Nesta terça-feira, 29 de abril dirigentes do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região, em conjunto com diversas outras categorias de trabalhadores das cidades e do campo, participarão da Marcha da Classe Trabalhadora, que vai acontecer em Brasília. Convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), juntamente com as demais entidades que fazem parte do Fórum das Centrais Sindicais, a marcha faz parte das atividades do 1º de Maio e antecede uma série de ações estratégicas que serão realizadas até 2026 para fortalecer a atuação do movimento sindical.
“Com as mudanças no mundo do trabalho, o fim da escala 6×1 mostra-se possível e necessária. Na década de 1960, lutamos pelo 13° salário e, naquela época, o discurso usado por quem discordava já era o mesmo daquele utilizado por quem é contra a redução de jornada. Outra pauta de suma importância para os trabalhadores é isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, um passo essencial para diminuirmos a desigualdade social e tributária. Essas pautas têm capacidade de promover mudanças significativas na vida dos trabalhadores, para além do trabalho. Por isso, dia 29, estaremos em Brasília, reforçando nossa luta e reafirmando ao Congresso Nacional que essas mudanças são possíveis e urgentes”, resume a dirigente sindical Samanta Almeida.
Pauta da Classe Trabalhadora
Após a Marcha da Classe Trabalhadora, um documento com as reivindicações da classe trabalhadora será entregue aos presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, e do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Aloysio Corrêa da Veiga.
Entre as reivindicações que compõem o documento estão a redução da jornada de trabalho sem redução salarial; fim da escala 6×1; medidas contra a alta do custo de vida; isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil, com descontos para quem recebe até R$ 7 mil; redução das taxas de juros; e incentivo à geração de empregos. O documento também reforça a luta pela igualdade salarial e de oportunidades entre homens e mulheres.
Menos impostos para bancários
Uma das principais reivindicações da Pauta da Classe Trabalhadora, a isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil, com descontos para quem recebe até R$ 7 mil (já apresentada pelo governo Lula como PL 1.087/2025), se aprovada no Congresso beneficiará boa parte da categoria bancária, significando até mesmo um 14º salário para muitos trabalhadores. Com a isenção, 54 mil bancários não precisarão mais pagar impostos, outros 68 mil terão descontos no valor a pagar e 26 milhões de brasileiros, no total, estarão isentos.
Quem ganha mais, paga mais
Como o governo é obrigado pela legislação a propor medidas compensatórias para a perda de arrecadação com o aumento da faixa de isenção do IR, foi incluída no projeto de lei uma alíquota mínima de até 10% de imposto para quem ganha mais de R$ 600 mil por ano e não paga IR, ou paga taxa abaixo do que é cobrado para esta faixa de renda.
Entram nessa conta (de mais R$ 600 mil por ano) salário, renda com aluguéis, dividendos e outros rendimentos (não entram na soma herança e venda de bens). Para os que ganham mais de R$ 600 mil ao ano, aplica-se uma alíquota que cresce gradualmente, até chegar a 10% para quem ganha R$ 1,2 milhão ou mais. Mas essa regra só vai afetar 141 mil pessoas, que correspondem a 0,06% da população brasileira e 0,13% de todos os contribuintes do país. Hoje, a alíquota média destes contribuintes de alta renda é de apenas 2,54%.
Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região, com informações do SP Bancários