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Banco Central decide juro sob pressão e na mira da Comissão de Valores Mobiliários

Manifesto de sindicalistas, empresários e intelectuais dá apoio político à decisão do governo de enfrentar crise global com corte de juros e cobra do Banco Central nova queda quarta-feira. Texto diz que Selic ‘fomenta comportamento rentista e improdutivo’. Em pesquisa do BC, ‘mercado’ projeta queda de meio ponto. Em agosto, ‘mercado’ surpreendeu-se com queda mas fizera operações suspeitas que Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está a investigar.

BRASÍLIA – A diretoria do Banco Central (BC) decide sobre a taxa de juros na quarta-feira (19) mais uma vez sob pressão política. Mas, se na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) a pressão fora comandada por sindicalistas e estudantes, agora, empresários e intelectuais vão ajudar a fazer coro por nova redução da Selic, algo desta vez esperado até pelo ‘mercado’.

Em agosto, o ‘mercado’ fora surpreendido com corte de meio ponto da taxa. Oficialmente, segundo pesquisa semanal do BC, apostava que a Selic ficaria igual. Mas a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) detectou, às vésperas do Copom anterior, operações atípicas em contratos de juro futuro, as quais tinham a premissa de que a Selic cairia, e abriu uma investigação para descobrir o motivo.

Na pesquisa divulgada pelo BC nesta segunda-feira (17) – o levantamento costuma ouvir de 90 a 100 instituições -, a previsão do ‘mercado’ é de outra queda de meio ponto, o que baixaria a Selic para 11,5%. Por outro lado, o mesmo “mercado” aumentou um pouco a projeção de inflação para o ano que vem, que já é o centro das preocupações do BC.

De qualquer forma, a repetição do corte da Selic é o que esperam centrais sindicais, empresários do setor produtivo e intelectuais que, nesta terça-feira (18), primeiro dia de reunião do Copom, lançam, durante ato em São Paulo, manifesto contra os juros altos no Brasil.

“Acreditamos que reduções adicionais dos juros darão ao país a oportunidade de iniciar um movimento de combate à crise [global], apoiado na maior competitividade de nossas exportações e no dinamismo de nosso mercado interno”, diz o texto. “Assim, a redução da taxa de básica de juros aliada a uma política industrial ativa e realista são fundamentais para preservarmos postos de trabalho e continuarmos a crescer com mais emprego e renda.”

Até às 11h desta segunda, o manifesto “Movimento por um Brasil com juros baixos: mais emprego e maior produção”, que já está disponível na internet, contava com 380 assinaturas de apoio.

Entre os signatários, estão os presidentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Os embaixadores José Viegas, ex-ministro da Defesa, e Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário-geral do Itamaraty. Os economistas Luiz Gonzaga Beluzzo, Carlos Lessa e Luiz Carlos Bresser-Pereira. O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann. E os ex-secretários do ministério da Fazenda Julio Sérgio Gomes de Almeida (Política Econômica) e Ozires Silva (Receita Federal).

O documento reclama de o Brasil ser “um caso único na história econômica de prática de taxa de juros reais de dois dígitos por 16 anos seguidos”. De a Selic atual, mesmo menor, ainda ser capaz de atrair “capitais especulativos” e de fomentar “comportamento rentista e improdutivo”. E de o pagamento de juros drenar “recursos que poderiam atender as enormes carências de infraestrutura, saúde, transporte, telecomunicações, educação, saneamento” do país.

O manifesto endossa o diagnóstico do governo de que a crise mundial afetará o crescimento do país e, assim, ajudará a controlar a inflação. E, sobretudo, dá apoio político à decisão do governo de enfrentar a crise prioritariamente com corte de juro. Essa foi uma opção política do governo, que poderia ter escolhido, como em 2008/2009, dar peso maior à política fiscal – gastos públicos.

O governo acha que a crise pode ser a oportunidade de o Brasil, enfim, colocar sua taxa de juros real em patamar condizente com os praticados pelo mundo.

Por André Barrocal

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cartamaior.com.br

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