Durante quinze dias, bancários de todo o Brasil estiveram mobilizados na maior greve dos últimos anos. Em uma campanha nacional unificada, trabalhadores de todos os bancos, privados e públicos, lutaram por aumento real, elevação do piso salarial, mais contratações, segurança bancária, entre outros.
A participação de bancárias e bancários de todo o país foi fundamental para sustentar a paralisação em tantas bases sindicais. Essa garra para manter os direitos da categoria – o que os banqueiros bem que tentaram arrancar dos trabalhadores no início das negociações – forçou a Fenaban a voltar a negociar com o Comando Nacional dos Bancários. A conseqüência deste novo encontro foi a proposta aprovada em as assembléias.
A Campanha foi muito difícil em vários pontos. Em primeiro lugar porque os banqueiros abusaram do cenário de crise financeira, tentando utilizá-la como justificativa para não negociar. Depois, pela facilidade que os bancos tinham em obter liminares de interdito proibitório, que cerceavam os trabalhadores em seu legítimo e constitucional direito de reivindicar aumentos e lutar por melhores condições de trabalho. Apesar das decisões iniciais favoráveis aos banqueiros, os bancos foram surpreendidos com várias liminares cassadas por juízes que deram a interpretação correta a esse instrumento ultrapassado e que remete aos anos de chumbo da ditadura, onde os trabalhadores não tinham nem mesmo direito a voz no país, quanto mais a possibilidades das justas reivindicações salariais.
Isso sem falar nas outras atitudes truculentas dos bancos, que utilizaram vários artifícios para tentar desmobilizar a greve, como o uso inadequado da força pública policial para abrir as agências, helicópteros para furar a greve, ligações de madrugada, reuniões de trabalho nas casas dos gerentes, contingenciamento fora do horário normal de trabalho, alteração de jornada de trabalho, e pasmem, até cartorários que iam às portas das agências para obrigar os funcionários a assinar declaração de impedimento de entrada no local de trabalho.
Apesar das dificuldades, os bancários mostraram o quão forte é a categoria. Muitos trabalhadores foram para frente das agências, pararam o serviço e conquistaram para todos estes benefícios, que foram arrancados com muito custo dos patrões na mesa da Fenaban.
Interior do Paraná firme na luta!
Os sindicatos do interior do Paraná tiveram uma participação muito efetiva e importante. A cada dia o número de agências sem atendimento era maior. E, embora exista muita dificuldade em fazer greve nas cidades menores, a luta da categoria foi grande. “Foi um movimento bastante efetivo e duro. Contamos com trabalhadoras e trabalhadores de bancos privados e públicos, que garantiram a força que o Comando precisava para arrancar dos banqueiros uma proposta digna para a categoria”, avalia Robeto von der Osten, presidente da Federação dos Bancários do Paraná – FETEC-CUT/PR e representante do Paraná no comando nacional dos bancários ao lado de Otávio Dias.
Os bancários nos bancos privados e no Banco do Brasil em todo o estado aprovaram a proposta da Fenaban em assembléias realizadas ontem. Os trabalhadores na Caixa voltaram ao trabalho, mas algumas bases sindicais, como Arapoti, Campo Mourão, Toledo e Umuarama, devem se reunir até amanhã para nova avaliação da proposta especifica. Nas demais bases sindicais da FETEC-CUT/PR a proposta foi aprovada.
A Caixa apresentou uma proposta em relação às reivindicações específicas. Para Antonio Luiz Fermino, representante paranaense na comissão de empresa que negocia com a Caixa, a proposta tem vários pontos positivos, como aumento real substancial para os funcionários e o compromisso de efetivação de um Plano de Cargos e Comissões (PCC). “O acompanhamento das entidades sindicais em mesa permanente de negociação também será fundamentalmente importante”, avalia.
As especificidades do Banco do Brasil também foram aprovadas durante as assembléias. Para Gilberto Reck, representante do Paraná na comissão de empresa que negocia com o Banco do Brasil, a greve deste ano foi bastante forte mesmo diante de uma conjuntura de incerteza. “Avançamos no limite da mobilização. Consideradas as circunstâncias em 2008, a greve foi radicalizada e forte. Por isso, o acordo arrancado é uma vitória da classe”, avalia.
Entre as conquistas na negociação, destaque para o Plano Odontológico e avanços em questões históricas como isonomia entre novos e antigos funcionários. A manutenção do modelo semestral da PLR também é positivo. Gilberto avalia que é um dos mais avançados programas entre as instituições, já que reconhece o engajamento de todos os funcionários no crescimento dos lucros e possui limitador aos executivos.
Outras questões importantes, como o Plano de Cargos e Salários, ficaram para discussões nas mesas temáticas que serão instaladas após o acordo. “É preciso ficar vigilante para o funcionamento destas mesas temáticas, que já foram negociadas outras vezes e não foram cumpridas pelo banco. Todos precisam ver e acreditar nos resultados”, pondera Gilberto.
O bônus de 200 anos do Banco do Brasil também foi uma conquista dos trabalhadores nesta Campanha. O banco distribuirá o valor de R$ 120 milhões, divididos de forma linear entre os funcionários, o que dará em torno de R$ 1.300 para cada trabalhador.
Isabela Medeiros – FETEC/CUT-PR