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Brasil tem boa condição fiscal e monetária para enfrentar agravamento da crise

São Paulo – A solidez do sistema financeiro e consecutivos superávits, que permitiram o acúmulo de reservas, são fatores que protegem o país de eventuais choques e o deixam preparado para enfrentar um possível agravamento da crise econômica internacional, disse hoje (30) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao participar de fórum promovido pela revista Exame.

“O Brasil reúne hoje condições fiscais e monetárias para uma eventual ação anticíclica que poderá se fazer necessária”, observou Mantega. Ele disse que a solidez do sistema financeiro e os superávits são os pontos fortes do país neste momento. “Nós temos espaço para estímulos fiscais, embora eu dê preferência para os estímulos monetários que forem necessários”.

Ele explicou que essa preferência se justifica pelo fato de os ajustes não terem nenhum ônus, enquanto a concessão de estímulos fiscais gera custos. “Estímulo monetário não custa nada. Pelo contrário, quando se reduz a taxa de juros, reduz-se uma das principais dívidas que nós temos”, avaliou.

Os juros podem cair ainda mais, de acordo com ele, caso haja a necessidade de o  país combater os efeitos de um agravamento da crise. “As elevadas taxas de juros não são exatamente uma vantagem, mas, em uma situação como essa, têm margem para serem reduzidas”, ressaltou.

A recente queda na taxa básica de juros foi apontada por Mantega como responsável pela regulação do câmbio que, de acordo com ele, estava desequilibrado. “O nosso câmbio estava meio desregulado. Estávamos com excesso de valorização. O governo tomou várias medidas. Eu acho que a redução da taxa de juros ajudou a melhorar esse preço relativo [do dólar]”.

Outra vantagem do Brasil no enfrentamento da crise é, na opinião do ministro, a força do consumo interno. “Um fator muito importante que dá sustentação à economia brasileira é o dinamismo do mercado interno, o nível da demanda brasileira”, destacou. Segundo ele, o mercado brasileiro tem despertado o interesse dos países que dependem de exportações e estão com problemas para vender seus produtos. “Essas economias que dependem da exportação estão desesperadas e fazendo o diabo para poder exportar”, disse.

Para combater os danos dessa “concorrência predatória” foi que, de acordo com Mantega, o governo adotou o novo regime de tributação para veículos que elevou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.

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Presidenta Dilma também vê na crise a oportunidade para queda dos juros no Brasil

São Paulo – A presidenta da República, Dilma Rousseff, disse hoje (30) que a crise econômica internacional é uma oportunidade para o Banco Central reduzir ainda mais a taxa básica de juros (Selic). “Graças ao nosso compromisso de robustez fiscal, estamos dando espaço para que o Banco Central, diante da crise, possa realizar uma cautelosa e responsável redução da taxa básica de juros”, disse ela à plateia de empresários e executivos que participam de um fórum promovido pela revista Exame.

A ação da autoridade monetária brasileira foi, na avaliação de Dilma, coerente com a situação pela qual o mundo passa. Para ela, “não é admissível” que, em uma “conjuntura de recessão e processo deflacionário no resto do mundo, nós sigamos sem levar isso em conta”.

A expectativa da presidenta é que, caso os países da zona do euro e os Estados Unidos apresentem uma piora nos seus cenários econômicos, o Brasil esteja pronto para aproveitar o momento de possível queda sistemática da demanda e, consequentemente, dos preços. “Quanto mais a situação financeira ficar grave,desta vez nós vamos aproveitar”, disse Dilma.

Dilma ponderou, entretanto, que os cortes da Selic deverão ser feitos dentro do “possível”, sem comprometer o controle da inflação. E, desse modo, “levar as condições monetárias do nosso país ao nível que a conjuntura internacional permitir”.

Apesar das possíveis vantagens pontuais para o Brasil, a presidenta lembrou que a crise também pode representar “ameaças” à economia brasileira. Esse é um cenário cada vez mais provável, na avaliação dela, uma vez que os países mais industrializados não têm recursos disponíveis para contornar as dificuldades. Entre esses riscos, Dilma apontou o de aumento das barreiras protecionistas nos países que passam por dificuldades.

O governo está, no entanto, alerta para os problemas que podem surgir com o agravamento da conjuntura econômica. “Estamos bem atentos, adotando as medidas adequadas para nos proteger”, garantiu a presidenta. De acordo com ela, as medidas em benefício da indústria nacional estão entre as ações de prevenção contra o “vale-tudo do processo de competição internacional” em ambiente de dificuldades. “Construímos as muralhas necessárias para que os efeitos dessa crise nos atinjam menos”.

Dilma descartou a possibilidade da adoção de medidas que tenham a intenção de “achatar salários” ou flexibilizar contratos de trabalho.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil. Edição: Vinicius Doria.

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