Em defesa da unificação da campanha nos bancos públicos e privados
Desde o início da década de 90 os governos precarizam salários e condições de trabalho, promovendo um insidioso ataque à dignidade dos trabalhadores do setor público. Essa mesma política salarial abateu se sobre os empregados da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil que, por imposição patronal, receberam tratamento diferenciado em relação aos demais integrantes da categoria bancária e foram constrangidos a aceitar reajustes inferiores aos praticados pelos bancos do setor privado.
O empregador logrou sucesso ao estabelecer a dissidência entre os trabalhadores: de um lado, os bancários de bancos privados; do outro, os do setor público. Enquanto as instituições financeiras privadas realizavam acordos reajustando anualmente os salários, os bancos públicos congelavam a remuneração de seus funcionários, praticando uma política perniciosa de concessão de abono, também anual, mas que nenhuma garantia assegurava, porque, de efeito transitório, não se computava como componente da totalidade da remuneração.
Além de disseminar a cisão entre bancários do setor público e do setor privado, as constantes ameaças, tanto de privatização dos bancos públicos quanto de demissão em massa dos empregados, como uma oscilante “espada de Dâmocles” a intimidar, desmobilizava o setor público da categoria.
A Confederação oficial respaldou essa prática; firmou acordos coletivos com direitos inferiores aos conquistados pelos bancários do setor privado, ignorando a vontade das assembléias que desautorizava tal prática; além desses, outros abusos ocorreram, como a cobrança da taxa assistencial sem a anuência da base.
As relações entre Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e sociedade brasileira começaram a mudar com a posse do novo governo, em 2003, que se propôs a recuperar o papel social dos bancos federais. Trabalho lento, desgastante, mas que se mostra consistente. Os trabalhadores, no entanto, querem recuperar o que perderam nestes últimos anos!
Durante o processo negocial do ano passado, diante do impasse, foi necessária a realização de greve naqueles bancos para que se respeitasse a Convenção Coletiva de Trabalho negociada para os empregados dos bancos privados. Tal conquista calcou um passo decisivo rumo ao contrato de trabalho único no âmbito do ramo financeiro.
Porém, neste mesmo ano de 2003, além das disputas com os representantes dos empregadores (próprias de uma campanha salarial) a direção do movimento dos trabalhadores enfrentou dois outros grupos que, embora diferentes entre si, moviam se em torno de um mesmo objetivo. O primeiro grupo é o da Confederação oficial. Esta, como vimos, sempre atuara como cúmplice da política do arrocho salarial e acordos inferiores para os bancos públicos. Mas agora, “esquecendo se” da sua cumplicidade, ressurge com ares de “guardiã combativa”, apostando na falta de memória dos trabalhadores. O segundo grupo hasteia as bandeiras mais radicais da esquerda, mas se manteve adormecido até agora.
Esses dois grupos da “crítica fácil”, com o ressurgimento da luta e das negociações com os bancos públicos, tentam aproveitar o momento, não para organizar a categoria, mas para desfrutar o sucesso da conquista. O que pretendem? Com certeza, não é o avanço das conquistas dos bancários. Quem sabe desejam simplesmente confundir, o melhor recurso para quem não dispõe de uma proposta consistente. Apesar desses percalços, venceu a vontade da categoria, que se unificou na luta e compeliu os bancos públicos a renderem se diante da nossa mobilização.
Este ano, na segunda campanha salarial enfrentada pelo atual governo, os representantes do setor financeiro federal anteciparam se perspicazmente ao impasse, assinando um compromisso de cumprimento do acordo geral da categoria. Com isso, solidificou se uma reivindicação histórica dos bancários: a unificação da campanha dos bancos públicos e privados.
Essa conquista não pode ser menosprezada. A busca de um instrumento contratual único para todos os bancários consolida se em caráter perene. Com este instrumento assinado, teremos um modo de operação regulamentado não mais à mercê de governos que não se comprometam com mudanças e com avanços.
A estratégia da campanha salarial unificada foi definida no Encontro Estadual do Estado do Paraná, nos dias 29 e 30/05; reafirmada na Conferência Nacional em São Paulo, de 05 a 08 de junho, com a presença de 1200 delegados, e ratificada na assembléia realizada em Curitiba, no dia 16 de junho. É a esperança de recuperação da força de uma categoria que une 400 mil trabalhadores em todo o Brasil.
O resultado desta campanha, uma proposta de aumento real após muitos anos de jejum, prova isso! Unidos seremos mais fortes! Sempre!
SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE CURITIBA E REGIÃO
FETEC/CUT/PR
CNB
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