Medidas do governo interino e ataques aos direitos dos trabalhadores foram os focos das discussões.
Mais de 250 delegados de todo o estado estão reunidos em Toledo, neste fim de semana, 01, 02 e 03 de julho, para 18° Conferência Nacional dos Bancários do Paraná. Ao longo destes três dias, os representantes dos trabalhadores realizam debates de conjuntura que irão subsidiar as discussões sobre as propostas para a Campanha Nacional dos Bancários 2016. “Trata-se de mais um passo importante na construção da nossa campanha salarial, que contribuirá com a unificação e organização da categoria”, explica Elias Jordão, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região.
Ainda na sexta-feira, 01 de julho, o coordenador do Diap Antônio Augusto Queiroz falou sobre Conjuntura política: O processo legislativo e os ataques contra os direitos do povo brasileiro. Segundo ele, está em andamento um duplo ataque aos direitos dos trabalhadores brasileiros: de um lado, as medidas de um governo interino (Michel Temer) que pretende, por meio do ajuste fiscal, reduzir direitos sociais e transferir renda dos mais pobres para os mais ricos; e, de outro, um Congresso Nacional conservador e retrógrado que agora tem apoio do Poder Executivo para fazer tramitar e aprovar leis que promovem a redução de direitos, a terceirização e as privatizações, entre outros.
“A Ponte para o Futuro de Temer é, na verdade, uma transferência de renda às avessas: dos mais pobres para os ricos. Aliada ao Congresso Nacional, as mudanças propostas não reduzirão a capacidade de intervenção do Estado brasileiro, mas redirecionarão essa intervenção, ficando a serviço dos setores econômicos”, resumiu Antônio Augusto Queiroz. “Diante dessa dupla ameaça, nós temos que ter uma dupla atuação: não podemos aceitar um direito a menos e, para isso, precisamos ir para as ruas numa ação articulada. Em paralelo, temos que pressionar os deputados e alertá-los que, com o fim do financiamento empresarial de campanha, não haverá votos para aqueles que votarem contra os trabalhadores”, finalizou. “Nós somos 70 milhões de trabalhadores e, juntos, podemos mudar o cenário!”.
“Podemos virar o jogo”
O segundo dia Conferência Estadual, no sábado, 02 de julho, iniciou com a análise conjuntura econômica e política em tempos de crise. O filósofo e professor Emir Sader começou pontuando que o governo interino de Temer tenta desmontar o Brasil, liquidando o patrimônio público, o direito dos trabalhadores e os recursos das políticas sociais. Para ele, o que está colocado no cenário político atual é uma tentativa de restringir o país do tamanho do mercado.
Para ele o grande erro da esquerda foi a incapacidade de eleger um Congresso Nacional representativo, com os movimentos populares, sociais, políticos, sindicais, as entidades de mulheres, negros e jovens. Por isso, segundo o professor, a via estratégica é a democratização do Estado, que passa pela mudança radical da composição do parlamento. “A direita conseguiu o que ela queria, que era nos tirar do governo. Não vai ser fácil, mas podemos virar o jogo. Pois, temos que derrotá-los. Os bancos públicos têm um papel fundamental e essencial nisso tudo. Não ao golpe e Fora Temer nos unifica. Mas, é hora de intensificar a mobilização e de reconstruir um consenso político. Ou a gente acaba com esse governo ou esse governo acaba com o Brasil”, concluiu Emir Sader.
Por Renata Ortega
Notícia colhida no sítio http://www.bancariosdecuritiba.org.br/noticias-interna/5/geral/25163/bancarios-do-parana-debatem-conjuntura-politica-e-economica