Por Marli Lima De Araucária (PR)
Uma placa colocada na entrada da sede da Imcopa, em Araucária (PR), traz uma das poucas informações que a indústria paranaense de derivados de soja faz questão de divulgar: “Esta fábrica recebe somente grãos de soja não-transgênica”, informa, em português e em inglês. Mas o aviso não é capaz de traduzir as mudanças vividas pela empresa desde 1998, quando optou por trabalhar apenas com o grão convencional. De lá para cá – e na esteira da disparada da produção brasileira decorrente da desvalorização do real, em 1999, que favoreceu as exportações -, a Imcopa multiplicou por oito o volume de esmagamento, conquistou novos clientes no exterior e prepara-se para alcançar, em 2006, faturamento de US$ 1 bilhão.
O nicho de mercado foi escolhido em uma época em que as chances de entrar transgênico em suas unidades era remota, porque a lei brasileira proibia o plantio. Mesmo assim, a Imcopa passou a fazer teste nas cargas e a segregar seus produtos, que desde então recebem certificado de que estão livres de transgenia. Atualmente chegam até a unidade de Araucária cerca de 120 caminhões por dia e todos são inspecionados por um funcionário do lado de fora do portão.
Para garantir que grãos convencionais continuem a chegar depois de aprovada a Lei da Biossegurança no país, que libera definitivamente a soja transgênica, a empresa admite destinar 2,5% do faturamento previsto para 2005, de US$ 850 milhões, ao pagamento de prêmios a agricultores e cooperativas. “Estamos conversando”, afirmou ao Valor Enrique Traver, diretor operacional da companhia. Segundo ele, os valores adicionais em estudo vão de US$ 5 a US$ 10 por tonelada, o que implicará desembolso de até US$ 22 milhões.
“Para empresas de commodities, uma margem de lucro de 2% é considerada muito boa. Para pagar esses prêmios e justificar a permanência no negócio, teremos de lutar por ganhos de 4%”, disse Traver, para quem os ágios que foram sugeridos por cooperativas do Paraná, de 20%, são impraticáveis. “Não vamos chegar a isso nem hoje nem nunca. Antes disso o mercado de grão convencional acaba”.
Fundada em 1964, a Imcopa tem cinco fábricas no Paraná, 600 empregados e é presidida por Frederico Busato Júnior, de 66 anos. Ele é filho de um dos idealizadores da empresa. No início, a Imcopa processava 600 toneladas de grãos por ano. Em 1998, quando optou pelo produto convencional, o volume estava em 250 mil toneladas. Para 2005 estão previstos 2 milhões de toneladas de soja – 20% de toda a produção paranaense -, que virarão lecitina, óleo e farelo, e 98% desses produtos serão exportados.
Traver disse que, se no futuro não for mais possível trabalhar com soja convencional, a Imcopa não terá problemas em aceitar transgênicos, porque não se trata de uma questão ideológica. “Estamos nesse mercado porque temos retorno econômico”, resumiu. Discussões à parte, a empresa mantém a aposta e investe em aumento de capacidade e em novos produtos. Nos dois últimos anos gastou US$ 40 milhões em suas unidades, sendo US$ 20 milhões em uma fábrica de farelo concentrado para ser usado na alimentação de peixes. O farelo costuma ter 44% de proteína, mas a Imcopa passou a produzir em 2005 um tipo com 70% de proteína. Das 1,5 milhão de toneladas de farelo que fará no ano, 100 mil serão do concentrado, e metade disso irá para um criador de salmão na Suécia.
“O grão convencional abriu a porta de mercados nobres”, afirmou Traver. Ele citou o Japão, que consome 4 milhões de toneladas de farelo por ano e, do total de 1 milhão de toneladas que importa, comprava 50 mil toneladas no Brasil. Em 2005, a Imcopa vendeu para o país 200 mil. Fez um embarque em junho, outro esta semana e dois estão programados para os próximos meses. Com isso, só o Japão representará uma receita adicional de US$ 60 milhões por ano.
Há seis anos, a Imcopa tinha três produtos e três clientes. Agora, são 12 produtos, todos obtidos a partir da soja, e cerca de 500 clientes. Entre eles estão indústrias de alimentos como Nestlé, Kraft Foods e Unilever. Ela já vendia para fornecedores de carne das redes varejistas Tesco e Asda, do Reino Unido, e em março fechou contrato para fornecer farelo para fornecedores do Carrefour na França.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.valoronline.com.br/veconomico.
Notícias recentes
- Caixa: Entidades cobram respostas sobre o Super Caixa e valorização da mesa de negociação
- Pressão funciona, prefeitura negocia e servidores de Curitiba suspendem paralisação
- Mesmo com guerra, Ipea prevê crescimento de 1,8% do PIB
- Inflação oficial chega a 0,88% em março, diz IBGE
- Pesquisa revela que brasileiro prefere emprego com carteira assinada
Comentários
Por Mhais• 27 de agosto de 2005• 01:08• Sem categoria
Aposta na soja convencional deve levar vendas da Imcopa a US$ 1 bi
Por Marli Lima De Araucária (PR)
Uma placa colocada na entrada da sede da Imcopa, em Araucária (PR), traz uma das poucas informações que a indústria paranaense de derivados de soja faz questão de divulgar: “Esta fábrica recebe somente grãos de soja não-transgênica”, informa, em português e em inglês. Mas o aviso não é capaz de traduzir as mudanças vividas pela empresa desde 1998, quando optou por trabalhar apenas com o grão convencional. De lá para cá – e na esteira da disparada da produção brasileira decorrente da desvalorização do real, em 1999, que favoreceu as exportações -, a Imcopa multiplicou por oito o volume de esmagamento, conquistou novos clientes no exterior e prepara-se para alcançar, em 2006, faturamento de US$ 1 bilhão.
O nicho de mercado foi escolhido em uma época em que as chances de entrar transgênico em suas unidades era remota, porque a lei brasileira proibia o plantio. Mesmo assim, a Imcopa passou a fazer teste nas cargas e a segregar seus produtos, que desde então recebem certificado de que estão livres de transgenia. Atualmente chegam até a unidade de Araucária cerca de 120 caminhões por dia e todos são inspecionados por um funcionário do lado de fora do portão.
Para garantir que grãos convencionais continuem a chegar depois de aprovada a Lei da Biossegurança no país, que libera definitivamente a soja transgênica, a empresa admite destinar 2,5% do faturamento previsto para 2005, de US$ 850 milhões, ao pagamento de prêmios a agricultores e cooperativas. “Estamos conversando”, afirmou ao Valor Enrique Traver, diretor operacional da companhia. Segundo ele, os valores adicionais em estudo vão de US$ 5 a US$ 10 por tonelada, o que implicará desembolso de até US$ 22 milhões.
“Para empresas de commodities, uma margem de lucro de 2% é considerada muito boa. Para pagar esses prêmios e justificar a permanência no negócio, teremos de lutar por ganhos de 4%”, disse Traver, para quem os ágios que foram sugeridos por cooperativas do Paraná, de 20%, são impraticáveis. “Não vamos chegar a isso nem hoje nem nunca. Antes disso o mercado de grão convencional acaba”.
Fundada em 1964, a Imcopa tem cinco fábricas no Paraná, 600 empregados e é presidida por Frederico Busato Júnior, de 66 anos. Ele é filho de um dos idealizadores da empresa. No início, a Imcopa processava 600 toneladas de grãos por ano. Em 1998, quando optou pelo produto convencional, o volume estava em 250 mil toneladas. Para 2005 estão previstos 2 milhões de toneladas de soja – 20% de toda a produção paranaense -, que virarão lecitina, óleo e farelo, e 98% desses produtos serão exportados.
Traver disse que, se no futuro não for mais possível trabalhar com soja convencional, a Imcopa não terá problemas em aceitar transgênicos, porque não se trata de uma questão ideológica. “Estamos nesse mercado porque temos retorno econômico”, resumiu. Discussões à parte, a empresa mantém a aposta e investe em aumento de capacidade e em novos produtos. Nos dois últimos anos gastou US$ 40 milhões em suas unidades, sendo US$ 20 milhões em uma fábrica de farelo concentrado para ser usado na alimentação de peixes. O farelo costuma ter 44% de proteína, mas a Imcopa passou a produzir em 2005 um tipo com 70% de proteína. Das 1,5 milhão de toneladas de farelo que fará no ano, 100 mil serão do concentrado, e metade disso irá para um criador de salmão na Suécia.
“O grão convencional abriu a porta de mercados nobres”, afirmou Traver. Ele citou o Japão, que consome 4 milhões de toneladas de farelo por ano e, do total de 1 milhão de toneladas que importa, comprava 50 mil toneladas no Brasil. Em 2005, a Imcopa vendeu para o país 200 mil. Fez um embarque em junho, outro esta semana e dois estão programados para os próximos meses. Com isso, só o Japão representará uma receita adicional de US$ 60 milhões por ano.
Há seis anos, a Imcopa tinha três produtos e três clientes. Agora, são 12 produtos, todos obtidos a partir da soja, e cerca de 500 clientes. Entre eles estão indústrias de alimentos como Nestlé, Kraft Foods e Unilever. Ela já vendia para fornecedores de carne das redes varejistas Tesco e Asda, do Reino Unido, e em março fechou contrato para fornecer farelo para fornecedores do Carrefour na França.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.valoronline.com.br/veconomico.
Deixe um comentário