Valor e duração do certame, que tentará manter atletas em atividade no país, estão sendo definidos, mas verba não será gerenciada pela CBF
SÉRGIO RANGEL
DA SUCURSAL DO RIO
O ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, informou ontem que a Caixa Econômica Federal irá patrocinar o futebol feminino do país. O órgão federal irá bancar uma liga profissional para manter as jogadoras em atividade no território nacional durante o ano.
A seleção feminina foi um dos destaques do Pan-2007, quando acabou conquistando a medalha de ouro e surpreendeu ao bater o recorde de público do evento no Rio de Janeiro.
Mais de 70 mil pessoas assistiram às mulheres brasileiras vencerem a decisão contra as norte-americanas, por 5 a 0, no estádio do Maracanã. As americanas atuavam com um time de atletas até 21 anos. O Brasil estava com a força máxima.
Apesar do sucesso das jogadoras na competição, a maioria tem dificuldades para viver do esporte no país. Poucos clubes investem no futebol feminino, e a maior parte deles possui uma estrutura amadora.
Quase todas as jogadoras que atuam no país defendem mais de um clube ou jogam também em equipes de futsal para conseguir aumentar a renda. As principais atletas atuam no exterior, onde são reconhecidas.
Eleita a melhor jogadora do mundo pela Fifa, a meia Marta atua no Umea, da Suécia.
A atacante Kátia Cilene joga no Lyon, da França, e até recebe royalties de uma chuteira com o seu nome, que é comercializada por uma empresa multinacional do setor de calçados esportivos.
A criação de uma liga profissional no Brasil foi uma das promessas do ministro do Esporte logo depois de a equipe conquistar a medalha de ouro.
Segundo Silva Júnior, os valores e o período de duração do contrato ainda estão sendo discutidos. O dinheiro do patrocínio não será administrado pela CBF, confederação que comanda o esporte no país.
Com patrocínios milionários de empresas privadas, a entidade já anunciou que não recebe verbas públicas. A decisão é uma estratégia do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para evitar investigações nas contas da confederação.
Apesar de não receber o dinheiro público, a CBF dará aval para uma empresa ou uma entidade -o Clube dos 13- administrar a nova liga. A CBF pouco investe no futebol feminino -apenas mantém a seleção, que foi prata na Olimpíada de Atenas-2004, e não organiza campeonato algum.
Teixeira alega que falta visibilidade no Brasil para atrair patrocinadores para a área.
Atualmente, a Caixa Econômica Federal patrocina três confederações nacionais, além do Comitê Paraolímpico Brasileiro. O banco estatal investe atualmente quase R$ 20 milhões. A Confederação Brasileira de Atletismo foi a que mais recebeu -R$ 10,5 milhões.
A assessoria de imprensa informou que a Caixa pode incluir mais um esporte, mas ainda “não tem definição sobre novos patrocínios”.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO: www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte