Os bancários de Curitiba realizaram, nesta manhã (04/09), paralisações no bairro Pinheirinho. Agências dos bancos Itaú, Caixa Econômica Federal, Bradesco, HSBC e ABN Amro Real , permaneceram fechadas até às 11 horas. “Os banqueiros estão sendo intransigentes e ainda não apresentaram uma proposta. Nós repudiamos esta conduta. Diante dos lucros que os bancos estão obtendo, a atitude deles é imoral”, afirma Antonio Luiz Fermino, secretário-geral do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região. Fermino se refere a negociação entre Fenaban e Comando Nacional dos Bancários que deveria ser realizada nesta terça(5).
Na terceira rodada de negociação, promovida em 29 de agosto, os banqueiros se comprometeram a agendar uma nova conversa para esta semana e apresentar uma proposta econômica, mas não cumpriram a promessa. A rodada não foi realizada e milhares de bancários permanecem sem uma proposta efetiva para esta Campanha Salarial. Pior, de acordo com comunicado enviado ao Comando Nacional dos Bancários não há previsão de reunião nem para a segunda semana de setembro.
“Isto não tem graça”, afirma Marcelo Socoloski, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado do Paraná, conhecida como Federação dos Bancários da CUT (FETEC-CUT-PR) e bancário do HSBC. “No HSBC convivemos com metas abusivas e com o assédio moral, que se tornaram práticas de gestão, recursos da administração para obter mais lucros. As atitudes constrangedoras e opressoras de gerentes são endossadas pelos diretores do banco. Não vamos abrir mão de aumento real e de uma melhor PLR. Isto é nosso direito. Não vamos tolerar e permanecer calados diante da intransigência dos banqueiros. Nós produzimos o lucro, nós aumentamos a massa do bolo e agora queremos a nossa fatia”, concluiu.
Na avaliação de Armando Dibax, secretário de organização da FETEC-CUT-PR, a postura da Fenaban fortalece a mobilização dos bancários.”Os trabalhadores estão indignados e apoiam o movimento. Eles estão cientes dos lucros que os bancos têm apresentado. E sabem que só a receita de serviços bancários, ou seja, só com o dinheiro das tarifas, o banco já cobre sua despesa com o gasto de pessoal. Em 2005, a receita de serviços cobriu cerca de 114% da folha de pagamento”, afirmou. “No Unibanco, temos sérios problemas com a segurança nas agências, assédio moral e com a remuneração variável. Os empregados do Unibanco exigem um programa de remuneração variável justo para todos os funcionários. A direção da empresa se recusa até a debater o tema”, denuncia Dibax.
Em paralelo ao atraso no horário de abertura das agências, os bancários distribuíram o Jornal do Cliente para mostrar que os bancos não estão comprometidos com o desenvolvimento do país e que além de não fomentar a economia, contribuem com o desemprego e com a precarização das relações de trabalho.
“Os clientes estão apoiando a nossa mobilização”, contou Eliana Maria dos Santos, responsável pela secretaria de formação da FETEC-CUT-PR e trabalhadora do Bradesco. “Eles reconhecem a legitimidade das nossas reivindicações e reclamam da falta de bancários para prestar atendimento nas agências do Bradesco. Os bancos não respeitam a lei que estabelece que o cliente só pode aguardar 15 minutos nas filas. É um desrespeito com os clientes e com os bancários que sofrem com a sobrecarga de trabalho, por isso exigimos mais contratações”.
Em todo o país, os bancários estão mobilizados, realizando atividades com intuito de mostrar para os bancos que os trabalhadores estão unidos e que exigem uma negociação séria. Darci Borges Saldanha, secretário de Assuntos Jurídicos da FETEC-CUT-PR lembra que enfrentar as estratégias dos banqueiros nunca foi uma luta fácil. “A Fenaban sempre endureceu as negociações. Algumas campanhas foram mais rápidas, mas todas as nossas vitórias foram alcançadas com ações de enfrentamento”.
Bancári@,
Novas ações estão sendo programadas e o movimento sindical conta com seu apoio e colaboração. As paralisações das agências têm como objetivo pressionar os bancos e assegurar o aumento real. A reivindicação de recuperação salarial é de 7,05% mais a reposição da inflação observada entre os meses de setembro de 2005 e agosto de 2006. Precisamos que você esteja informado e converse com seus familiares e colegas sobre a importância das ações políticas dos sindicatos. Somente com luta vamos melhorar as condições de vida e de trabalho de cada bancário.
Patrícia Meyer
FETEC-CUT-PR
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