A taxa geral passou para 35,6% ao ano em outubro contra 35,3% de setembro
Brasília – As taxas de juros subiram em outubro, segundo dados do Banco Central (BC), divulgados na quarta-feira 25. Foi o primeiro aumento dessas taxas desde novembro de 2008 registrado pela entidade. A volta da escalada das cobranças já havia sido avaliada em pesquisa da Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgada no dia 12.
A taxa geral passou para 35,6% ao ano, ante 35,3% anuais em setembro. A específica para pessoas físicas (famílias) aumentou 0,6 ponto percentual, para 44,2% ao ano.
Para as pessoas jurídicas (empresas), os juros anuais passaram de 26,3% para 26,5%. A taxa do crédito pessoal, que inclui as operações de crédito com desconto em folha, passou de 44,7%, em setembro, para 45,7% ao ano, em outubro. Os juros anuais cobrados para a compra de veículos também subiram: passaram de 24,9% para 25,6%.
A exceção ficou com a taxa cobrada no cheque especial, que ficou em 160% ao ano, ante 162,7% ao ano, em setembro. A inadimplência ficou estável para as empresas (4%) e caiu para as pessoas físicas, passando de 8,2%, em setembro para 8,1%, em outubro. A inadimplência geral permaneceu em 5,8%.
O spread (diferença entre taxa que o banco paga aos investidores e a que cobra dos clientes na hora do empréstimo) geral permaneceu em 26 pontos percentuais. Para pessoa física, passou de 33,4 para 33,5 pontos percentuais e para as empresas permaneceu em 17,7 pontos percentuais.
O prazo médio dos empréstimos para as empresas passou de 268 para 267 dias corridos. Para as pessoas físicas, houve aumento do prazo de 506 para 513 dias corridos. O prazo médio total passou de 374 para 377 dias corridos.
Por Redação – 25/11/2009.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.
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NOTA PARA A IMPRENSA – 25.11.2009
Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
I – Evolução dos agregados monetários
A base monetária, considerada a média dos saldos diários, alcançou R$145,6 bilhões em outubro, registrando aumentos de 0,3% no mês e de 4,1% em doze meses. Entre seus componentes, o saldo médio do papel-moeda emitido cresceu 1,2% no mês, ao contrário das reservas bancárias que recuaram 2,5%.
Dentre os fatores de emissão monetária, destacaram-se as compras líquidas de divisas pelo Banco Central no mercado interbancário de câmbio, que somaram R$11,9 bilhões, compensadas, em parte, pelo impacto contracionista das operações do Tesouro Nacional, que atingiram R$6,3 bilhões. As operações com títulos públicos federais, incluindo a atuação do Banco Central no ajuste de liquidez do mercado monetário, contribuíram no sentido contracionista com R$5 bilhões, resultantes de resgates líquidos de R$28,2 bilhões de títulos do Tesouro Nacional e de vendas líquidas de R$33,2 bilhões no mercado secundário.
O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$211,3 bilhões em outubro, com acréscimos de 1,5% no mês e de 7,8% em 12 meses. A variação mensal refletiu os crescimentos de 2,4% no saldo médio dos depósitos à vista e de 0,3% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, estes componentes expandiram-se 5,5% e 11,2%, respectivamente.
Os meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 acrescido de depósitos para investimentos, depósitos de poupança e títulos privados, registraram contração de 0,3% em outubro, totalizando R$1,1 trilhão. O saldo dos depósitos de poupança registrou crescimento de 0,8%, refletindo captações líquidas de R$1 bilhão. O saldo de títulos privados recuou 1,2%, refletindo resgates líquidos de R$8,3 bilhões, situando-se em R$600,5 bilhões.
O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, registrou alta de 0,7% no mês, resultado das elevações de 1,9% nas quotas dos fundos e de 2,6% nas operações com títulos. O M4, conceito que agrega ao M3 os títulos públicos de detentores não financeiros, registrou elevação de 1,1% em outubro e de 16,6% em doze meses, totalizando R$2,5 trilhões.
II – Operações de crédito do sistema financeiro
A expansão do crédito prossegue em gradual recuperação, favorecida pela evolução positiva dos indicadores do mercado de trabalho e pela retomada da atividade econômica, que repercutem favoravelmente nas decisões de consumo e investimento. O saldo das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$1.367 bilhões em outubro, apresentando crescimentos de 1,4% no mês e de 15,3% em doze meses. Em decorrência, o estoque total de crédito correspondeu a 45,9% do PIB, comparativamente a 45,7% em setembro e a 39,5% em outubro de 2008.
O crédito com recursos livres, equivalente a 68,1% do total da carteira do sistema financeiro em outubro, alcançou R$931 bilhões, com elevações de 1% no mês e de 9,7% em doze meses. O saldo dos empréstimos destinados a pessoas físicas aumentou 1,4% no mês e 17% em relação a outubro de 2008, totalizando R$457,5 bilhões, enquanto as contratações com pessoas jurídicas, sustentadas pelas operações com recursos domésticos, cresceram 0,7% e 3,6%, nas mesmas bases de comparação.
Os financiamentos baseados em recursos direcionados cresceram 2,2% no mês e 29,4% em relação a outubro de 2008, somando R$435,9 bilhões. O resultado mensal foi determinado, principalmente, pelo desempenho das operações do BNDES e do segmento habitacional, cujos saldos alcançaram R$261,9 bilhões e R$81 bilhões, revelando evoluções de 1,7% e de 3,1%, respectivamente.
A participação relativa dos bancos públicos no mercado de crédito aumentou 0,1 p.p., alcançando 40,7% em outubro. Crescimento idêntico elevou a representatividade das instituições privadas nacionais para 40,8%, enquanto que a parcela referente aos bancos estrangeiros diminuiu de 18,7% para 18,5%.
Os desembolsos realizados pelo BNDES de janeiro a setembro deste ano totalizaram R$95,9 bilhões, acumulando incremento de 59,8% em relação a igual período de 2008. Esse desempenho foi determinado pelo crescimento de 97,4% nas operações destinadas à indústria, volume de R$48,8 bilhões, traduzindo, basicamente, a demanda do segmento de coque, petróleo e combustível. O fluxo de novos financiamentos para comércio e serviços somou R$42,2 bilhões, com expansão de 34,5%, destacando-se as operações contratadas pelas áreas de eletricidade e energia, construção civil e de transporte terrestre.
As consultas formalizadas no BNDES, indicador antecedente de novos investimentos, alcançaram R$171,2 bilhões nos nove primeiros meses do ano, avançando 30,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa variação respondeu, sobretudo, ao aumento de 71% nos pedidos da indústria, saldo de R$84,8 bilhões. As solicitações do segmento de comércio e serviços cresceram 4,5%, ao totalizar R$81,3 bilhões, com ênfase para os setores de administração pública e telecomunicações.
II. 1 – Distribuição setorial do crédito
Os créditos ao setor privado, contempladas as operações com recursos livres e direcionados, somaram R$1.311 bilhões em outubro, registrando expansões de 1,4% no mês e de 12,7% em doze meses. Sobressaíram no mês os empréstimos destinados ao comércio, saldo de R$130,4 bilhões e aumento de 2,2%, os financiamentos habitacionais, saldo de R$85,3 bilhões e expansão de 3,1%, e o crédito rural, que somou R$113,6 bilhões, registrando alta de 2,5% no mês, com ênfase em recursos para custeio.
A dívida bancária do setor público, em outubro, situou-se em R$55,5 bilhões, com acréscimo mensal de 1,8%. Tal evolução refletiu o crescimento de 3,2% nos financiamentos destinados aos governos estaduais e municipais, que totalizaram R$22,4 bilhões, com destaque para a concessão de recursos para as áreas de saneamento básico e habitação popular. O saldo dos empréstimos ao governo federal atingiu R$33,1 bilhões, com expansão de 0,9% em relação a setembro, concentrada em operações com empresas do setor de energia.
II.2 – Operações com recursos livres – Crédito referencial para taxas de juros
No âmbito das modalidades que constituem o crédito referencial para taxas de juros, o saldo das operações destinadas a pessoas físicas aumentou 1,8% em outubro e 14,2% em doze meses, totalizando R$313,7 bilhões. Contribuíram para a evolução mensal, os crescimentos de 2,2% e de 2,6% em crédito pessoal e em financiamentos para aquisição de veículos, respectivamente.
As operações de crédito consignado, que representaram 59,1% do estoque de crédito pessoal em outubro, mantiveram ritmo de expansão semelhante ao observado em setembro, registrando aumentos de 2,4% no mês e de 32,4% em relação a igual período de 2008. Em sentido inverso, observou-se retração nas modalidades de crédito rotativo, cheque especial e cartão de crédito, cujos estoques recuaram 0,8% e 0,3% no mês, respectivamente.
No segmento de pessoas jurídicas, o saldo alcançou R$389,7 bilhões, após elevações de 0,9% no mês e de 2,6% em doze meses, sustentadas pelas operações com recursos domésticos, notadamente capital de giro, que registrou incrementos de 2,1% e 29,2% nas mesmas bases de comparação. As operações lastreadas em recursos externos, entretanto, reduziram-se 3,9% no mês e 32% em doze meses, refletindo a apreciação cambial de 1,9% em outubro, bem como a desaceleração no ritmo de concessões dos adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC).
A taxa média de juros do crédito referencial atingiu 35,6% a.a. em outubro, evidenciando incremento de 0,3 p.p no mês e redução de 7,3 p.p. em doze meses. O spread bancário manteve-se estável no mês, situando-se em 26 p.p., com redução de 2,3 p.p. comparativamente a outubro de 2008.
O custo médio dos empréstimos destinados ao segmento empresarial atingiu 26,5% a.a. em outubro, com alta de 0,2 p.p. no mês, refletindo, principalmente, o comportamento das taxas das contratações com encargos flutuantes, que apresentaram acréscimo mensal de 0,5 p.p. Nos financiamentos destinados às famílias, o custo médio alcançou 44,2% a.a., representando alta de 0,6 p.p. no mês. Essa elevação foi condicionada pelos juros do crédito pessoal e dos financiamentos para aquisição de veículos, cujas taxas médias situaram-se em 45,7% a.a. e em 25,6% a.a., respectivamente.
A taxa de inadimplência, considerados os atrasos superiores a noventa dias, registrou estabilidade em outubro, alcançando 5,8% do total da carteira de crédito referencial. Os atrasos das operações com pessoas jurídicas mantiveram-se em 4%, enquanto que os relativos ao segmento de pessoas físicas situaram-se em 8,1%, recuando 0,1 p.p. em relação a setembro.
Estatísticas complementares às divulgadas nesta nota podem ser obtidas na página do Banco Central, na internet:
* Economia e Finanças – Séries Temporais (http://www.bcb.gov.br/?SERIESTEMP).
* Sistema Financeiro Nacional – Informações sobre operações bancárias – Taxas de operações de crédito – Dados Consolidados (mensal) (http://www.bcb.gov.br/?TXCREDMES)
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bcb.gov.br.