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Brasil busca acordo para impedir sanções ao Irã

Washington – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta, em parceria com o governo da Turquia, um acordo para impedir que o Conselho de Segurança das Nações Unidas adote sanções contra o Irã, país que resiste em permitir a fiscalização internacional de seu programa nuclear.

A informação foi dada hoje (12), em Washington, pelo ministro de Relações Exterior, Celso Amorim, durante o primeiro dia da Cúpula de Segurança Nuclear, convocada pelos Estados Unidos e com a presença de representantes de 47 países.

“Se houver um ciclo de endurecimento recíproco, onde um país diz que aplica sanções e o outro diz que não vai fazer nada sob ameaças ou sob pressão, e aí isso vai num crescente…. E o que nós vimos na experiência mais recente foi muito trágico. E quando houve perspectiva de conversa, como em outros casos, houve solução. Nós achamos que ainda há tempo para isso”, disse Amorim.

O entendimento, segundo Amorim, leva em conta as negociações para que o Irã obtenha urânio enriquecido em 20%, nível utilizado para uso do mineral em atividades de fins pacíficos. A Agência Internacional de Energia Atômica quer que, em troca, o país islâmico entregue ao mesmo tempo todo o estoque de urânio que já dispõe. O Irã, no entanto, pede um prazo e exige uma condição: primeiro quer receber a encomenda para só depois entregar a sua parte.

O acordo faria parte do esforço para reduzir a pressão dos Estados Unidos, que exige sanções para forçar o governo de Mahmud Ahmadinejad a permitir as vistorias da Agência Internacional de Energia Atômica às instalações nucleares do país. Os Estados Unidos suspeitam que o Irã mantenha, secretamente, um programa para desenvolver armamento nuclear, e conta com o apoio de países como a Alemanha, França e o Reino Unido para impôr punições à Teerã.

As linhas gerais da proposta foram discutidas durante um encontro na tarde de hoje entre o presidente Lula e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, na residência oficial do embaixador brasileiro em Washington.

Em outra frente, os norte-americanos atuam para alcançar o apoio suficiente com o objetivo de punir o governo iraniano.

Segundo a Casa Branca, o presidente da China, Hu Jintao, em reunião com o presidente Barack Obama, se mostrou favorável à adoção das sanções, caso o Irã não colabore com os emissários internacionais. A China resiste às sanções contra o Irã, e é um dos cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU.

Já o secretário de Segurança dos Estados Unidos, Robert Gates, pediu o apoio do Brasil para punir o Irã, em reunião com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O ministro brasileiro, no entanto, disse que a posição brasileira é cautelosa e propos uma saída “inteligente”.

“Eles [os norte-americanos] precisam analisar também o entorno estratégico do próprio Irã, onde tem a presença de países armados nuclearmente. Então precisa haver uma garantia ao Irã que eles também não vão ser atacados”, afirmou Jobim.

Gates e Jobim firmaram um acordo de cooperação militar que prevê a colaboração em área de treiamento, transferência de tecnologia e comércio entre os dois países. Segundo Jobim, o acordo pode facilitar a venda pela Embraer de 100 aviões Super-Tucanos para a Marinha dos Estados Unidos. O negócio envolve outros concorrentes, mas, segundo o ministro da Defesa, o termo assinado hoje facilitaria as negociações da empresa brasileira com o governo norte-americano.

O presidente Lula participa nesta noite de jantar oferecido pelo presidente Barack Obama, e amanhã (13) participa das discussões sobre como impedir a proliferação de armas nucleares e o terrorismo atômico.

Por Roberto Maltchik – Enviado Especial da EBC. Edição: Aécio Amado.

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Brasil e Estados Unidos assinam acordo de cooperação militar

Brasília – Representantes dos governos brasileiro e norte-americano assinaram esta tarde, em Washington, um acordo de cooperação bilateral na área de Defesa. Entre outras coisas, o documento de três páginas prevê a possibilidade de os dois países realizarem treinamentos militares conjuntos e facilidades às negociações comerciais de equipamentos e armamentos.

Além disso, o próprio embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, reconheceu hoje (12) que o tratado pode “facilitar” as negociações entre a Boeing e o governo brasileiro para a compra dos caças Super Hornet, em vez do modelo francês ou sueco, que também disputam a preferência brasileira.

O embaixador, no entanto, fez questão de destacar que o “acordo é mais importante que a simples negociação de caças”, tendo sido discutido ao longo de sete anos.

Durante a entrevista para explicar a base do acordo, Shannon negou que o acordo trate da instalação de uma base militar norte-americana no Rio de Janeiro. “O propósito do acordo é promover a cooperação bilateral e não abrir espaço para bases militares. Para nós, ele é um passo importante e histórico na relação entre os Estados Unidos e o Brasil. Ele constrói uma estrutura para melhorar o diálogo entre os dois países na área de Defesa”.

O embaixador lembrou que o último acordo militar assinado pelos dois países é de 1952 e foi anulado pelo governo brasileiro em 1977, durante o governo militar de Ernesto Geisel. Desde então, eventuais colaborações militares foram por meio tratados pontuais e específicos.

Na avaliação de Shannon, o acordo assinado hoje abre a possibilidade de novos tratados em áreas de interesse comum. Quando perguntado sobre o que os Estados Unidos teriam interesse de aprender ou adquirir do Brasil, o embaixador citou a experiência adquirida pelo país ao liderar a missão de estabilização da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti e a possibilidade de a força aérea norte-americana adquirir aviões da Embraer.

“O Brasil mostra no Haiti que tem uma capacidade de não apenas manter a ordem pública, mas também de usar a segurança para promover o desenvolvimento. Há poucos países que demonstram essa capacidade”, disse o embaixador, revelando que a Força Aérea norte-americana estuda propostas comercias para comprar novos aviões. “Precisamos de um avião com as características do Super Tucano, reconhecido como uma boa aeronave, mas há outros aviões concorrendo e estamos explorando as várias possibilidades”.

Em nota divulgada na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores frisou que o documento firmado com os Estados Unidos tem semelhança com outros 28 acordos de cooperação em Defesa e 29 protocolos bilaterais em vigor. Além disso, o documento contém cláusulas expressas que asseguram o respeito aos princípios de igualdade soberana dos Estados.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo.

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