O Globo – Patrícia Eloy
Nem bem começou o calendário de entrega do Imposto de Renda (IR) e os principais bancos de varejo brasileiro já abriram linhas de crédito que antecipam em até 80% o valor da restituição.
O empréstimo é restrito a correntistas e, para ter acesso, o cliente precisa ter indicado na declaração que os créditos devem ser depositados naquela instituição. As taxas variam de 2,65% a 3,8% ao mês, e a linha é recomendada para saldar dívidas.
Na maioria dos casos, a operação é vantajosa. Levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que as taxas cobradas no cheque especial são de 8% ao mês e as do cartão de crédito, de 10% mensais, três vezes mais do que os juros cobrados pelos bancos no adiantamento do IR.
Analistas alertam: 3% ao mês significam 50% ao ano
Os economistas aconselham o uso dessas linhas para sair do vermelho, trocando uma dívida cara por outra mais barata. Ou numa emergência. Foi o caso de Ruy Teixeira Souza, correntista do Santander que no ano passado optou pela antecipação do Imposto de Renda para arcar com os custos de uma cirurgia:
— Era uma situação inesperada e esta foi a melhor opção. Saiu mais em conta do que pedir um empréstimo pessoal ou entrar no cheque especial. As taxas compensam: no meu caso, caíram à metade, ficando em cerca de 3% ao mês.
No entanto, é bom lembrar que uma taxa mensal de 3% significa um juro de 50% ao ano. Por isso, esses empréstimos não são recomendados se o correntista pretende usar os recursos para antecipar a aquisição de um bem. Nestes casos, a indicação é economizar antes e comprar, à vista, depois.
— A contratação é simples. O cliente precisa levar a declaração do IR ao banco e solicitar a linha em um dos caixas — sugere Celso Mugnela, superintendente de Produtos do Banco Real.
A indicação vale para os demais bancos. O crédito, dizem as instituições, é imediato. O pagamento é feito via débito em conta — na maioria dos casos, o cliente tem cerca de dez meses para quitar a dívida. Assim que a restituição for creditada, o banco descontará o valor do empréstimo acrescido dos juros no período.
A procura pelo produto tem sido grande. Lançada em 1 de março, a linha do Banco do Brasil foi contratada por mais de 1.300 correntistas só no primeiro dia, movimentando R$ 2 milhões. Para se ter uma idéia, em 2003, 170 mil pessoas adquiriram o empréstimo.
BB e Santander esperam emprestar 20% a mais
Segundo Edson Monteiro, vice-presidente de Varejo e Distribuição do Banco do Brasil, a estimativa é de que 2004 encerre com um crescimento de 20% na contratação.
— Com a renda achatada, o custo de oportunidade é tentador para boa parte dos brasileiros — diz Monteiro.
O Santander também espera uma expansão de 20%. Para isso, o banco está oferecendo taxas que estão entre as menores do mercado — 2,7% ao mês — aos clientes que já contrataram o serviço em anos anteriores, bem mais em conta que o juro cobrado no ano passado, de 3,6%.
— Os juros são nossa matéria-prima. A forte queda do ano passado foi repassada aos correntistas, com o lançamento de uma taxa mais competitiva no mercado — afirma Marcelo Linardi, superintendente de Produtos do Grupo Santander Banespa.
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