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América do Sul se une para enfrentar turbulência financeira global

Ministros de Economia e de Relações Exteriores, presidentes de Banco Central e autoridades dos países da América do Sul decidiram nesta segunda-feira (27) criar “canais fluidos e ágeis de comunicação” entre suas equipes econômicas para trocarem informações sobre os desdobramentos da crise financeira na região e as medidas adotadas pelos governos para enfrentá-la. “O fato de a região estar falando com uma única voz é muito importante”, saudou o ministro brasileiro Celso Amorim, ao fim do encontro, de quase três horas.

A reunião, convocada pelo Brasil, terminou com declarações contra o protecionismo e a favor da integração, mas o documento conjunto divulgado pelos participantes lembra que, embora o comércio regional seja um “patrimônio valioso” na região, será “conveniente” monitorar os impactos da crise nos mercados financeiros locais e nos níveis de produção e de emprego.

Houve, como definiu o chanceler Celso Amorim, “nuances” nas manifestações das autoridades sul-americanas. O ministro da Economia da Venezuela, Ali Rodriguez, após listar as medidas tomadas pelo governo venezuelano para proteger as reservas internacionais do País, atribuiu a crise aos equívocos adotados nos centros capitalistas mundiais e propôs uma reunião de chefes de Estado na ONU para decidir medidas de “castigo aos grandes estelionatários que se apropriaram de milhões dos depositantes”. Já representantes de países como o Chile preferiram combater a tentação de medidas protecionistas para proteger empresas locais.

O compromisso dos países em trocar informações sobre as respostas aos problemas dos mercados financeiros internacionais foi comemorado no Itamaraty – que convocou a reunião a pedido da Argentina, preocupada com possível invasão de mercadorias asiáticas em busca dos mercados perdidos com a recessão mundial.

A reunião atraiu autoridades de todos os países sul-americanos. Além dos integrantes do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, mais a Venezuela, sócio em vias de integração), contou também com os membros associados, Bolívia, Peru, Colômbia e Chile. Suriname e Guiana, mandaram seus representantes diplomáticos em Brasília.

Leia, a íntegra do comunicado conjunto divulgado após o final da reunião:

“ VII Reunião Extraordinária do Conselho do Mercado Comum Comunicado Conjunto

Os Ministros das Relações Exteriores, os Ministros da Fazenda e os Presidentes dos Bancos Centrais dos Estados Partes do Mercosul e dos Estados Associados reuniram-se em Brasília, no dia 27 de outubro de 2008, para discutir a crise financeira internacional, seus impactos na região e possíveis ações para mitigar seus efeitos.

Coincidiram na avaliação de que, como conseqüência da evolução positiva de seus fundamentos macro-econômicos, os países da região se encontram em melhores condições do que no passado para enfrentar os desafios impostos pela crise financeira e seus efeitos no setor real da economia.

Manifestaram que o comércio regional é um patrimônio valioso para todos os países da região. Não obstante, coincidiram na conveniência de realizar um monitoramento dos possíveis impactos da crise tanto nos mercados financeiros locais como nos níveis da produção e emprego.

Recordaram que a turbulência financeira teve origem nos países desenvolvidos e sublinharam a importância de se evitar que as medidas adotadas por aqueles países na solução da crise acarretem custos adicionais para os países em desenvolvimento.

Salientaram a necessidade de uma reforma profunda e abrangente da arquitetura financeira internacional e de estabelecer, no âmbito global, instrumentos que permitam respostas concretas, imediatas e mais adequadas à crise. Indicaram, igualmente, a importância de se aperfeiçoar a regulamentação prudencial dos mercados de capitais.

Tomaram nota das propostas feitas por Chefes de Estado da região em resposta aos desafios da atual conjuntura, tais como a proposta brasileira de convocação do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, em nível ministerial, e a proposta venezuelana de realizar reunião de Chefes de Estado e de Governo, no marco das Nações Unidas.

Ressaltaram a importância de que os Governos da região mantenham canais fluidos e ágeis de comunicação sobre as medidas tomadas por cada país para enfrentar o momento atual, e determinaram que seus altos funcionários mantenham um intercâmbio tempestivo de informações sobre os desdobramentos da crise financeira na região. A fim de facilitar essa tarefa, acordaram designar pontos focais em cada um dos Ministérios e dos Bancos Centrais envolvidos.

Reafirmaram a convicção de que o aprofundamento da integração regional e o fortalecimento dos laços comerciais e de cooperação financeira podem contribuir de maneira decisiva para a manutenção do crescimento, preservando e ampliando as conquistas econômicas e sociais dos últimos anos.

Coincidiram na necessidade de reforçar a capacidade da região de enfrentar problemas decorrentes de crises como a atual. Foram mencionados, nesse contexto, os mecanismos no âmbito do Mercosul, que incluem o monitoramento macroeconômico, o acompanhamento dos fluxos de comércio e as iniciativas de integração de serviços financeiros disponíveis nos mercados bancário, de capitais e de seguros. O sistema de pagamentos em moeda local criado no Mercosul e já em operação entre Brasil e Argentina é um exemplo de medida representativa de um aprofundamento da integração financeira regional.

Apoiaram também as discussões sobre mecanismos de integração financeira no âmbito da UNASUL. Os países que estão envolvidos no processo de conformação do Banco do Sul expressaram a importância de sua ativação, o mais rapidamente possível, com vistas ao desenvolvimento mais harmônico, eqüitativo e integral da América do Sul.

Recordando os vínculos entre finanças e comércio, os Ministros e Presidentes dos Bancos Centrais enfatizaram, no contexto da atual crise financeira internacional, a necessidade de uma conclusão satisfatória e equilibrada para as negociações multilaterais da Rodada Doha, que tome plenamente em consideração os interesses dos países em desenvolvimento e que leve à eliminação de práticas comerciais distorcivas por parte dos países desenvolvidos.”

Por Equipe Informes ,com agências.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ptnacamara.org.br.

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