Após tentar contornar a crise gerada pela divulgação de uma foto ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário da milícia digital de Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu entorno já se preparam para vive nova tensão pela possibilidade de André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), avalizar uma ação de busca e apreensão em endereços ligados ao clã em razão do suposto patrocínio ao filme Dark Horse, versão da ultradireita da cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).
A possibilidade de uma ação da Polícia Federal foi fortalecida em razão do desencadeamento, há 10 dias, da 10ª fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo o publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, que coordenava “O Time” do banqueiro para atacar desafetos e tentar cooptar jornalistas no chamado Projeto DV, iniciais de Daniel Vorcaro.
Miranda teria sido o responsável por apresentar Flávio Bolsonaro ao dono do Master no final de 2024 e por atuar diretamente na intermediação dos pagamentos de Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos para o patrocínio do filme Dark Horse.
Diálogos do celular de Miranda, revelados em maio pelo Intercept Brasil e confirmados pelo Estadão, indicaram que o publicitário marcou encontros entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro e fez cobranças ao banqueiro por pagamentos atrasados.
As mensagens também mostraram que Flávio Bolsonaro teria acertado diretamente com Vorcaro repasses de R$ 134 milhões, sob a justificativa de patrocinar o filme, com os valores sendo enviados a um fundo sediado nos EUA e gerido por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Mendonça blinda Flávio Bolsonaro
Na decisão, Mendonça deixou fora da ação ostensiva o eixo mais sensível para a extrema direita no caso Master: Flávio Bolsonaro, o Projeto DV, conhecido nos bastidores como PDV, e Marcello Lopes, o Marcellão, marqueteiro da pré-campanha presidencial do senador bolsonarista.
O ministro sequer cita Marcellão, operador de comunicação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e circulava no núcleo que preparava o senador para ocupar o lugar político de Jair Bolsonaro em 2026.
O publicitário foi afastado oficialmente da campanha, embora siga atuando nos bastidores, após revelação de que ele recebeu R$ 650 mil de Vorcaro para integrar o Projeto DV.
Além dessa ligação, Mendonça é relator de outra ação, de Lindbergh Farias, que aponta possível conexão entre Banco Master, Vorcaro, Flávio, Eduardo Bolsonaro e recursos destinados ao filme.
O resultado prático é simples: Dark Horse ficou com Mendonça. PDV não apareceu na última ação ostensiva. Marcellão não foi levado ao centro da decisão. Flávio Bolsonaro, embora seja o personagem político mais exposto na linha Vorcaro, não foi tratado na operação com a mesma dureza aplicada aos demais políticos investigados.
Esse cenário faz com que aliados próximos já tratem uma ação de busca e apreensão contra o senador como questão de dias – e não se irá ou não ocorrer.
A questão se dá justamente pela PF já ter elementos necessários para a ação e poderia prevaricar, caso não haja contra o senador durante a campanha eleitoral.
Ao pedir aval a Mendonça, Flávio Bolsonaro já ficaria exposto, mesmo que o ministro, aliado do clã, impeça os investigadores de baterem à porta do senador. Essa hipótese poderia criar ainda mais desgaste por comprovar a blindagem do “terrivelmente evangélico” ministro, alçado ao Supremo por Jair Bolsonaro.
Texto: Plinio Teodoro
Fonte: Revista Fórum