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ARTIGO – Campanha Salarial 2007: “Não Está Morto, Quem Peleia!”

Todo ano é a mesma história. Trabalhadores do ramo financeiro, representados por dirigentes sindicais se reúnem em uma ampla assembléia nacional, discutem propostas e, via Federação e Sindicatos, aprovam uma minuta de reivindicações com base nas principais carências da categoria.

A sina continua em 2007. E porque estamos em junho, vale mencionar: a luta está apenas começando. Registramos nas linhas seguintes, um pouco do que foi nossa história de luta ao longo dos últimos períodos, desde a fundação da FETEC – CUT – PR, em janeiro de 92. A história nos mostra que o legado de lutas da categoria nos credencia a encarar novos desafios.

A primeira Convenção Coletiva Nacional, um acordo único e com validade para todo o país, foi assinado no ano em que a FETEC – CUT – PR foi criada. A categoria permanece como a única com um acordo coletivo nacional. Três anos depois, conquistamos a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de forma pioneira, embora lutemos ano após ano por uma distribuição mais justa.

Na Campanha Salarial de 97, os trabalhadores bancários conquistaram complementação salarial para afastados por doença ou acidentes por um período de 24 meses. No ano seguinte, nossa categoria comemorou a conclusão do Programa de Prevenção, Tratamento e Readaptação de LER/DORT.

A igualdade de oportunidades foi inserida na Convenção Coletiva de 2000. Os patrões e os trabalhadores se comprometeram a buscar mecanismos de proteção contra a discriminação e a favor da igualdade. A luta vinha desde 96.

Em 2003, toda a categoria bancária, tanto funcionários de bancos públicos como privados, brigou pelo mesmo índice de reajuste salarial na primeira Campanha Salarial Unificada realizada pela categoria. Em 2004, em Curitiba, em função da intransigência patronal, realizamos a maior greve de nossa categoria no Estado com paralisação de 28 dias. Neste ano, o movimento sindical também conseguiu liminar obrigando ao banco HSBC a emitir Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e conceder estabilidade para os bancários em tratamento.

Em 2005, os bancários da Caixa Econômica Federal conquistaram a igualdade de valor da cesta-alimentação em relação aos demais bancários. Os trabalhadores do Bradesco, por sua vez, conquistaram a isenção de tarifas bancárias. No ano seguinte, um marco na história de lutas da categoria. É criada, durante assembléia realizada em Curitiba, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf – CUT).

Também no ano passado, a categoria conseguiu implantar um grupo de trabalho, composto por representantes dos trabalhadores e dos patrões, para debater o assédio moral nas instituições financeiras. Outra conquista foi a participação dos bancos públicos federais em todas as etapas de negociação e a assinatura conjunta das instituições bancárias na Convenção Coletiva de Trabalho. Os trabalhadores bancários também conseguiram a PLR adicional, nova conquista agregada na Convenção.

As conquistas relatadas são fundamentais para continuarmos na luta. Porém, é importante ressaltar: uma Campanha Salarial não é feita apenas de vitórias. É certo que os dissabores enfrentados durante alguns anos, servem, de alguma forma, como filtro para mensurar o que vamos enfrentar este ano. Com a premissa de que iremos travar memoráveis batalhas, precisamos nos conscientizar de que há muito a ser feito para que a categoria possa, de fato, ser mais valorizada. O passo a mais, o plus que precisamos na nossa jornada tem de passar pela união de cada trabalhador.

Chega de querer ser o “exército de um homem só”. A história mostra que são raros os casos em que se consegue algo, agindo de forma independente. Assim, a unidade de todos os trabalhadores bancários, sejam eles ligados ou não ao movimento sindical, vinculados a bancos públicos ou privados, é o princípio de novas conquistas para a categoria. Sobretudo, quando vislumbramos as cifras recorde dos banqueiros e a cada vez mais alta lucratividade do Sistema Financeiro Nacional.

Num momento em que os governos populares, com presidentes oriundos da classe trabalhadora, se proliferam pela América Latina e a “união” das Américas volta a dominar o cenário internacional, com a realização dos Jogos Panamericanos no Brasil, a palavra de ordem é somar forças. O empenho de cada trabalhador em prol de um objetivo único, numa luta geralmente desigual, minimiza as já acentuadas diferenças. Vamos à Campanha Salarial 2007! Não está morto, quem peleia!

Elias Hennemann Jordão
Secretário de Administração e Finanças da FETEC-CUT/PR

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