Valor Econômico – Mônica Izaguirre
As receitas de intermediação financeira da Caixa Econômica Federal aumentaram 40,6% em 2003, comparado a 2002, alcançando R$ 25,05 bilhões. Este foi um dos principais fatores que garantiram no ano passado o maior lucro líquido da história da Caixa, de R$ 1,61 bilhão – resultado que superou em 49,5% o do ano anterior.
Medido em relação ao patrimônio líquido médio da instituição, o lucro representou uma taxa anual de retorno 31,08%, superior, portanto, à de 2002, que foi de 25,38%. Considerado o patrimônio ao final de cada ano, o retorno foi de 28% em 2003, ante 23,36% em 2002.
Por causa de sua enorme carteira de títulos federais, cujo estoque fechou o ano em R$ 81,6 bilhões, a maior parte das receitas de intermediação da Caixa em 2003 ainda veio de aplicações em títulos e valores mobiliários: foram R$ 14,732 bilhões, 58,81% do total, o que representou um crescimento de 39,49% sobre o ano anterior. Proporcionalmente, no entanto, o que mais cresceu em relação a 2002 foram as receitas de operações de crédito, que passaram de R$ 3,768 bilhões para R$ 5,335 bilhões – um aumento de 41,6%.
As despesas com intermediação financeira também cresceram significativos 49,8%, somando R$ 16,48 bilhões no ano. Ainda assim, o resultado da intermediação (receitas menos despesas) aumentou expressivos 25,71%, atingindo R$ 8,565 bilhões em 2003.
Os juros mais altos, sobretudo no primeiro semestre, contribuíram. Mas também houve aumento da oferta de crédito pela instituição, disse Jorge Mattoso, presidente da Caixa, ao anunciar os números, ontem. “Apostamos na melhoria do cenário e saímos na frente do mercado”, destacou.
Só na carteira comercial, o fluxo de crédito novo concedido (giro) aumentou 27,87% em relação a 2002, somando R$ 19,6 bilhões ao longo do ano. Para 2004, a Caixa traçou como meta aplicar cerca de R$ 30 bilhões em créditos comerciais a pessoas físicas e jurídicas. O volume de novas contratações para o setor de saneamento também aumentou, de R$ 216 milhões para R$ 1,7 bilhão – dinheiro captado quase todo junto ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Para o setor imobiliário, o fluxo de crédito novo da Caixa em 2003 ficou no mesmo patamar de 2002, ou seja, cerca de R$ 5 bilhões, incluídas operações com recursos do FGTS. Em 2004, o banco prevê aplicar cerca de R$ 2,9 bilhões em saneamento e R$ 8,35 bilhões em habitação.
Mattoso destacou que o incremento das operações de crédito foi acompanhado por uma melhora no perfil de risco da carteira. A expansão, portanto, foi cuidadosa. A participação das transações de risco AA, A e B, as três melhores classificações, subiu de 46,6% para 56,8% do total da carteira de crédito da instituição, cujo estoque fechou o ano em R$ 25,268 bilhões.
A fatia das operações de risco E, F, G e H, os quatro piores níveis de classificação, recuou de 11,9% para 10,8%. Também houve redução da parcela de operações classificadas em níveis intermediários de risco (C e D), de 41,5% para 33,4%. Com essas alterações, o estoque de provisões caiu de 13,6% para 13,42% do valor da carteira, apesar de ter subido em termos absolutos.
Em 2003, a Caixa também faturou mais com prestação de serviços. As receitas daí provenientes cresceram 8,5% em relação a 2002, passando de R$ 4,234 bilhões para R$ 4,594 bilhões. A maior parte, cerca de R$ 2,3 bilhões, veio do serviço prestado ao governo como agente financeiro de políticas públicas. Só as tarifas cobradas pela distribuição de benefícios (auxílio-gás, bolsa-escola, bolsa-alimentação, Previdência Social, seguro-desemprego, entre outros) proporcionaram receita em torno de R$ 700 milhões. A administração de fundos e programas sociais de crédito do governo rendeu outros R$ 1,6 bilhão no ano passado.
Boa parte disso volta ao Tesouro Nacional, a quem a Caixa, como banco 100% controlado pela União, está repassando cerca de 50% do seu lucro de 2003. São R$ 810 milhões, dos quais a maior parte já foi paga a título de juro sobre capital próprio. Do lucro de 2004, será repassada uma parcela menor, de no máximo 35%, disse Mattoso. O motivo, explicou, é a decisão do governo de usar a maior parte do lucro para reforçar o patrimônio do banco e, com isso, aumentar a sua capacidade de conceder crédito.
O patrimônio líquido da Caixa, que era de R$ 4,628 bilhões ao fim de 2002, encerrou 2003 em R$ 5,77 bilhões. O seu Índice de Basiléia, indicador que mede a relação entre patrimônio e ativos ponderados pelo risco, subiu de 14,67% para 19,24%.
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Por Mhais• 12 de fevereiro de 2004• 11:39• Sem categoria
CAIXA TEM O MAIOR LUCRO DE SUA HISTÓRIA
Valor Econômico – Mônica Izaguirre
As receitas de intermediação financeira da Caixa Econômica Federal aumentaram 40,6% em 2003, comparado a 2002, alcançando R$ 25,05 bilhões. Este foi um dos principais fatores que garantiram no ano passado o maior lucro líquido da história da Caixa, de R$ 1,61 bilhão – resultado que superou em 49,5% o do ano anterior.
Medido em relação ao patrimônio líquido médio da instituição, o lucro representou uma taxa anual de retorno 31,08%, superior, portanto, à de 2002, que foi de 25,38%. Considerado o patrimônio ao final de cada ano, o retorno foi de 28% em 2003, ante 23,36% em 2002.
Por causa de sua enorme carteira de títulos federais, cujo estoque fechou o ano em R$ 81,6 bilhões, a maior parte das receitas de intermediação da Caixa em 2003 ainda veio de aplicações em títulos e valores mobiliários: foram R$ 14,732 bilhões, 58,81% do total, o que representou um crescimento de 39,49% sobre o ano anterior. Proporcionalmente, no entanto, o que mais cresceu em relação a 2002 foram as receitas de operações de crédito, que passaram de R$ 3,768 bilhões para R$ 5,335 bilhões – um aumento de 41,6%.
As despesas com intermediação financeira também cresceram significativos 49,8%, somando R$ 16,48 bilhões no ano. Ainda assim, o resultado da intermediação (receitas menos despesas) aumentou expressivos 25,71%, atingindo R$ 8,565 bilhões em 2003.
Os juros mais altos, sobretudo no primeiro semestre, contribuíram. Mas também houve aumento da oferta de crédito pela instituição, disse Jorge Mattoso, presidente da Caixa, ao anunciar os números, ontem. “Apostamos na melhoria do cenário e saímos na frente do mercado”, destacou.
Só na carteira comercial, o fluxo de crédito novo concedido (giro) aumentou 27,87% em relação a 2002, somando R$ 19,6 bilhões ao longo do ano. Para 2004, a Caixa traçou como meta aplicar cerca de R$ 30 bilhões em créditos comerciais a pessoas físicas e jurídicas. O volume de novas contratações para o setor de saneamento também aumentou, de R$ 216 milhões para R$ 1,7 bilhão – dinheiro captado quase todo junto ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Para o setor imobiliário, o fluxo de crédito novo da Caixa em 2003 ficou no mesmo patamar de 2002, ou seja, cerca de R$ 5 bilhões, incluídas operações com recursos do FGTS. Em 2004, o banco prevê aplicar cerca de R$ 2,9 bilhões em saneamento e R$ 8,35 bilhões em habitação.
Mattoso destacou que o incremento das operações de crédito foi acompanhado por uma melhora no perfil de risco da carteira. A expansão, portanto, foi cuidadosa. A participação das transações de risco AA, A e B, as três melhores classificações, subiu de 46,6% para 56,8% do total da carteira de crédito da instituição, cujo estoque fechou o ano em R$ 25,268 bilhões.
A fatia das operações de risco E, F, G e H, os quatro piores níveis de classificação, recuou de 11,9% para 10,8%. Também houve redução da parcela de operações classificadas em níveis intermediários de risco (C e D), de 41,5% para 33,4%. Com essas alterações, o estoque de provisões caiu de 13,6% para 13,42% do valor da carteira, apesar de ter subido em termos absolutos.
Em 2003, a Caixa também faturou mais com prestação de serviços. As receitas daí provenientes cresceram 8,5% em relação a 2002, passando de R$ 4,234 bilhões para R$ 4,594 bilhões. A maior parte, cerca de R$ 2,3 bilhões, veio do serviço prestado ao governo como agente financeiro de políticas públicas. Só as tarifas cobradas pela distribuição de benefícios (auxílio-gás, bolsa-escola, bolsa-alimentação, Previdência Social, seguro-desemprego, entre outros) proporcionaram receita em torno de R$ 700 milhões. A administração de fundos e programas sociais de crédito do governo rendeu outros R$ 1,6 bilhão no ano passado.
Boa parte disso volta ao Tesouro Nacional, a quem a Caixa, como banco 100% controlado pela União, está repassando cerca de 50% do seu lucro de 2003. São R$ 810 milhões, dos quais a maior parte já foi paga a título de juro sobre capital próprio. Do lucro de 2004, será repassada uma parcela menor, de no máximo 35%, disse Mattoso. O motivo, explicou, é a decisão do governo de usar a maior parte do lucro para reforçar o patrimônio do banco e, com isso, aumentar a sua capacidade de conceder crédito.
O patrimônio líquido da Caixa, que era de R$ 4,628 bilhões ao fim de 2002, encerrou 2003 em R$ 5,77 bilhões. O seu Índice de Basiléia, indicador que mede a relação entre patrimônio e ativos ponderados pelo risco, subiu de 14,67% para 19,24%.
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