O Banco Santos precisa de um aporte de pelo menos R$ 700 milhões em recursos para voltar a operar, segundo informações do diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Cavalheiro.
O banco sofreu intervenção do BC na noite de ontem (12). É o primeiro caso de intervenção da autoridade monetária num banco privado desde 1998.
Cavalheiro explicou que a instituição fiscaliza quase que diariamente o sistema bancário. No caso do Banco Santos, o BC constatou que o recolhimento compulsório dos depósitos a prazo, que os bancos são obrigados a fazer, não estavam sendo realizados há vinte dias.
Além disso, o banco não vinha provisionando corretamente recursos para se proteger de devedores duvidosos, o que provocou um rombo no patrimônio líquido do banco.
O diretor do BC explicou que em 31 de julho o patrimônio do Banco Santos era positivo em R$ 607 milhões. Com a aplicação das provisões, no valor de R$ 700 milhões, esse patrimônio ficou negativo em R$ 100 milhões.
O BC constatou irregularidades ainda no balanço financeiro, como a avaliação de operações com derivativos acima do preço de mercado.
“Se é maquiagem ou não de balanço, será apurado durante a intervenção”, afirmou Cavalheiro.
Segundo ele, os depósitos a prazo do Banco Santos somam cerca de R$ 1,8 bilhão. Com a intervenção, esses recursos ficam indisponíveis, ou seja, não podem ser sacados. O seguro bancário permite que cada cliente saque o valor máximo de R$ 20 mil.
Essa regra não vale para os fundos de investimentos. Vânio Aguiar, chefe de Supervisão Indireta do BC, nomeado o interventor no caso, terá de avaliar o valor dos ativos que compõem os fundos para decidir como pagar os cotistas . De acordo com Cavalheiro, a administração das cotas de fundos pode também ser transferida para outro gestor.
Pela lei, o processo de intervenção dura seis meses, podendo ser prorrogado, caso necessário, por mais seis meses. No entanto, Cavalheiro disse que a intervenção pode durar menos de seis meses se for encontrada uma solução para o banco.
O BC terá que apresentar um relatório sobre a situação da instituição em 60 dias.
Entre as hipóteses do que pode acontecer com o banco, o diretor do BC listou a liquidação financeira, decreto de falência, capitalização e reabertura, ou venda para outra instituição financeira. O dono do banco pode também decidir fechá-lo. Mas, para isso, precisaria pagar a dívida de R$ 100 milhões.
As operações do Banco Santos são basicamente de atacado, ou seja, voltadas para empresas.
A instituição tem cerca de 300 funcionários, que deverão ser mantidos no emprego. Para demitir ou contratar pessoas, o interventor terá que consultar o Banco Central.
A reabertura das agências depende de uma reavaliação do Banco Central.
Bens indisponíveis
Sediado em São Paulo, o Banco Santos é presidido por Edemar Cid Ferreira, cujos bens ficarão indisponíveis. O Banco Santos é, segundo levantamento do BC, o 21º maior banco do país, com cerca de R$ 6 bilhões em ativos, R$ 1,8 bilhões em depósitos e 303 funcionários.
Além de Ferreira, os diretores do banco nos últimos 12 meses também terão seus bens indisponíveis.
Fonte: Folha Online – IVONE PORTES
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Por Mhais• 16 de novembro de 2004• 09:58• Sem categoria
Banco Santos precisa de R$ 700 mi para voltar a operar
O Banco Santos precisa de um aporte de pelo menos R$ 700 milhões em recursos para voltar a operar, segundo informações do diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Cavalheiro.
O banco sofreu intervenção do BC na noite de ontem (12). É o primeiro caso de intervenção da autoridade monetária num banco privado desde 1998.
Cavalheiro explicou que a instituição fiscaliza quase que diariamente o sistema bancário. No caso do Banco Santos, o BC constatou que o recolhimento compulsório dos depósitos a prazo, que os bancos são obrigados a fazer, não estavam sendo realizados há vinte dias.
Além disso, o banco não vinha provisionando corretamente recursos para se proteger de devedores duvidosos, o que provocou um rombo no patrimônio líquido do banco.
O diretor do BC explicou que em 31 de julho o patrimônio do Banco Santos era positivo em R$ 607 milhões. Com a aplicação das provisões, no valor de R$ 700 milhões, esse patrimônio ficou negativo em R$ 100 milhões.
O BC constatou irregularidades ainda no balanço financeiro, como a avaliação de operações com derivativos acima do preço de mercado.
“Se é maquiagem ou não de balanço, será apurado durante a intervenção”, afirmou Cavalheiro.
Segundo ele, os depósitos a prazo do Banco Santos somam cerca de R$ 1,8 bilhão. Com a intervenção, esses recursos ficam indisponíveis, ou seja, não podem ser sacados. O seguro bancário permite que cada cliente saque o valor máximo de R$ 20 mil.
Essa regra não vale para os fundos de investimentos. Vânio Aguiar, chefe de Supervisão Indireta do BC, nomeado o interventor no caso, terá de avaliar o valor dos ativos que compõem os fundos para decidir como pagar os cotistas . De acordo com Cavalheiro, a administração das cotas de fundos pode também ser transferida para outro gestor.
Pela lei, o processo de intervenção dura seis meses, podendo ser prorrogado, caso necessário, por mais seis meses. No entanto, Cavalheiro disse que a intervenção pode durar menos de seis meses se for encontrada uma solução para o banco.
O BC terá que apresentar um relatório sobre a situação da instituição em 60 dias.
Entre as hipóteses do que pode acontecer com o banco, o diretor do BC listou a liquidação financeira, decreto de falência, capitalização e reabertura, ou venda para outra instituição financeira. O dono do banco pode também decidir fechá-lo. Mas, para isso, precisaria pagar a dívida de R$ 100 milhões.
As operações do Banco Santos são basicamente de atacado, ou seja, voltadas para empresas.
A instituição tem cerca de 300 funcionários, que deverão ser mantidos no emprego. Para demitir ou contratar pessoas, o interventor terá que consultar o Banco Central.
A reabertura das agências depende de uma reavaliação do Banco Central.
Bens indisponíveis
Sediado em São Paulo, o Banco Santos é presidido por Edemar Cid Ferreira, cujos bens ficarão indisponíveis. O Banco Santos é, segundo levantamento do BC, o 21º maior banco do país, com cerca de R$ 6 bilhões em ativos, R$ 1,8 bilhões em depósitos e 303 funcionários.
Além de Ferreira, os diretores do banco nos últimos 12 meses também terão seus bens indisponíveis.
Fonte: Folha Online – IVONE PORTES
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