O governo vai criar um grupo, chefiado pela Casa Civil, para coordenar as atividades dos bancos públicos federais. A idéia é discutir diretrizes em temas como a atuação conjunta dos bancos em políticas públicas, parcerias entre as instituições federais e estratégias de negócio. Um possível exemplo é a atuação para forçar a queda dos spreads do sistema financeiro.
Hoje, a atividade conjunta dos bancos é bastante limitada. Um dos raros exemplos é o sistema de caixas compartilhados, em que está sendo feita a interligação dos terminais externos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Mas há exemplos na outra direção, em que em vez de unir esforços, os bancos competem entre si. O BB entrou no mercado de crédito imobiliário, área tradicionalmente operada pela Caixa; e esta última pediu a abertura de uma carteira de câmbio, área de atuação do BB.
A criação de um grupo de coordenação dos bancos federais foi anunciada ontem pela presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, em um seminário patrocinado pela instituição que discutiu o papel dos bancos federais. Ela disse que uma das preocupações é o andamento dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
O grupo de coordenação dos bancos federais é, na verdade, a institucionalização de procedimentos que já vinham sendo adotados no governo Lula, sobretudo depois de março de 2006, quando Guido Mantega assumiu o Ministério da Fazenda. Desde então, ocorreram várias reuniões no Planalto em que o presidente Lula pediu, por exemplo, que os bancos públicos operassem como indutores da queda dos juros bancários.
Ontem, no seminário, Maria Fernanda destacou o papel que os bancos públicos têm no desenvolvimento do país e argumentou que, para que desempenhe bem essa tarefa, não deveria haver cobrança apenas de resultados econômicos das instituições financeiras. “Além do resultado econômico, os bancos devem ser avaliados pelos seus resultados sociais e ambientais”, disse. “E, cada vez mais, até os bancos privados serão avaliados por esses três indicadores.”
No seminário, organizado em conjunto com o Instituto de Economia da Unicamp, representantes de bancos federais defenderam uma atuação eficiente na área comercial – para gerar lucros e manter os bancos capitalizados – e ao mesmo tempo preocupada com o financiamento do desenvolvimento econômico.
“O banco público atua em áreas com uma relação risco e retorno desfavorável, que afasta os bancos privados”, disse o vice-presidente de finanças do BB, Aldo Mendes. “Se os bancos públicos atuassem apenas nessas áreas, haveria a corrosão de seu capital, e ficaria limitado para continuar a operar. Por isso é fundamental que, na área comercial, os bancos busquem ser eficientes.”
Mendes acha que, mesmo com a queda dos juros básicos, continuará a haver nichos próprios de bancos públicos. Os bancos privados estão competindo com o BB no crédito rural para grandes empresas, mas não na agricultura familiar. “Essa é uma atividade subsidiada no mundo todo”, disse Mendes. Maria Fernanda disse que a Caixa enfrenta a concorrência no crédito imobiliário para classe média, mas não há interesse dos privados pelo financiamento da baixa renda.
Por Alex Ribeiro – Valor Econômico.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.fenae.org.br.