A Cassi, de longa data, vem sendo tripudiada pelo BB e por outras forças que acabam se referenciando nele, por mais que o neguem. Mergulhada em crise de sustentação financeira pelas sucessivas sonegações de contribuições e compromissos por parte do Banco desde a era FHC, nossa Caixa de Assistência ainda conseguiu inovar, ousando buscar um Novo Modelo Assistencial que, lutando contra o “status quo” do setor de saúde no Brasil, trouxe uma lógica que tornou a assistência à saúde mais humana, mais efetiva e com melhor resultado econômico também.
Não bastasse o preço de desagradar interesses de atores externos (a máfia da saúde e a corrente do atraso), a Cassi e seu modelo transformador ainda tiveram que lidar com sucessivas gestões internas – salvo algumas honrosas exceções – que não compreendem o que o movimento de saúde do funcionalismo trouxe e implantou como alternativa. Não compreendem e, o que é pior, nem querem compreender.
Da parte do BB, ter trocado o Diretor Administrativo-Financeiro 8 vezes em menos de 10 anos foi um sinal inequívoco do pouco caso que teve com qualquer projeto consistente de gestão.
Da parte dos eleitos, temos enfrentado, desde 2000, habilidosas vitórias do grupo hegemônico da Anabb – à exceção de 2002 –, que mostrou saber usar máquina publicitária, recursos e discurso. Contudo, não se vê a mesma habilidade na hora de comandar a Cassi.
Há seis anos, sua gestão tecno-burocrática mal dá conta do cotidiano da Diretoria que tem dominado, ficando as sucessivas promessas desse período ocupando o imaginário do eleitor sem concretização. Nada de Plano Odontológico; nenhuma recuperação brilhante do Plano de Associados (apesar da política adotada altamente restritiva na concessão de benefícios ter anunciado isto); o Convênio de PCMSO com o BB está em aberto; e a Política Farmacêutica permanece enroscada.
Com uma discussão que nunca priorizou a Estratégia de Saúde da Família (ESF), a Anabb agora é monopólio no poder eleito da Cassi.
Na campanha eleitoral para ganhar a segunda Diretoria, esse grupo até que afirmou o tempo todo que defenderia esta estratégia, a de Saúde da Família. Do mesmo modo que afirmou que ele teria autonomia de verdade para impor ao BB um acordo que recuperasse a saúde financeira do Plano de Associados.
Mas o tempo vai passando, e o que temos visto neste início é uma gestão que sequer consegue vencer a discussão interna da Cassi, deixando adentrarmos agosto/2006 sem orçamento aprovado até agora. De outra parte, vemos discursos que descaracterizam o Modelo Assistencial, ressuscitando a discussão neoliberal do custo operacional do atendimento em serviços próprios comparado com a rede credenciada, mesmo discurso usado pelo BB em 1998 para interromper as Clinicassi. Como se não importasse o efeito do modelo sobre a qualidade de vida dos assistidos e sobre a evolução das despesas reais com a assistência!
Se as falas sobre a razão de ser da Cassi são tão parecidas com as do BB e tão desprovidas de densidade, como esperar firmeza desse grupo na negociação do pacote?
Não acreditamos, por enquanto, que esse grupo queira prejudicar a evolução da Cassi. Mas percebemos que seu conhecimento pouco denso e seu preconceito de análise, além de pouco fazerem de fato pelo avanço das causas dos associados, correm o risco de levar a Cassi ao imobilismo, deixando o BB à vontade para manter a proposta cheia de “bodes” e ainda responsabilizar o impasse à falta de consenso e de contra-proposta na bancada eleita.
E o Banco do Brasil, que já sabe ser inevitável que a Cassi se transforme e conclua a implantação do Novo Modelo, deita e rola: tendo apresentado um pacote cujos únicos méritos são reconhecer que a saída está no Modelo Assistencial e assumir que tem alguma responsabilidade no problema, o BB busca liquidar a fatura por baixo.
Pagar R$ 120 milhões em 4 anos nem se aproxima da real dívida que possui. E a insistência em não manter a isonomia entre funcionários pré e pós-1998 é um insulto à inteligência coletiva e aos princípios do Direito.
Nós sabemos e o BB também sabe que há muito a avançar nessa negociação! É urgente um grande debate no seio do movimento do funcionalismo. Esta mesa de negociação não irá evoluir sem mobilização. E sem mobilização, tampouco vislumbramos avanços na gestão da Cassi. Sem compreensão do processo, o grupo que monopoliza o poder eleito parece ir paralisando os trabalhos, principalmente os ligados ao Novo Modelo de Assistência, à espera do milagre da injeção dos recursos, para administrar “o que der” até a próxima eleição. Exatamente o que se faz quando não se sabe o que fazer. Vamos “ajudar” nossos companheiros cobrando deles mais ação!!!
* Milton Rezende é vice-presidente da Contraf-CUT e funcionário do BB