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Por 20:54 Sem categoria

Aliados de Lugo criarão frente de resistência ao novo governo do Paraguai

Renata Giraldi
Enviada Especial

Assunção (Paraguai) – Um grupo de movimentos sociais e pequenos partidos políticos no Paraguai anunciou hoje (23) que pretende fazer oposição ao governo do novo presidente do país, Federico Franco. O grupo vai lançar na segunda-feira (25) a Frente para Defesa da Democracia. Os integrantes são aliados do ex-presidente Fernando Lugo, destituído ontem (22) do poder, após a aprovação de um processo de impeachment contra ele.

O deputado Ricardo Canese (Partido Guasú) e Oscar Sostoa, ex-vice-ministro do Interior do governo Lugo, lideram o grupo para a formação da frente, cujos integrantes se reuniram hoje para definir uma assembleia na segunda-feira. Na ocasião, eles vão eleger o presidente, o vice e secretário-geral da entidade.

Na reunião, vários integrantes do grupo discursaram. Eles disseram que farão campanha para levar a sociedade a aderir ao que foi chamado de mobilização pacífica ativa. A ideia é promover manifestações com cobranças e críticas ao governo Franco, mas de forma pacífica e sem uso da violência.

Os integrantes do grupo reclamaram do que definiram como “campanha do medo”. Com receio da repressão policial e militar, muitos paraguaios ficaram em casa ontem, evitando a participação nos protestos contra a destituição de Lugo. Segundo Oscar Sostoa, houve um “clima de terror” para amedrontar os manifestantes e esvaziar as ruas.

O comando da Frente para Defesa da Democracia, que ainda não foi instituída oficialmente, disse não reconhecer o governo Franco e quer que Lugo retorne ao poder. Segundo seus integrantes, não há possibilidade de diálogo com o novo presidente. Por outro lado, Franco reiterou hoje que pretende formar um governo de coalizão com o apoio de todos os partidos políticos.

Edição: Graça Adjuto e Juliana Andrade

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Simpatizantes de Lugo fazem protesto contra impeachment

Renata Giraldi
Enviada Especial

Assunção (Paraguai) – Simpatizantes de Fernando Lugo, ex-presidente do Paraguai, promoveram hoje (24) mais um dia de protestos contra seu impeachment. Reunidos em frente à sede da TV Pública, no centro de Assunção, capital paraguaia, eles cantaram o Hino Nacional, estenderam faixas em apoio a Lugo e com críticas ao novo governo e prometeram manter as manifestações pacíficas. A bandeira do Paraguai foi colocada em lugar de destaque durante o protesto.

“Estamos aqui em defesa da democracia. É uma reação pacífica a toda essa situação [política] absurda. Estamos aqui exercendo a nossa cidadania”, disse Ceulie Vukty, líder de um dos movimentos juvenis no prostesto, enquanto coordenava os discursos com os momentos de apresentações teatrais e de música.

Os simpatizantes de Lugo condenam a forma como foi conduzido o processo de impeachment do ex-presidente. Em menos de 24 horas, a Câmara e o Senado do Paraguai aprovaram o chamado “juízo político”, alegando “mau desempenho das funções”, e o ex-presidente foi condenado a deixar o poder.

A situação política de Lugo se agravou devido a um confronto entre agentes policiais e agricultores, no Nordeste do país, no último dia 15. O confronto provocou 16 mortes. Para os políticos de oposição, Lugo não administrou o confronto de forma correta, permitiu a violência e, consequentemente, as mortes.

Uma barraca de camping foi montada no centro do protesto e nela foi colocada a placa Embaixada do Brasil. De acordo com os organizadores do evento, a ideia é mostrar que o Brasil condena a destituição de Lugo porque apoia a democracia e suas instituições.

No entanto, nas ruas de Assunção e nos arredores da capital as opiniões sobre a destituição de Lugo e a posse do novo presidente, Federico Franco, se dividem. Para os aliados de Franco, a ordem será reestabelecida no país.

Os simpatizantes de Lugo dizem que a democracia foi desrespeitada, pois um presidente eleito de forma direta foi retirado do poder. A Constituição do Paraguai permite o impeachment e não impõe prazos para o processo transcorrer.

“O que estamos vivendo hoje no Paraguai é uma situação muito delicada e complicada. Estamos nos mobilizando porque não podemos aceitar o que ocorreu com o [ex-] presidente Lugo, da forma como foi”, disse o auxiliar contábil Cristian Ríos, que aproveitou a folga no trabalho para participar do protesto.

Edição: Graça Adjuto

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