vale do Rio Doce. Apesar da mobilização da sociedade em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas estimavam seu preço em ao menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses nacionais. Ela detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, com navios, portos e ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa equivale hoje ao lucro trimestral da CVRD.

Privatização da Telebrás. O jogo de cartas marcadas da privatização do sistema de telecomunicações envolveu diretamente o nome de FHC. Vários “grampos” comprovaram o envolvimento de lobistas com líderes tucanos. Informações privilegiadas foram repassadas aos “queridinhos” de FHC. O mais grave foi o preço que as empresas privadas pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à “venda”, o governo investiu na infra-estrutura do setor mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio. Uma verdadeira rapinagem contra o Brasil e que o governo FHC impediu que fosse investigada.

Ex-caixa de FHC. A privatização da Telebrás foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio, ex-caixa das campanhas de FHC e de José Serra e ex-diretor do Banco do Brasil, foi acusado de cobrar R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Grampos do BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, ex-presidente do banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity, que tinha como um dos donos o tucano Pérsio Arida. FHC autorizou o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão. Além disso, o BNDES destinou cerca de R$ 10 bilhões para socorrer empresas que assumiram o controle das estatais. Numa dessas operações, injetou R$ 686,8 milhões na Telemar, assumindo 25% do seu controle acionário.

Juiz Lalau. A escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo levou para o ralo R$ 169 milhões. O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só apareceram em 2000. A CPI do Judiciário contribuiu para levar para a cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT, e para cassar o mandato do senador Luiz Estevão, dois dos principais envolvidos no caso. Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo surgiram no emaranhado das denúncias. O pior é que FHC, ao ser questionado por que havia liberado verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”.

Farra do Proer. O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para ele, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, ele atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.

Desvalorização do real. De forma eleitoreira, FHC segurou a paridade entre o real e o dólar apenas para assegurar a sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões de dólares das reservas do país. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou uma lista com o nome de 24 bancos que lucraram com a mudança e de outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas. Há indícios da existência de um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à turma de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1,6 bilhão de reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado.

Sudam e Sudene. De 1994 a 1999, houve uma orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Ao invés de desbaratar a corrupção e pôr os culpados na cadeia, FHC extinguiu o órgão. Já na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos do Fundo de Investimentos do Nordeste foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC extinguiu a Sudene, em vez de colocar os culpados na cadeia.

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Artigo 2: Golpismo da TV Globo é desmascarado

O veterano jornalista Raimundo Rodrigues Pereira deveria receber um prêmio das entidades democráticas e populares pelas reportagens publicadas nas duas últimas edições da revista Carta Capital – pena que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sob o comando de Roberto Busato, abandonou temporariamente esta trincheira. Nos textos, escritos em conjunto com Antonio Carlos Queiroz, o incansável repórter, que leva a sério a profissão e a ética, desvenda “a trama que levou ao segundo turno” da eleição presidencial. Numa investigação séria e meticulosa, ele desmascara o papel da poderosa TV Globo, que com sua tática do “bate e assopra”, sempre em busca de benesses, vinha iludindo muita gente nos últimos tempos.

Na primeira reportagem, publicada na semana passada, Raimundo Pereira descreve a operação montada pelo delegado da Polícia Federal, Edmilson Bruno, e a equipe da Rede Globo para fabricar um factóide político na véspera do primeiro turno. Após vazar ilegalmente fotos do dinheiro apreendido na tentativa desastrada de compra do dossiê da máfia das sanguessugas, o policial ordenou que sua difusão fosse feita no Jornal Nacional daquela noite, 29 de setembro. Essa conversa tenebrosa chegou a ser gravada, mas a TV Globo preferiu ocultá-la e atender as instruções do delegado, assim como evitou noticiar a queda do avião da Gol, ocorrida na mesma tarde, para não ofuscar a criminosa operação contra o candidato Lula.

Ratzinger, o conservador da Globo

Já no segundo artigo, nesta semana, os dois jornalistas escrevem mais um capítulo do “dossiê da mídia”, no qual reafirmam, com novos dados, a reportagem anterior e ainda polemizam com o diretor-executivo da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel. Batizado nos dois textos de cardeal Ratzinger da emissora, “numa alusão ao papel ultraconservador do atual papa, Bento 16, durante o pontificado de João Paulo II”, Ali Kamel até publicou matéria paga em vários veículos, inclusive na Carta Capital, para se contrapor as denúncias de Raimundo Pereira. Mas não convenceu. “Ele foi escorregadio”, desdenhou Mino Carta, para quem o diretor da Rede Globo não respondeu minimamente as perguntas feitas pela revista.

“É invenção nossa que 70% das ambulâncias da Planan foram liberadas durante o governo FHC e que a Globo cuidou de não mencionar o fato? E é invenção nossa que até hoje o Jornal Nacional não destacou um repórter para investigar as relações de Barjas Negri [ex-ministro da Saúde de FHC] com Abel Pereira [lobista vinculado ao PSDB]? E é que pelo menos uma reportagem foi produzida sobre Abel Pereira, e editada, e até hoje não foi ao ar?”, ironiza Mino Carta. O Ratzinger da TV Globo, famoso por suas idéias conservadoras, por seus métodos truculentos e por ter escrito um livro negando a existência de racismo no Brasil, agora ficará conhecido por ter dado um golpe midiático que garantiu o segundo turno das eleições.

Cadê a ética jornalística?

Para Marcos Coimbra, diretor do instituto de pesquisas Vox Populi, foi esta sorrateira manipulação da mídia, na antevéspera do pleito, que desnorteou todas as sondagens eleitorais, que davam vitória para o presidente Lula, e que evitou a sua reeleição já no primeiro turno. “Os eleitores brasileiros foram votar no dia 1º sob um bombardeio que nunca tínhamos visto nem mesmo em 1989… Em nossa experiência eleitoral, não tínhamos visto nada parecido em matéria de interferência [da mídia]”, garante Coimbra.

Diante deste vergonhoso golpe midiático, que entrará para a triste história da imprensa nacional, poucos jornalistas levantaram as suas vozes. A maioria dos colunistas da televisão, rádio, jornais e revistas, que vive esbravejando em “defesa da ética”, nada falou. Entre as raras e meritórias exceções vale registrar a revolta de Luis Nassif, que escreveu em seu blog o texto intitulado “Réquiem do jornalismo”, ou a justa indignação de Paulo Henrique Amorim, que publicou em seu site Conversa Afiada um incisivo artigo condenando “o golpe do Estado que levou a eleição para o segundo turno”. Outras figuras conhecidas da imprensa brasileira preferiram o silêncio dos cúmplices! Confessaram a sua preferência tucana!

A podre história da Globo

Baixada a poeira, a tendência é que o presidente Lula seja reeleito no próximo domingo. As sondagens revelam até que Geraldo Alckmin poderá ter menos votos do que no primeiro turno, o que só confirma o poder corrosivo da mídia, com seus factóides, na votação anterior. Neste caso, como diz o ditado, “há males que vêem para o bem”. O lamentável episódio da manipulação da TV Globo poderá servir para despertar os iludidos sobre a imperiosa e urgente democratização dos meios de comunicação. A mídia hegemônica virou um partido da direita e precisa ser confrontada. Do contrário, ela colocará sempre em risco a democracia e a própria Constituição e maculará a já tão susceptível ética jornalística.

Além disso, o episódio serviu para refrescar a memória sobre a postura conservadora e golpista da Rede Globo. Como na parábola do escorpião, ela não consegue negar os seus instintos de classe por mais que se curvem às suas ambições. No livro “Mídia, crise política e poder no Brasil”, Venício de Lima dedica dois excelentes capítulos para falar das “intimidades com o poder da TV Globo”. Lembra do seu papel ativo na preparação do golpe militar de 1964, de seus sólidos e lucrativos vínculos com a ditadura, da fraude nas eleições de 1982 contra Leonel Brizola, da criminosa omissão na campanha das Diretas-Já em 1984, da ingerência na nomeação do ministro da Fazenda do governo José Sarney e de vários outros episódios lamentáveis de interferência desta poderosa empresa nos rumos políticos do Brasil.

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Artigo 3: Capitalistas racistas da AFRICA DO SUL controlam a revista Veja

Na sua penúltima edição, a revista Veja estampou na capa a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão e a manchete espalhafatosa: “Ela pode decidir a eleição”. A chamada de capa ainda trazia a maldosa descrição: “Nordestina, 27 anos, educação média, R$ 450 por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro”. O intuito evidente da capa e da reportagem interna era o de estimular o preconceito de classe contra o presidente Lula, franco favorito nas pesquisas eleitorais entre a população mais carente. A edição não destoava de tantas outras, nas quais esta publicação da Editora Abril assume abertamente o papel de palanque da oposição de direita e destina veneno de nítido conteúdo fascistóide.

Agora, o escritor Renato Pompeu dá novos elementos que apimentam a discussão sobre a linha editorial racista desta revista. No artigo “A Abril e o apartheid”, publicado na revista Caros Amigos que está nas bancas, ele informa que “o grupo de mídia sul-africano Naspers adquiriu 30% do capital acionário da Editora Abril, que detém 54% do mercado brasileiro de revistas e 58% das rendas de anúncios em revistas no país. Para tanto, pagou 422 milhões de dólares. A notícia é de maio e foi publicada nos principais órgãos da mídia grande do Brasil. Mas não foi dada a devida atenção ao fato de a Naspers ter sido um dos esteios do regime do apartheid na África do Sul e ter prosperado com a segregação racial”.

Líderes da segregação racial

A Naspers tem sua origem em 1915, quando surgiu com o nome de Nasionale Pers, um grupo nacionalista africâner (a denominação dos sul-africanos de origem holandesa, também conhecidos como bôeres, que foram derrotados pela Grã-Bretanha na guerra que terminou em 1902). Este agrupamento lançou o jornal diário Die Burger, que até hoje é líder de mercado no país. Durante décadas, o grupo, que passou a editar revistas e livros, esteve estreitamente vinculado ao Partido Nacional, a organização partidária das elites africâneres que legalizou o detestável e criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial.

Como relata Renato Pompeu, “dos quadros da Naspers saíram os três primeiros-ministros do apartheid”. O primeiro diretor do Die Burger foi D.F. Malan, que comandou o governo da África do Sul de 1948 a 1954 e lançou as bases legais da segregação racial. Já os líderes do Partido Nacional H.F. Verwoerd e P.W. Botha participaram do Conselho de Administração da Naspers. Verwoerd, que quando estudante na Alemanha teve ligações com os nazistas, consolidou o regime do apartheid, a que deu feição definitiva em seu governo, iniciado em 1958. Durante a sua gestão ocorreram o massacre de Sharpeville, a proibição do Congresso Nacional Africano (que hoje governa o país) e a prolongada condenação de Nelson Mandela.

Já P. Botha sustentou o apartheid como primeiro-ministro, de 1978 a 1984, e depois como presidente, até 1989. “Ele argumentava, junto ao governo dos Estados Unidos, que o apartheid era necessário para conter o comunismo em Angola e Moçambique, países vizinhos. Reforçou militarmente a África do Sul e pediu a colaboração de Israel para desenvolver a bomba atômica. Ordenou a intervenção de forças especiais sul-africanas na Namíbia e em Angola”. Durante seu longo governo, a resistência negra na África do Sul, que cresceu, adquiriu maior radicalidade e conquistou a solidariedade internacional, foi cruelmente reprimida – como tão bem retrata o filme “Um grito de liberdade”, do diretor inglês Richard Attenborough (1987).

Os tentáculos do apartheid

Renato Pompeu não perdoa a papel nefasto da Naspers. “Com a ajuda dos governos do apartheid, dos quais suas publicação foram porta-vozes oficiosos, ela evoluiu para se tornar o maior conglomerado da mídia imprensa e eletrônica da África, onde atua em dezenas de países, tendo estendido também as suas atividades para nações como Hungria, Grécia, Índia, China e, agora, para o Brasil. Em setembro de 1997, um total de 127 jornalistas da Naspers pediu desculpas em público pela sua atuação durante o apartheid, em documento dirigido à Comissão da Verdade e da Reconciliação, encabeçada pelo arcebispo Desmond Tutu. Mas se tratava de empregados, embora alguns tivessem cargos de direção de jornais e revistas. A própria Naspers, entretanto, jamais pediu perdão por suas ligações com o apartheid”.

Segundo documentos divulgados pela própria Naspers, em 31 de dezembro de 2005, a Editora Abril tinha uma dívida liquida de aproximadamente US$ 500 milhões, com a família Civita detendo 86,2% das ações e o grupo estadunidense Capital International, 13,8%. A Naspers adquiriu em maio último todas as ações da empresa ianque, por US$ 177 milhões, mais US$ 86 milhões em ações da família Civita e outros US$ 159 milhões em papéis lançados pela Abril. “Com isso, a Naspers ficou com 30% do capital. O dinheiro injetado, segundo ela, serviria para pagar a maior parte das dividas da editora”. Isto comprova que o poder deste conglomerado, que cresceu com a segregação racial, é hoje enorme e assustador na mídia brasileira.

Os interesses alienígenas

Mas as relações alienígenas da revista Veja não são recentes nem se dão apenas com os racistas da África do Sul. Até recentemente, ela sofria forte influência na sua linha editorial das corporações dos EUA. A Capital International, terceiro maior grupo gestor de fundos de investimentos desta potência imperialista, tinha dois prepostos no Conselho de Administração do Grupo Abril – Willian Parker e Guilherme Lins. Em julho de 2004, esta agência de especulação financeira havia adquirido 13,8% das ações da Abril, numa operação viabilizada por uma emenda constitucional sancionada por FHC em 2002.

A Editora Abril também têm vínculos com a Cisneros Group, holding controlada por Gustavo Cisneros, um dos principais mentores do frustrado golpe midiático contra o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. O inimigo declarado do líder venezuelano é proprietário de um império que congrega 75 empresas no setor da mídia, espalhadas pela América do Sul, EUA, Canadá, Espanha e Portugal. Segundo Gustavo Barreto, pesquisador da UFRJ, as primeiras parcerias da Abril com Cisneros datam de 1995 em torno das transmissões via satélites. O grupo também é sócio da DirecTV, que já teve presença acionária da Abril. Desde 2000, os dois grupos se tornaram sócios na empresa resultante da fusão entre AOL e Time Warner.

Ainda segundo Gustavo Barreto, “a Editora Abril possui relações com instituições financeiras como o Banco Safra e a norte-americana JP Morgan – a mesma que calcula o chamado risco-país, índice que designa o risco que os investidores correm quando investem no Brasil. Em outras palavras, ela expressa a percepção do investidor estrangeiro sobre a capacidade deste país honrar os seus compromissos. Estas e outras instituições financeiras de peso são os debenturistas – detentores das debêntures (títulos da dívida) – da Editora Abril e de seu principal produto jornalístico. Em suma, responsáveis pela reestruturação da editora que publica a revista com linha editorial fortemente pró-mercado e anti-movimentos sociais”.

Um ninho de tucanos do PSDB e da direita brasileira

Além de ser controlada por grupos estrangeiros, a Veja mantém relações estreitas com o PSDB, que é o núcleo orgânico do capital rentista, e com o PFL, que representa a velha oligarquia conservadora. Emílio Carazzai, por exemplo, que hoje exerce a função de vice-presidente de Finanças do Grupo Abril, foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo FHC. Outra tucana influente na família Civita, dona do Grupo Abril, é Claudia Costin, ministra de FHC responsável pela demissão de servidores públicos, ex-secretária de Cultura no governo de Geraldo Alckmin e atual vice-presidente da Fundação Victor Civita.

Não é para menos que a Editora Abril sempre privilegiou os políticos tucanos. Afora os possíveis apoios “não contabilizados”, que só uma rigorosa auditoria da Justiça Eleitoral poderia provar, nas eleições de 2002, ela doou R$ 50,7 mil a dois candidatos do PSDB. O deputado federal Alberto Goldman, hoje um vestal da ética, recebeu R$ 34,9 mil da influente família; já o deputado Aloysio Nunes, ex-ministro de FHC, foi agraciado com R$ 15,8 mil. Ela também depositou R$ 303 mil na conta da DNA Propaganda, a famosa empresa de Marcos Valério que inaugurou um ilícito esquema de financiamento eleitoral para Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB. Estes e outros “segredinhos” da Editora Abril ajudam a entender a linha editorial racista da revista Veja e a sua postura de opositora radical do governo Lula.

Por Altamiro Borges, que é jornalista e editor da revista Debate Sindical.

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