Apresentador: Olá você em todo o Brasil. Eu sou Luciano Seixas e está começando agora
o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula.Olá presidente, como vai?
Presidente: Tudo bem, Luciano.
Apresentador: Presidente, o senhor chegou neste domingo de uma viagem à Bolívia e à Colômbia. Na Bolívia o senhor esteve com o presidente Evo Morales e anunciou o financiamento da estrada “Rurrenabaque-Riberalta”. Como é que vai ser essa parceira?
Presidente: Luciano, o Brasil tem que assumir definitivamente a responsabilidade pela integração da América do Sul. O Brasil é a maior economia, é o país mais industrializado, e a economia mais forte, é o maior PIB (Produto Interno Bruto). Portanto, o Brasil precisa ter consciência de que a integração da América do Sul depende do gesto do Brasil. Eu estou muito feliz porque é preciso que o Brasil cresça , se desenvolva e que os países vizinhos também cresçam e se desenvolvam porque aí, nós iremos criar um continente altamente desenvolvido com o povo tendo uma qualidade de vida extraordinária. Essa rodovia que estamos construindo com a Bolívia ela vai permitir uma integração mais forte dentro do território boliviano , junto com o território brasileiro, e vamos ligar isso à rodovia Interoceânica, que vai ligar o Brasil ao Pacífico. O Brasil não quer ter hegemonia na sua relação com nenhum país. O que nós queremos é construir parcerias. Nós queremos convencer os nossos empresários de que eles não precisam apenas comprar as empresas dos outros países, que eles podem construir associações com os outros países e a gente fazer a economia crescer como um todo no continente. Porque a um país como o Brasil não interessa ser apenas um país grande, economicamente forte, com um monte de gente pobre do seu lado. É preciso que todos cresçam, que todos tenham condições de se desenvolver.
Apresentador:- Você está ouvindo o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Na Colômbia, o senhor esteve com o presidente Álvaro Uribe, esteve acompanhando as comemorações do Dia Nacional da Colômbia e esteve numa reunião de empresários brasileiros e colombianos. Como foi esse encontro?
Presidente: Há uma coisa Luciano, que nós precisamos discutir com muita seriedade, refletir enquanto brasileiros. Veja, no caso da Bolívia nós temos um déficit comercial. Por que? Porque nós compramos gás da Bolívia. São 30 milhões de metros cúbicos. Significa que o Brasil está importando mais da Bolívia do que vendendo. E o que nós precisamos é incentivar a Bolívia a diversificar a sua produção para que o Brasil possa vender mais e comprar mais da Bolívia. No caso da Colômbia, o Brasil vende muito e compra pouco. E esse desequilíbrio na balança comercial não é bom. O que nós queremos é ter um certo equilíbrio. O Brasil tem que vender e tem que comprar . Portanto, é como se fosse uma rodovia de duas mãos. E nós precisamos, então, incentivar os empresários brasileiros a investirem na Colômbia até para exportarem para o Brasil. Uma coisa que eu considero extremamente importante nestas relações é o seguinte: o Brasil tem mais potencial econômico, tem mais potencial de infra-estrutura, tem mais potencial tecnológico. Então, nós precisamos contribuir para que esses países possam produzir mais e vender para o Brasil. Porque hoje qual é a lógica? É que tudo que o Brasil produz, por ter mais tecnologia, ter mais indústria, ser uma economia mais forte, nós temos muito para vender e pouco para comprar porque tudo que eles produzem nós também produzimos. Então nós temos que equilibrar essa relação comercial seja com a Colômbia, seja com a Bolívia, seja com a Argentina, seja com o Equador, com o Paraguai, com o Uruguai, com o Chile. Esse equilìbrio é que vai permitir que a gente possa viver tranquilamente e em paz no nosso continente.
Apresentador:- Presidente a gente pode dizer hoje que a integração da América do Sul é uma realidade? Como é que foi possível chegar a esse ponto?
Presidente: Eu penso que hoje , mais do que há dez anos atrás, nós temos condições de afirmar que a integração é uma realidade. Veja o que aconteceu. Na última reunião que nós fizemos da UNASUL (União de Nações Sul-americanas), muita gente escreveu que a Colômbia não tinha aceitado participar do Conselho de Defesa. No sábado, a Colômbia resolveu participar do Conselho de Defesa. Por que ? Porque a relação política é quase que uma coisa química, ou seja, na medida em que você mostra confiança para as pessoas, as pessoas participam. Ontem, eu fiz uma reunião com Alan Garcia e com o Uribe. No sábado, eu fiz com o presidente Chaves e o presidente Evo Morales, ou seja, você tem uma fotografia de um lado de governantes considerados de esquerda, do outro lado de governantes considerados de centro.Qual é o papel do Brasil? É ser a espécie da ponte, que faz a ligação entre todas as correntes políticas da América do Sul porque como país maior, mais importante, o Brasil precisa trabalhar para que tenha um equilíbrio político, econômico, social e cultural no nosso continente. E eu não medirei nenhum esforço, farei qualquer sacrifício para que a integração da América do Sul se transforme numa realidade.
Apresentador: Muito obrigado, presidente Lula e até a semana que vem.
Presidente: Obrigado a você Luciano e até a próxima semana.
Apresentador:O programa Café com o Presidente volta na próxima segunda-feira. Até lá…
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://cafe.radiobras.gov.br/Aberto/Cafe/Presidente.
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Na Colômbia, Lula pede liberdade a reféns
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje (20), durante evento em comemoração ao 198º aniversário da Independência da Colômbia, a liberdade dos reféns no país.
“Tem um poeta brasileiro que uma vez escreveu uma frase sobre a liberdade: liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós. Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós. Liberdade para todos”, disse Lula, na cidade colombiana de Letícia, na fronteira com o Brasil. Também estavam presentes no evento o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e o peruano, Alan Garcia. As informações são da BBC Brasil.
A citação do presidente Lula faz parte do hino da Proclamação da República, de autoria de Medeiros e Albuquerque. Antes de discursar, ele sujou as mãos de tinta e, acompanhado do presidente colombiano, pintou um painel em que pedia a liberdade aos seqüestrados. Ontem (19), sem citar diretamente as Forças Armadas da Colômbia (Farc), Lula defendeu a via constitucional como caminho para tomar o poder, citando sua experiência de três eleições perdidas até chegar à presidência.
De acordo com números do governo, desde 2002, mais de 9 mil pessoas aderiram ao programa de desmobilização do governo, que garante casa e alimentação em troca do compromisso do abandono total da luta armada. Durante as manifestações, os colombianos, vestidos em sua maioria com a cor branca, tinham estampadas em suas camisetas frases como “Liberem a todos já” e “Paz para Colômbia”.
Lula e Uribe firmaram, junto com Garcia, um acordo na área de Defesa para fortalecer a segurança nos mais de 1,6 mil quilômetros de fronteira amazônica. O objetivo é coibir a entrada de grupos armados colombianos (guerrilhas e paramilitares) e de redes de narcotráfico nos países vizinhos.
Ontem (19) foi confirmada a adesão da Colômbia ao Conselho Sul-Americano de Defesa, proposto pelo Brasil durante a criação da União de Nações Sul-Americanas, há quase dois meses, em Brasília.
Por Agência Brasil.
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Colômbia adere a Conselho de Defesa Sul-Americano
Brasília – Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na capital Bogotá, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse hoje (19) que aceita ingressar no Conselho de Defesa Sul-Americano. Proposto pelo Brasil, o Conselho Sul-Americano de Defesa seria responsável pela formulação de uma estratégia conjunta da região no que se refere à defesa. As informações são da BBC Brasil.
Segundo a agência, o presidente colombiano condicionou sua adesão a três aspectos: a tomada de decisões por consenso, a participação exclusiva das forças institucionais dos países membros e, por último, a exigência de que todos os países condenassem as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Uribe fez as declarações em entrevista coletiva ao lado do presidente Lula e do ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, que, por sua vez, disse que o Conselho aceita as condições colocadas pelo presidente colombiano.
Durante a entrevista coletiva, Uribe disse que conta com o governo brasileiro para mediar um acordo de paz com as Farc: “Estou certo que no dia em que as Farc quiserem negociar de boa fé, todos nos apoiariam, começando pelo presidente Lula e todo o governo do Brasil”.
Na ocasião, o presidente brasileiro voltou a afirmar a postura do Brasil frente às negociações com as Farc: “O Brasil só moverá um dedo para fazer qualquer coisa se a Colômbia autorizar”.
A adesão da Colômbia ao Conselho Sul-americano de Defesa ocorre depois da assinatura de acordos de cooperação nas áreas de Defesa entre Brasil e Colômbia. O presidente Lula fica na Colômbia até amanhã (20), quando participa de ato que comemora a independência do país – o governo local estima que 1,05 mil municípios farão manifestações para comemorar e pedir a libertação de todos os reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Por Agência Brasil.
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