Efetivado recentemente na presidência do Banco do Brasil, Rossano Maranhão Pinto anunciou ontem que, se depender de sua vontade, todos os nomes da atual direção da instituição serão mantidos. Ele disse que, apesar dos prognósticos menos favoráveis do mercado para o crescimento da economia, o BB não pretende rever a estratégia de forte expansão da carteira de crédito. No primeiro trimestre, disse, o banco ganhou participação de mercado, com elevação de 5,3% na sua carteira, acima da média do setor, de 4,3%.
A acomodação no crescimento da economia, em tese, amplia o risco de inadimplência, mas Rossano afirma não estar preocupado com isso. “A qualidade de nossa carteira é indiscutível.” De 2003 para cá, o BB apostou corretamente na estratégia de expansão de cerca de 50% da carteira de crédito – em um momento em que a concorrência ainda estava reticente sobre as chances de recuperação da economia.
A inadimplência no BB, disse, manteve-se em patamar mais favorável que o dos concorrentes: 92% da carteira da instituição estão classificadas como créditos de qualidade AA a C, enquanto a média de mercado é de 89%. “A inadimplência depende tanto do ciclo econômico quanto dos controles internos do banco.” Em 2005, o BB tem a meta de aumentar em 20% sua carteira de crédito, num cenário de expansão de 4,5% da economia (acima do consenso de mercado, de 3,64%).
Rossano – que foi confirmado na presidência do BB há quase um mês, mas já exercia a função interinamente desde novembro de 2004, com a saída de Cássio Casseb – disse que a decisão de manter ou não os demais vice-presidentes é uma função do conselho de administração do banco, mas disse que, no que depende dele, nada muda. Ele negou os boatos sobre uma possível saída do diretor de Varejo, Edson Monteiro. “Ele está fazendo um excelente trabalho”, disse. “Esses boatos começam de um jeito pela manhã e, de tarde, mudam várias vezes.”
Funcionário de carreira do BB, Rossano nega que haja divisões na diretoria colegiada entre dois grupos – um com perfil mais técnico, que é mais voltado à rentabilidade e solidez do banco; e outro ligado ao PT, que defende políticas de cunho mais social, como o microcrédito e o programa de Desenvolvimento Regional Sustentado (DRS). “Temos um compromisso inarredável com a rentabilidade”, disse. “Esses programas têm como princípio serem economicamente viáveis, e são uma forma de cuidarmos da expansão futura do banco.”
O programa de emissões de títulos no exterior será mantido em apenas US$ 300 milhões neste ano (até agora, não foi lançado nenhum papel) porque a opção do mercado interbancário se mostra mais vantajosa, com a farta liquidez. “O prazo médio das nossas captações no interbancário é de um ano, e temos à disposição linhas de até três anos.”. O banco tem tido bons resultados, disse, em suas captações na rede de varejo no Japão e Europa. Nem mesmo a recente sanção imposta pelo regulador japonês atrapalhou.
Essas fontes de recursos têm sido mais do que suficientes para permitir a forte expansão das carteiras de ACCs e ACEs, que chegaram a US$ 4,098 bilhões no primeiro quadrimestre, cifra que representa quase metade dos US$ 9,19 bilhões emprestados em todo o ano passado. Para 2005, a expectativa é que os volumes totais fiquem entre U$ 11 bilhões e US$ 13 bilhões.
Rossano não adiantou detalhes sobre os planos do governo de vender ações do BB para ampliar o capital pulverizado no mercado, que hoje é de cerca de 7% e deve ser elevado a 25% para que o banco possa entrar nos índices de maior governança da Bovespa. “É uma decisão do Tesouro.” Ele informou que a liquidez – em torno de R$ 5 milhões por dia – deverá aumentar assim que for constituído o fundo garantidor das Parcerias Público Privadas (PPP), que vai incluir ações da instituição.
Fonte: Valor Econômico – Alex Ribeiro
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Por Mhais• 5 de maio de 2005• 10:28• Sem categoria
BB mantém a aposta no crédito
Efetivado recentemente na presidência do Banco do Brasil, Rossano Maranhão Pinto anunciou ontem que, se depender de sua vontade, todos os nomes da atual direção da instituição serão mantidos. Ele disse que, apesar dos prognósticos menos favoráveis do mercado para o crescimento da economia, o BB não pretende rever a estratégia de forte expansão da carteira de crédito. No primeiro trimestre, disse, o banco ganhou participação de mercado, com elevação de 5,3% na sua carteira, acima da média do setor, de 4,3%.
A acomodação no crescimento da economia, em tese, amplia o risco de inadimplência, mas Rossano afirma não estar preocupado com isso. “A qualidade de nossa carteira é indiscutível.” De 2003 para cá, o BB apostou corretamente na estratégia de expansão de cerca de 50% da carteira de crédito – em um momento em que a concorrência ainda estava reticente sobre as chances de recuperação da economia.
A inadimplência no BB, disse, manteve-se em patamar mais favorável que o dos concorrentes: 92% da carteira da instituição estão classificadas como créditos de qualidade AA a C, enquanto a média de mercado é de 89%. “A inadimplência depende tanto do ciclo econômico quanto dos controles internos do banco.” Em 2005, o BB tem a meta de aumentar em 20% sua carteira de crédito, num cenário de expansão de 4,5% da economia (acima do consenso de mercado, de 3,64%).
Rossano – que foi confirmado na presidência do BB há quase um mês, mas já exercia a função interinamente desde novembro de 2004, com a saída de Cássio Casseb – disse que a decisão de manter ou não os demais vice-presidentes é uma função do conselho de administração do banco, mas disse que, no que depende dele, nada muda. Ele negou os boatos sobre uma possível saída do diretor de Varejo, Edson Monteiro. “Ele está fazendo um excelente trabalho”, disse. “Esses boatos começam de um jeito pela manhã e, de tarde, mudam várias vezes.”
Funcionário de carreira do BB, Rossano nega que haja divisões na diretoria colegiada entre dois grupos – um com perfil mais técnico, que é mais voltado à rentabilidade e solidez do banco; e outro ligado ao PT, que defende políticas de cunho mais social, como o microcrédito e o programa de Desenvolvimento Regional Sustentado (DRS). “Temos um compromisso inarredável com a rentabilidade”, disse. “Esses programas têm como princípio serem economicamente viáveis, e são uma forma de cuidarmos da expansão futura do banco.”
O programa de emissões de títulos no exterior será mantido em apenas US$ 300 milhões neste ano (até agora, não foi lançado nenhum papel) porque a opção do mercado interbancário se mostra mais vantajosa, com a farta liquidez. “O prazo médio das nossas captações no interbancário é de um ano, e temos à disposição linhas de até três anos.”. O banco tem tido bons resultados, disse, em suas captações na rede de varejo no Japão e Europa. Nem mesmo a recente sanção imposta pelo regulador japonês atrapalhou.
Essas fontes de recursos têm sido mais do que suficientes para permitir a forte expansão das carteiras de ACCs e ACEs, que chegaram a US$ 4,098 bilhões no primeiro quadrimestre, cifra que representa quase metade dos US$ 9,19 bilhões emprestados em todo o ano passado. Para 2005, a expectativa é que os volumes totais fiquem entre U$ 11 bilhões e US$ 13 bilhões.
Rossano não adiantou detalhes sobre os planos do governo de vender ações do BB para ampliar o capital pulverizado no mercado, que hoje é de cerca de 7% e deve ser elevado a 25% para que o banco possa entrar nos índices de maior governança da Bovespa. “É uma decisão do Tesouro.” Ele informou que a liquidez – em torno de R$ 5 milhões por dia – deverá aumentar assim que for constituído o fundo garantidor das Parcerias Público Privadas (PPP), que vai incluir ações da instituição.
Fonte: Valor Econômico – Alex Ribeiro
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