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BRASIL PRIORIZA ENERGIA NUCLEAR E EUA TENTAM BARRAR O PROCESSO

Meta é explorar a reserva geológica de urânio, que é a terceira maior do mundo

Curitiba – O Programa Nuclear Brasileiro será integralmente reativado em 2004. Mas seu anúncio já provocou reações negativas nos Estados Unidos, expressas na edição de ontem do The New York Times, o mais influente jornal norte-americano. Segundo a reportagem, o Brasil resiste a planos de acesso sem restrições de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aos locais onde se produzirá o combustível. A agência, que pertence às Nações Unidas, quer inspecionar sem aviso prévio os centros de beneficiamento de urânio em todo território nacional.

Depois de enfrentar uma série de boicotes e ameaças, os programas espacial e nuclear brasileiros acabaram por se alinhar em 1987 ao Tratado de Controle de Tecnologia de Mísseis e de Não Proliferação de Armas Nucleares (MTCR). O acordo estabeleceu uma série de critérios a serem seguidos pelos programas brasileiros. Porém, quer agora que o Brasil assine um protocolo adicional, recém-criado, que autoriza inspeções sem aviso prévio às unidades produtoras nacionais.

No entanto, isto está sendo entendido pelo governo federal como mais uma ingerência externa nas políticas adotadas em setores estratégicos, como o nuclear. Para o ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, que coordena a retomada das atividades nucleares brasileiras. Ele classificou a investida da AIEA com “idiota”. “Tudo que temos aqui são dois pequenos reatores, eles tem que se preocupar com o que existe lá fora”, cometou.

Todos os indicativos, porém, apontam para o temor externo a ter mais um competidor no mercado internacional de energia. Praticamente abandonado por mais de uma década, por pressões externas, o programa nuclear agora voltará com força total. A decisão do governo federal reflete a busca por fontes de energia que garantam o crescimento da economia brasileira. O país produzirá urânio enriquecido já em 2004.

O órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Indústrias Nucleares do Brasil (INB) tem programado a construção de uma unidade de enriquecimento do metal no município de Resende (RJ). O que alarmou a agência, sob controle dos Estados Unidos. Pois os norte-americanos adotam uma tecnologia de enriquecimento do urânio ultrapassada tecnologicamente se comparada a brasileira.

O ministro Roberto Amaral é um dos maiores defensores do ingresso do país no seleto clube dos países capazes de enriquecer Urânio pelo processo de ultracentrifugação. Apenas seis países são detentores desta tecnologia. “Isto é fundamental para termos uma base energética ampliada e o presidente entende que a energia nuclear é estratégica para o Brasil”, explicou.

A nova planta industrial será constituída para dar suporte em combustível para as usinas de Angra dos Reis (RJ). O Brasil reúne potencial para exportar a partir de 2014 até US$ 12,5 milhões ao ano em Urânio enriquecido. Com a tecnologia adotada, o produto brasileiro será um dos mais competitivos dentro do mercado mundial. Além de o território nacional deter a terceira maior reserva do mundo e ter tecnologia própria para desenvolvê-lo.

Essa vantagem pode ser o ponto de desequilíbrio, que fez o porta-voz da AIEA, dizer ao The New York Times que está ” trabalhando há algum tempo com o governo e as autoridades do Brasil para desenvolver um regime de verificação adequado à nova usina”. Pelo acordo internacional, o órgão da ONU pode visitar de forma limitada e controlada as unidades produtivas nacionais.

O ministro Roberto Amaral não esconde seus objetivos. “A meta é chegar a 2010 produzindo 60% do urânio enriquecido utilizados nas duas usinas, e já a partir de 2014 as instalações de Resende terão a possibilidade de exportar serviços e tecnologia autônoma nuclear, além de produzir todo o urânio a ser empregado em Angra I e II e, muito provavelmente, também em Angra III, que com certeza nós construiremos”.

O Brasil entraria no mercado em igualdade com a Rússia, China, Japão e o consórcio europeu Urenco, formado por Inglaterra, Alemanha e Holanda. Nos cálculos do MCT, atualmente a economia de divisas seria de US$ 11 milhões a cada 14 meses. Hoje, o gasto com Urânio enriquecido feito pelo país no mesmo espaço de tempo alcança US$ 19 milhões. Embora a AIEA queira ainda limitar o enriquecimento de urânio no país ao máximo de 4% do volume obtido em suas jazidas.

g p – Júlio Ottoboni

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BRASIL PRIORIZA ENERGIA NUCLEAR E EUA TENTAM BARRAR O PROCESSO

Meta é explorar a reserva geológica de urânio, que é a terceira maior do mundo
Curitiba – O Programa Nuclear Brasileiro será integralmente reativado em 2004. Mas seu anúncio já provocou reações negativas nos Estados Unidos, expressas na edição de ontem do The New York Times, o mais influente jornal norte-americano. Segundo a reportagem, o Brasil resiste a planos de acesso sem restrições de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aos locais onde se produzirá o combustível. A agência, que pertence às Nações Unidas, quer inspecionar sem aviso prévio os centros de beneficiamento de urânio em todo território nacional.
Depois de enfrentar uma série de boicotes e ameaças, os programas espacial e nuclear brasileiros acabaram por se alinhar em 1987 ao Tratado de Controle de Tecnologia de Mísseis e de Não Proliferação de Armas Nucleares (MTCR). O acordo estabeleceu uma série de critérios a serem seguidos pelos programas brasileiros. Porém, quer agora que o Brasil assine um protocolo adicional, recém-criado, que autoriza inspeções sem aviso prévio às unidades produtoras nacionais.
No entanto, isto está sendo entendido pelo governo federal como mais uma ingerência externa nas políticas adotadas em setores estratégicos, como o nuclear. Para o ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, que coordena a retomada das atividades nucleares brasileiras. Ele classificou a investida da AIEA com “idiota”. “Tudo que temos aqui são dois pequenos reatores, eles tem que se preocupar com o que existe lá fora”, cometou.
Todos os indicativos, porém, apontam para o temor externo a ter mais um competidor no mercado internacional de energia. Praticamente abandonado por mais de uma década, por pressões externas, o programa nuclear agora voltará com força total. A decisão do governo federal reflete a busca por fontes de energia que garantam o crescimento da economia brasileira. O país produzirá urânio enriquecido já em 2004.
O órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Indústrias Nucleares do Brasil (INB) tem programado a construção de uma unidade de enriquecimento do metal no município de Resende (RJ). O que alarmou a agência, sob controle dos Estados Unidos. Pois os norte-americanos adotam uma tecnologia de enriquecimento do urânio ultrapassada tecnologicamente se comparada a brasileira.
O ministro Roberto Amaral é um dos maiores defensores do ingresso do país no seleto clube dos países capazes de enriquecer Urânio pelo processo de ultracentrifugação. Apenas seis países são detentores desta tecnologia. “Isto é fundamental para termos uma base energética ampliada e o presidente entende que a energia nuclear é estratégica para o Brasil”, explicou.
A nova planta industrial será constituída para dar suporte em combustível para as usinas de Angra dos Reis (RJ). O Brasil reúne potencial para exportar a partir de 2014 até US$ 12,5 milhões ao ano em Urânio enriquecido. Com a tecnologia adotada, o produto brasileiro será um dos mais competitivos dentro do mercado mundial. Além de o território nacional deter a terceira maior reserva do mundo e ter tecnologia própria para desenvolvê-lo.
Essa vantagem pode ser o ponto de desequilíbrio, que fez o porta-voz da AIEA, dizer ao The New York Times que está ” trabalhando há algum tempo com o governo e as autoridades do Brasil para desenvolver um regime de verificação adequado à nova usina”. Pelo acordo internacional, o órgão da ONU pode visitar de forma limitada e controlada as unidades produtivas nacionais.
O ministro Roberto Amaral não esconde seus objetivos. “A meta é chegar a 2010 produzindo 60% do urânio enriquecido utilizados nas duas usinas, e já a partir de 2014 as instalações de Resende terão a possibilidade de exportar serviços e tecnologia autônoma nuclear, além de produzir todo o urânio a ser empregado em Angra I e II e, muito provavelmente, também em Angra III, que com certeza nós construiremos”.
O Brasil entraria no mercado em igualdade com a Rússia, China, Japão e o consórcio europeu Urenco, formado por Inglaterra, Alemanha e Holanda. Nos cálculos do MCT, atualmente a economia de divisas seria de US$ 11 milhões a cada 14 meses. Hoje, o gasto com Urânio enriquecido feito pelo país no mesmo espaço de tempo alcança US$ 19 milhões. Embora a AIEA queira ainda limitar o enriquecimento de urânio no país ao máximo de 4% do volume obtido em suas jazidas.
g p – Júlio Ottoboni

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