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Apenas 30 porcento das pesquisas sobre a Amazônia são produzidas no Brasil

O dado alarmante foi apresentado pelo pesquisador do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Adalberto Luís Val, durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que terminou na última sexta-feira (18) em Campinas. A Amazônia ocupa quase 60% do território brasileiro e responde por 7,8% do Produto Interno Bruto do país. Mas os recursos em ciência e tecnologia para a região são apenas 2% do total nacional.

Apenas 30% das pesquisas sobre a Amazônia têm a participação de pelo menos um pesquisador com residência no Brasil. O dado foi apresentado durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) por Adalberto Luís Val, do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “Se soberania hoje é informação, esse é o tamanho da soberania que temos sobre a região. Temos que fixar recursos humanos na Amazônia, o que vai proporcionar a retaguarda para uma ação na Amazônia confiável, justa, sustentável, que é o que precisamos”, disse o pesquisador.

A necessidade urgente de aumentar a quantidade de doutores nas universidades dos estados que abrangem a floresta foi tema constante durante a reunião da SBPC, com um forte consenso de que essa é uma questão estratégica para o desenvolvimento do país.

Na mesma direção da avaliação feita pela senadora Marina Silva, Val acredita que, com pequeno aumento do percentual dos investimentos para ciência e tecnologia, é possível formar pelos menos 2,1 mil novos doutores na região até 2011 e expandir o número de universidades e centros de pesquisa na Amazônia. “A Amazônia ocupa quase 60% do território brasileiro e responde por 7,8% do Produto Interno Bruto do país. Mesmo assim, os recursos em ciência e tecnologia para a região são apenas 2% do total nacional. A Amazônia é uma questão nacional, não pode ser tratada isolada do desenvolvimento do país como um todo”, argumentou.

Val esteve em Campinas para participar da sessão especial da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados, atividade da 60ª Reunião anual da SBPC. Durante o encontro, deputados e cientistas assumiram o compromisso de somar esforços para dobrar, no prazo de três anos, o número de doutores na região, passando dos atuais 3.500 para 7.000. Para o presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, que participou da sessão, a ciência precisa ser transformada no motor do desenvolvimento da Amazônia. Somente com a ampliação dos pesquisadores e, conseqüentemente, do número de estudos relacionados à biodiversidade da Amazônia, é possível gerar riquezas na região, de forma sustentável e solidária.

Outro número que chamou atenção da Comissão da Amazônia é que, dentro do percentual de pesquisa desenvolvida no Brasil sobre a Amazônia, apenas 9% são desenvolvidas por organismos amazônicos.

Fundo para a Amazônia

Enquanto os debates sobre a floresta aconteciam no campus da Unicamp, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, informou que o governo quer arrecadar um total de US$ 900 milhões no primeiro ano de funcionamento do fundo que será criado para preservar a Amazônia. No dia 16 de julho, Minc informou que o fundo será criado por decreto no dia 1º de agosto deste ano. Segundo ele, a primeira doação ao fundo, de US$ 100 milhões, será da Noruega. No entanto, o ministro assegurou que as contribuições de países estrangeiros ao fundo não representam ameaça à soberania do Brasil. “O fundo será regido por um conselho no qual os doadores não terão assento. Será um fundo soberano”, garantiu.

Por Clarissa Pont. Com informações da Agência Brasil e da SBPC.

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Aliar conhecimento científico e tradicional para defender Amazônia

A receita foi dada pela ex-ministra do Meio Ambiente, senadora Marina Silva, durante a 60ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A senadora defendeu a necessidade de conciliar os aspectos científicos com dinâmicas locais da floresta. A próxima reunião da SBPC será realizada, em 2009, em Manaus.

“Estou completamente de acordo com o documento lançado aqui em relação aos aspectos que abordam ciência e tecnologia, como a construção de novas universidades, instituições técnico-científicas associando o ensino à pesquisa em tecnologia, assim como o fortalecimento da pós-graduação e de redes de informação na Amazônia”, afirmou a senadora Marina Silva durante, no encerramento da 60ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campinas. O próximo encontro será justamente na região que foi objeto de cinco núcleos temáticos de discussões durante a reunião, a Amazônia. Segundo o presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, os debates instaurados durante a última semana são o pano de fundo do que será tratado em Manaus, no próximo ano.

A importância da decisão foi grifada por Marina Silva. Segundo ela, não há dúvida de que o aumento do conhecimento científico sobre a região amazônica é a estratégia fundamental para viabilizar os eixos de crescimento sustentável. No entanto, para a senadora, a questão é saber como conciliar os aspectos científicos com outras dinâmicas. “Até mesmo porque você não pode simplesmente suprimir a dinâmica social, que tem a ver com o que está acontecendo no território, com o conhecimento que já está produzido e com uma série de políticas e acontecimentos regionais”. O que precisa ser estudado, segundo ela, é a melhor forma de mediação do conhecimento científico com as demais dinâmicas sociais e culturais ocorridas na região.

O projeto “Amazônia: Desafio Brasileiro do Século 21 – A necessidade de uma revolução científica e tecnológica”, desenvolvido pela SBPC em conjunto com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) foi elogiado por Marina Silva, que indicou defender as propostas no Congresso Nacional. “Não há dúvida que o aumento de conhecimento sobre a região é uma estratégia fundamental para viabilizar a estrutura logística necessária, o desenvolvimento sustentável, a inclusão social e o ordenamento territorial e fundiário”, afirmou.

O documento lista como desafios urgentes para enfrentar a questão do desenvolvimento sustentável na Amazônia a criação de novas universidades públicas na região, o surgimento de institutos científico-tecnológicos associados ao ensino e à pesquisa, o fortalecimento da pós- graduação e de redes de informação sobre a floresta e nos estados onde ela está.

O país forma mais de 11 mil doutores por ano. Segundo avaliação da ABC, as ações de formação e atração de docentes e pesquisadores altamente qualificados para a região serão infrutíferas se não forem assegurados mecanismos efetivos de contratação dos mesmos pelas instituições de ensino superior ou pelos institutos de pesquisa. Isto somente pode ser assegurado com uma política direcionada para a região, pois envolve decisões de diversos ministérios.

Ainda segundo o documento, para garantir a fixação de docentes e pesquisadores em número adequado é necessário romper com “a igualdade aparente que só leva a preservação dos desequilíbrios. Vagas induzidas para a região são imperativas, tanto de pesquisadores e docentes, quanto de técnicos habilitados a atuar em laboratórios avançados de pesquisa”.

Outra questão trazida à tona pela senadora foi a do acesso ao patrimônio genético para pesquisa. O primeiro projeto entregue por Marina Silva ao Senado foi justamente sobre o acesso a estes recursos. Para ela, é uma maneira de valorizar a floresta em pé e os conhecimentos tradicionais associados, além de proteger a biodiversidade. “Infelizmente, o projeto não foi aprovado. Foi apresentada uma medida provisória pelo governo, que não atendia adequadamente às necessidades de uma regulação tão complexa. No ministério, fizemos esforços para recuperar o projeto, mas houve uma dificuldade muito grande na interface entre os diferentes ministérios”, disse.

Falta de medidas integradas atrasa redução do desmatamento

A complexa questão do desmatamento da Amazônia, e a possibilidade de rastreá-lo, também foi tema da 60ª Reunião da SBPC. De acordo com a mesa, coordenada por Peter Mann de Toledo, presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp), a falta de consenso entre as várias partes interessadas é que contribui para que a floresta continue sendo degradada. “Vamos pagar um preço ainda mais alto para aprendermos a lidar com a questão da Amazônia”, enfatizou Gilberto Câmara, presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No início do ano, a sociedade brasileira ficou sabendo pela imprensa a polêmica em torno da credibilidade dos dados divulgados entre outubro e dezembro de 2007 pelo Inpe sobre o desmatamento da Amazônia. Segundo Câmara, os resultados de um relatório recente confirmaram a eficácia do sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), indicando que cerca de 88% das áreas analisadas se confirmaram como correspondendo a desmatamentos. A instituição acredita que os resultados deverão aumentar a confiança do governo e da sociedade nas indicações do sistema.

Por Clarissa Pont. Com informações de www.sbpc2008.unicamp.br.

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Amazônia reúne atenções na 60ª Reunião Anual da SBPC

Reunidos no campus da Universidade Estadual de Campinas, pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento e um público médio de 10 mil pessoas, debatem sobre energia, ambiente e tecnologia. As três palavras estão presentes em todas as discussões sobre a Amazônia.

“Há um hiato em nosso conhecimento acerca da biodiversidade da Amazônia”. A afirmação, durante apresentação na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), é de Adalberto Luís Val, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), entidade que existe desde a década de 50 realizando estudos científicos do meio físico e das condições de vida da região amazônica. Atualmente, o Inpa é referência mundial em Biologia Tropical. Segundo ele, a única forma de avançar no desconhecimento do Brasil sobre a floresta, é o investimento em pesquisa, principalmente sobre biodiversidade e sustentabilidade amazônicas.

“A nossa capacidade de estudar a Amazônia ainda é muito pequena. Não conseguimos amostrar toda a região para saber quantas e quais são as espécies de animais e vegetais”, enfatizou o pesquisador. Para que se tenha uma idéia, ele resume em números a situação: “A Amazônia brasileira abrange 9 estados, onde existem 10 universidades federais, 5 universidades estaduais e 3 institutos de pesquisa federais, que formam apenas 3 mil doutores por ano. No INPA há somente 150 doutores”.

Ele completa ressaltando que apenas preservar não indica saída sustentável para os atuais problemas. A Amazônia abarca 180 povos indígenas, centenas de comunidades quilombolas e milhares de ribeirinhos que dependem da biodiversidade local para a geração de renda. Viabilizar a preservação através do trabalho destas comunidades é a chave para assegurar a floresta.

O simpósio “Instrumentos Econômicos e Financeiros para Conservação de Florestas na Região Amazônica” concentrou as atenções na terça feira (15), na Unicamp. Dados apresentados no encontro relacionam diretamente o desmatamento com a exploração madeireira, o cultivo de soja e a pecuária.

Para Paulo Roberto Moutinho, coordenador de pesquisas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) existe duas estratégias básicas que devem nortear a política de conservação das florestas: desenvolver mecanismos de incentivos para a conservação da floresta e o uso sustentável dos recursos naturais e a criação de políticas públicas que incentivem a diminuição do desmatamento.

Moutinho concordou com Adalberto Luis Val, ao sublinhar que na Amazônia há centenas de povos tradicionais que dependem diretamente da extração e da manutenção de recursos da floresta. Ele citou os índios que vivem no Parque Nacional do Xingu, responsáveis pela conservação de uma área da Amazônia rodeada por desmatamento avassalador no Mato Grosso.

O Ipam é uma organização ambiental não governamental que reúne experiências demonstrativas, produção de conhecimentos científicos e orientação acadêmica de estudantes de graduação e de pós-graduação. As pesquisas e projetos demonstrativos de manejo praticados pelo Instituto desde 1995 têm servido como subsídios para contribuir para diversas políticas ambientais no país.

Virgilio Viana, da Fundação Amazonas Sustentável – parceria entre o Governo do Estado do Amazonas e o Banco Bradesco – encerrou o Simpósio do dia 15 citando uma iniciativa que, segundo ele, gera resultados positivos no Estado do Amazonas: a criação da Bolsa Floresta para populações tradicionalmente extrativistas. O incentivo é distribuído a famílias e associações de moradores como recompensa pela manutenção dos recursos naturais e o investimento em atividades econômicas sustentáveis.

Criação de novas políticas públicas

O coordenador do grupo que elaborou o documento “Amazônia: Desafio Brasileiro para o Século XXI – A necessidade de uma revolução científica e tecnológica”, Adalberto Val, e o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis, afirmaram durante a Reunião da SBPC que os debates travados no encontro têm encontrado boa acolhida pelos ministros Sergio Rezende, do Ministério de Ciência e Tecnologia, Mangabeira Unger, de Assuntos Estratégicos, e Fernando Haddad, da Educação.

Segundo eles, apesar de ainda não ter participado de um encontro formal, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que participou na segunda-feira (14) de conferência, também elogiou o documento. Val apenas ressalvou que a luta agora é para que “os ministérios abram a carteira”. “Nós já temos um projeto consolidado, apoiado pela Academia Brasileira de Ciência e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, agora estamos lutando para que haja um aporte significativo de recursos para a região”, disse. Uma das principais reivindicações da SBPC é a criação de três institutos científicos tecnológicos voltados para pesquisa aplicada, nas áreas de recursos florestais e da biodiversidade, aquáticos e minerais.

Por Clarissa Pont. Com informações de www.sbpc2008.unicamp.br.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.cartamaior.com.br.

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