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Por 23:32 Sem categoria

As lições da greve do magistério paulista

Carlão: “Unidade e mobilização para derrotar política de arrocho e desmonte do ensino público”

Em entrevista para o Portal do Mundo do Trabalho, Carlos Ramiro de Castro, coordenador do Conselho do Funcionalismo do Estado de São Paulo, diretor da Apeoesp (Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e vice-presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT-SP) faz uma avaliação do movimento grevista do professorado paulista e os desdobramentos da luta pela valorização profissional e pela melhoria da qualidade do ensino.

Após um mês de paralisação contra o arrocho salarial e o desmonte do ensino público paulista, os professores decidiram em assembleia na quinta-feira (8) voltar às aulas. Qual a principal lição desta greve?

A de que a unidade e a mobilização da categoria são elementos cruciais para qualquer avanço. Principalmente, diante de um governo que tem como marcas a intolerância e a truculência, o desprezo à democracia e o temor ao diálogo. O governo Serra não tem vontade política e também não tem capacidade de negociação. Temos a convicção de que é uma obrigação dos educadores ampliar o diálogo com os estudantes e seus pais, com o conjunto da comunidade escolar, alertando para o verdadeiro atentado que representa a continuidade deste desgoverno para a qualidade do ensino, para o presente e o futuro da educação das nossas crianças e jovens. Prova disso é que o Estado de São Paulo, o mais rico do país, é também o que mais tem arrochado os salários dos professores, onde eles caíram mais três posições, ocupando atualmente o 14º lugar de uma fila muito pouca generosa.

E o papel dos jornalões e das grandes emissoras de rádio e televisão?

Os grandes meios de comunicação comprovaram ser instrumentos para desinformar a sociedade, manipulando ao extremo para blindar o seu candidato a presidente. Com esta blindagem, após negar a existência do movimento grevista, que dizia ser de apenas 1% da categoria, o governador José Serra usou de todos os expedientes à sua disposição para chantagear e intimidar os grevistas. A mídia comporta-se de forma venal, como um papel carbono do desgoverno.

Essa mesma mídia que durante muito tempo fez coro com esse desgoverno, tentando invisibilizar a greve, deu uma ampla cobertura sobre alguns empurrões no encerramento da última assembleia no Masp. Qual o objetivo dessa cobertura tão tendenciosa?

Há um ponto em que a democracia em nosso país está extremamente capenga, pelo brutal monopólio exercido pelos meios de comunicação, que unificam a pauta reacionária em torno da oposição demotucana e tentam criminalizar os movimentos sociais e todos aqueles que veem como ameaça ao seu projeto de dominação. O desgoverno tucano dizia que a educação estava uma maravilha, que havia dois professores por sala, bônus milionários, que a escola pública estava um verdadeiro paraíso. Mas assim como é impossível deter a chegada da primavera, a verdade se impôs. Dezenas de milhares tomaram as principais avenidas da capital e marcharam até o Palácio dos Bandeirantes, rasgando o véu da hipocrisia e jogando no ralo a ficção daquelas propagandas milionárias. Demonstramos que, após nove anos de política de “bônus’, onde as perdas salariais alcançam 34,3%, houve queda na qualidade do ensino, com São Paulo não atingindo sequer a metade da nota seis, que os educadores têm como a média internacional.

Apesar do esforço dos professores, a qualidade do ensino está despencando no estado de São Paulo…

Os alunos não conseguiram alcançar a nota três, isso é fato. Mais, é fruto de uma política de desvalorização do magistério, de desmonte da escola pública, de abandono de laboratórios e bibliotecas, da falta de segurança nos estabelecimentos de ensino, de materiais didáticos e apostilas que são um verdadeiro achincalhe à inteligência, como aquela que exibiu dois paraguais e desapareceu com o Equador. Aí temos uma assembleia no Masp onde alguns infiltrados que não pertencem à categoria, insuflados por elementos da oposição à Apeoesp, fizeram cena para sair na imprensa, tentando tirar o foco do inimigo e dar uma mãozinha para o Serra na tentativa de desgastar a entidade. Fizeram conscientemente o jogo do governo do PSDB e de sua mídia contra a direção da Apeoesp que é, precisamente, quem está tocando a luta com muita responsabilidade e serenidade.

Durante a greve, o vice-presidente da Apeoesp, que é do PSTU, deu declarações contra a direção da entidade à Folha de S. Paulo, reproduzindo a mesma argumentação utilizada pelo governador José Serra. O que fazer?

Todo processo é um ensinamento, o que deve nos estimular à reflexão. Até o presente momento, a composição da direção da Apeoesp ainda é proporcional, o que possibilita a permanência de grupos minoritários que se comportam e assumem como oposição à entidade, que boicotam a sua política, que minam a sua identidade.

O que atenta contra a própria democracia…

Na minha opinião, esta é uma questão que deve ser revista urgentemente no próximo congresso, uma vez que atenta contra a democracia interna e a própria democracia no sentido mais amplo, que é a vontade da maioria. No meio de uma violenta queda de braço como a que tivemos, isso ficou evidente. Saltou aos olhos. É inadmissível que pessoas que consideram oposição à Apeoesp venham reproduzir a fala do governante de plantão contra a entidade. Isso é o fim da picada. Os professores não querem isso.

Do ponto de vista da mobilização, quais os próximos passos?

A mobilização vai continuar por meio de várias ações aprovadas pela assembleia. Dia 7 de maio é a data limite definida pela categoria para a apresentação de contrapropostas por parte do governo, quando realizaremos nova assembleia para debater e aprovar os encaminhamentos. Serão produzidos materiais denunciando as políticas adotadas pelo governo estadual que prejudicaram a escola pública e seus profissionais, entre eles uma cartilha para ser usada pelos docentes durante as aulas. Ao responder as mentiras que os demotucanos e sua mídia querem cristalizar como verdades, vamos dando elementos de consciência para o conjunto da população refletir sobre o significado desta manipulação, para que superemos nas ruas e nas urnas este desgoverno.

Por Leonardo Severo.

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Professores paulistas suspendem greve, mas dão ultimato ao governo tucano

Nova assembleia no dia 7 de maio

Reunidos no vão livre do MASP (avenida Paulista) na tarde desta quinta-feira, 8, cerca de cinco mil integrantes do Magistério decidiram suspender a greve que completava exatos 30 dias.

A avaliação é que a intolerância do governo, que não abriu negociações e tomou várias medidas para intimidar os grevistas, acabou deixando a categoria sem perspectivas e houve um refluxo.

A mobilização continuará através de várias ações aprovadas pela assembleia. Dia 7 de maio é a data limite aprovada pela categoria para a apresentação de contrapropostas por parte do governo. Neste dia, os professores realizam nova assembleia para debater e aprovar os encaminhamentos.

Mobilização permanente

A greve foi suspensa mas mantém-se a mobilização permanente para forçar a negociação e o atendimento das reivindicações.

Logo após a assembleia, nesta quinta-feira, a APEOESP contatou a Secretaria e conseguiu agendar a primeira reunião para o dia 13 de abril, às 11h30. Portanto, conforme deliberação da assembleia, as subsedes da Capital e da Grande São Paulo devem organizar os professores para manifestações em frente à Secretaria da Educação já na terça-feira, demonstrando ao governo que a luta continua. Na tarde do dia 7 de abril, durante reunião entre as entidades do Magistério e o secretário da Educação, a diretoria da APEOESP reafirmou todos os pontos da pauta, inclusive o pagamento dos dias parados. O secretário não apresentou qualquer proposta, mantendo a posição de não conceder reajuste, mas comprometeu-se a instalar negociação. Também não acatou o não desconto dos dias parados, afirmando que fará o pagamento na medida em que as aulas forem repostas. A APEOESP vai insistir no não desconto, por todos os meios possíveis. Também vamos reforçar a pauta de reivindicações, conforme aprovado em todas as instâncias do Sindicato.

Ações mobilizatórias

É de suma importância que a mobilização seja intensa em todas as regiões do Estado. O Sindicato produzirá materiais denunciando as políticas adotadas pelo governo que prejudicaram a escola pública e seus profissionais. Como parte destes materiais, elaborará cartazes com o ranking dos salários de professores de todo o Brasil, mostrando que SP caiu da 11ª para a 14ª posição. Produzirá uma cartilha que poderá ser usada pelos docentes durante as aulas, denunciando o caos na educação paulista instalado pelas administrações do PSDB. Serão também disponibilizados à comunidade escolar aerogramas pré-pagos solicitando do governo o atendimento das reivindicações em defesa da melhoria da escola pública.

Também ficaram definidas medidas envolvendo a Sede Central e subsedes do Sindicato para a constituição de um fundo de greve que servirá para atendimento de necessidades emergenciais dos professores que poderão ficar sem salários devido à greve, caso a questão dos dias parados não seja resolvida até o próximo pagamento.

Demissões são ilegais

Na reunião com o secretário da Educação, ocorrida às vésperas da assembleia, a APEOESP denunciou medidas arbitrárias que vinham sendo tomadas por dirigentes regionais de ensino, entre elas a demissão de professores temporários “categoria O”. O secretário negou que tenha tomado tal decisão e afirmou que o DRHU orientaria os dirigentes a revogarem esta medida.

Todo e qualquer caso de demissão de professores em razão da greve deve ser imediatamente comunicado à Presidência da APEOESP e os professores prejudicados devem buscar o departamento jurídico para que sejam tomadas as medidas cabíveis. A APEOESP também levará à mesa de negociação a reivindicação de alteração na lei complementar 1093/2009, no sentido de que os professores “categoria O” sejam equiparados aos “categoria L”, ou seja, que possam permanecer na rede estadual de ensino, sem interrupção, até o final de 2011.

Subsedes devem organizar caravanas de aposentados à Alesp dia 13

A Assembleia Legislativa (Alesp) iniciará na próxima terça-feira, 13, a votação do projeto de lei que prevê a incorporação da GAM , em três parcelas, para os professores da ativa e aposentados. É importante que as subsedes organizem caravanas de aposentados para participar da sessão plenária e pressionar os deputados a aprovarem emenda que prevê a incorporação da GAM para os aposentados numa única parcela.

Os nomes dos(as) aposentados(as) que comparecerão à Alesp devem ser comunicados imediatamente à Presidência da APEOESP (até, no máximo, dia 12/04), através do e-mail presiden@apeoesp.org.br.Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

Diretoria da APEOESP

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.cut.org.br.

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