Dirigentes do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região estiveram reunidos, nesta quinta-feira, 21 de maio, com representantes da Gestão de Pessoas (Gepes) do Banco do Brasil, para tratar dos problemas de implementação da ferramenta Archibus. Diante da continuidade das reclamações, mesmo após tentativas de resolver os problemas, os representantes dos funcionários reiteraram a necessidade de medidas efetivas e urgentes.
“Estamos tratando do tema desde abril e, até o momento, não tivemos uma solução adequada. Sendo assim, não descartamos a possibilidade de atos de mobilização, além de ações administrativas ou judiciais mais enérgicas, caso os trabalhadores sigam sem condições adequadas de trabalho e expostos ao adoecimento”, avalia o dirigente sindical Dalton Bilbao.
Após a conversa, a Gepes se comprometeu a conversar novamente com os gestores, orientando para que a pressão não ocorra mais, assim como encaminhar a questão para a Diretoria de Pessoas (Dipes), principalmente para que os funcionários afetados pela implantação da ferramenta não tenham prejuízos financeiros.
Histórico
Em abril, o Sindicato recebeu inúmeras denúncias relatando ameaças de descomissionamento, Gestão da Disciplina e Perdas (Gedips) e afastamentos de funcionários por estresse ou Burnout em prefixos lotados no Shopping Estação. Diante da gravidade das informações recebidas, dirigentes sindicais realizaram visitas e aplicaram uma consulta sobre as condições de trabalho nestes locais. Foram respondidos mais de 150 formulários, denunciando problemas relacionados à implantação forçada ou precipitada da ferramenta Archibus.
Nos relatos coletados, é possível notar que os bancários estão vivendo em um cenário de tensão, medo e indignação. Segundo as denúncias, os executivos envolvidos na implantação da ferramenta realizavam reuniões presenciais com cobranças consideradas excessivas, acompanhadas de ameaças veladas e comentários sobre suposto “corpo mole” diante das dificuldades encontradas no uso do sistema.
Também foram registrados relatos de que, em alguns dias, determinados executivos responsáveis pela implantação utilizavam camisetas com frases como “Adapte-se e adote”, o que foi interpretado como pressão para aceitação da ferramenta, contribuindo para um ambiente coercitivo. A consulta apontou de forma unânime que o sistema apresentava problemas. Segundo os relatos, a ferramenta apresenta falhas de desempenho, inconsistências em pagamentos — incluindo pagamentos de contratos ainda não ativos —, erros na base de dados e falhas nas migrações de informações.
“Os funcionários também relataram a citação de ‘provérbios’ bíblicos, inadequados em ambiente corporativo público, onde gestores devem agir com neutralidade e evitar proselitismos. Citar provérbios bíblicos no exercício da função pode ser considerado inconstitucional, podendo gerar constrangimento a servidores de outras crenças”, acrescenta a dirigente sindical Ana Smolka.
“Além disso, os funcionários preveem prejuízo à remuneração variável individual e coletiva; prejuízo nas avaliações GDP por não cumprimento de metas; possível prejuízo pelas responsabilidades contratuais para o CPF de administradores de contratos nos próximos 20 anos. Relataram que constataram que o Archibus paga errado, em dobro, fora de prazo, sujeitando o banco à multas contratuais”, acrescenta.
Tal situação trouxe impactos diretos ao ambiente de trabalho, como retrabalho, prejuízos no cumprimento de metas, danos a fornecedores e riscos operacionais. No entanto, o aspecto considerado mais preocupante foi o impacto sobre a saúde física e emocional dos trabalhadores, que resultou em afastamentos médicos e, inicialmente, três casos de Burnout.
Reunião anterior
Diante da movimentação promovida pelo Sindicato, representantes do Banco do Brasil responsáveis pela implantação da ferramenta Archibus convocaram uma reunião, ainda em abril. Na conversa, o Sindicato exigiu a suspensão imediata da expansão do sistema, com a interrupção da entrada de novos contratos e a redução da implantação para uma equipe por prefixo, até que o novo sistema se mostrasse “confiável” e as diversas falhas fossem corrigidas. Exigiu ainda garantias de que nenhum funcionário fosse prejudicado em Gedips ou avaliações em razão das dificuldades relacionadas ao Archibus.
Também foi solicitado que o banco realizasse reuniões em todos os prefixos envolvidos para informar sobre os encaminhamentos acordados e contribuir para a normalização do ambiente de trabalho. Porém, apesar das solicitações e da realização de um workshop para retirada de dúvidas e de uma reunião entre responsáveis pela implantação e o corpo funcional (na qual foi reconhecida a existência de problemas apontados pelo Sindicato), os relatos indicam que, nos dias seguintes, pouco mudou na prática. As medidas foram vistas mais como uma tentativa de amenizar o caos.
Mudanças sem efeito
Como as reclamações continuaram chegando, o Sindicato realizou uma nova consulta. Os resultados indicaram a continuidade da implantação sem alterações significativas. Além disso, funcionários de outros prefixos afetados se dispuseram a participar, relatando prejuízos decorrentes da utilização de uma ferramenta considerada inferior aos sistemas atualmente utilizados e consolidados. A avaliação do Sindicato é de que as medidas adotadas até o momento tiveram efeito limitado e não resultaram em mudanças concretas.
Segundo os relatos recebidos após a nova consulta, gestores passaram a ser cobrados pelos problemas enfrentados na implantação do Archibus e orientados a “vender melhor” a ferramenta às equipes. Para os trabalhadores, isso teria provocado uma transferência do problema estrutural do sistema para os gestores e subordinados, alterando a forma de pressão exercida dentro das equipes. Funcionários afirmam que a cobrança passou a atingir os gerentes de forma mais intensa, levando-os a adotar posturas mais rígidas junto aos subordinados, ampliado a sensação de assédio institucional.
“De acordo com as informações recebidas pelo Sindicato, novos afastamentos ocorreram desde então, incluindo outros dois casos de distúrbios mentais além de aposentadoria precoce”, conclui Ana Smolka.
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Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região