Cerca de 3 mil pessoas, segundo a Polícia Militar (PM), participaram da festa do 1º de Maio Unificado no Vale do Anhangabau, centro paulistano. O evento foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB). Durante todo o dia, o público pode ver shows.
Os presidentes das três centrais telefonaram, durante o evento, para a presidenta Dilma Rousseff e a cumprimentaram pelas medidas anunciadas ontem (30). Em pronuciamento em cadeia nacional de TV e rádio, Dilma anunciou a correção da tabela do Imposto de Renda e o aumento de 10% no valor do benefício do Bolsa Família.
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“Você mantém a política de valorização do salário mínimo e corrige a tabela do Imposto de Renda, é dinheiro para os trabalhadores para investir no desenvolvimento. Extremamente importante isso e faz parte das reivindicações que as centrais sindicais entregarão a ela [presidenta Dilma]”, ressaltou o presidente da CUT, Vagner Morais. Mais cedo, no ato, convocado pela Força Sindical, a correção do Imposto de Renda, anunciada pela presidenta, foi criticada.
Os dirigentes das centrais sindicais disseram que pretendem pressionar o Congresso Nacional para a aprovação de pautas consideradas prioritárias, como o fim do fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. “Nós sentimos que há condição, até pelo momento eleitoral, de que a gente avance em algumas das coisas que nós tanto queremos”, enfatizou o presidente da CSB, Antonio Neto.
Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, nos últimos anos foram conquistados poucos benefícios para os trabalhadores. “Eu sou da opinião que pouco se avançou na pauta trabalhista. No entanto, a presidenta, ao se pronunciar, elevou o nosso ânimo”, disse. “De parte das centrais, nós vamos continuar lutando para pressionar o Congresso para que ele se volte para os anseios e expectativas da maioria da população”, acrescentou.
O ministro do Trabalho, Manoel Dias, que também esteve no ato da Força Sindical, disse que faltam no Congresso representantes dos interesses dos trabalhadores. ”A pauta trabalhista está parada, não anda, porque não tem representantes dos trabalhadores”.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, também esteve presente no evento. Estava previsto discurso dele durante o ato político da festa. No entanto, quando começaram as intervenções, o público se mostrou impaciente, vaiando e atirando garrafas plásticas no palco. Haddad acabou deixando o local sem se pronunciar ou falar à imprensa. O ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, falou rapidamente e conclamou o público a “enxotar”o racismo. O ministro de Relações Institucionais da Presidência, Ricardo Berzoini, se limitou a mandar um abraço para os presentes.
1º de Maio da CUT defende continuidade do atual projeto político brasileiro
01/05/2014
“Não abrimos nosso palco nem para a elite nem para candidatos que defendem o retrocesso”, afirmou Vagner Freitas, diante de 100 mil pessoas em São Paulo
Escrito por: Isaias Dalle, Luiz Carvalho e Vanessa Ramos
As lideranças sindicais e dos partidos PT, PSB, PC do B, PMDB e PDT, que falaram durante o ato político do 1º de Maio da CUT, CTB, UGT e CSB, destacaram que todos os recentes avanços sociais obtidos nos últimos anos são resultado, em grande parte, da ação do movimento sindical. As mobilizações de rua, a organização nos locais de trabalho, as greves e a ação coordenada junto aos três poderes, que no passado foram fundamentais para a luta contra a opressão e o arrocho salarial, têm sido atualmente responsáveis por conquistas como os maiores aumentos salariais das últimas décadas, a política de valorização do salário mínimo, o aumento do emprego com carteira assinada e pelas sucessivas atualizações da tabela do imposto de renda, como a anunciada ontem pela presidenta Dilma.
Ao longo de todo o dia, mais de 100 mil trabalhadores e trabalhadoras participaram da comemoração, realizada no Vale do Anhangabaú, capital paulista.
“Foi um 1º de Maio vitorioso porque reunimos as principais centrais sindicais e não abrimos espaço, em nosso palco, para representantes das elites, dos empresários e de partidos que representam o retrocesso, como aconteceu próximo ao campo de Marte”, avaliou o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, ao mesmo tempo em que criticou as celebrações realizadas pela Força Sindical (leia mais sobre isso clicando aqui).
Para Vagner, a unidade das centrais e a pauta essencialmente classista defendida nesse 1º de Maio vão impulsionar o movimento sindical na luta para destravar as reivindicações da classe trabalhadora que estão em compasso de espera no Congresso Nacional. O próximo capítulo dessa luta vai ocorrer no dia 6, terça-feira, quando as lideranças das centrais vão participar de audiência no plenário da Câmara dos Deputados para defender a aprovação de projetos como a redução da jornada sem redução de salário, o fim do fator previdenciário e a regulamentação da negociação no setor público, entre outros pontos que já foram apresentados durante a 8ª Marcha Nacional da Classe Trabalhadora.
“Vamos cobrar do presidente da Câmara, o deputado Henrique Alves (PMDB-RN), agilidade e cumprimento dos compromissos que o Legislativo tem com o povo e com os trabalhadores”, disse Vagner.
O ato político teve início por volta das 17h, após a apresentação do Hino Nacional pelas mãos do maestro João Carlos Martins, e de uma versão de Ave Maria na voz do tenor Jean William.
Adi dos Santos Lima, presidente da CUT-SP, organizadora das comemorações, avaliou que o tema adotado este ano – “Comunicação: O Desafio do Século” – foi mais do que acertado. “Temos hoje em dia um monopólio elitista dos meios de comunicação, que quase sem parar transmite mensagens que desqualificam ou fazem caricatura dos trabalhadores, e que pregam a demonização da política. Grande parte do desencanto com a política é fruto de anos e anos de uma mensagem contra a política e contra o povo”, comentou.
Ministro da Articulação Política do governo Dilma, Ricardo Berzoini, saudou a plateia: “hoje é um dia de luta e reflexão. Viva a classe trabalhadora”. Outro ministro do governo, o do Trabalho, Manoel Dias, exortou o público a refletir a importância dessa data, para além da música e da festa. “Cada trabalhador e trabalhadora é portador de uma intensa e contínua luta, por si mesmo e pela comunidade”.
Presidente da CSB, Antonio Neto lembrou que o 1º de Maio tem a função de também mostrar as conquistas da classe trabalhadora e como chegamos a elas”. Falando pela CTB, seu presidente, Adilson Araújo, destacou o tema escolhido para as celebrações deste ano. “Nós lutamos pela democratização da comunicação porque não é mais possível ver a TV mostrando o pobre sempre de maneira negativa”. Canindé Pegado, da UGT, afirmou: “Saibam vocês que muitas das melhores condições de vida que conquistaram tiveram participação dessas entidades sindicais”.
Encerraram o ato o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o ex-ministro da Saúde e candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha. “É preciso alcançarmos real liberdade e dignidade para vocês”, disse Suplicy. “Quem aqui é contra o racismo levanta a mão”, pediu Padilha. “Vamos banir o racismo de nossa sociedade”.
Após o ato, em entrevista à CUT, Padilha afirmou:“Dilma fez um importante anúncio com a correção da tabela do imposto de renda e a manutenção da política de valorização do salário mínimo. Vamos comemorar o que foi alcançado e lutar para avançarmos ainda mais”. Ao comentar sua fala antirracismo, explicou que ““a juventude negra e da periferia sofrem nos ônibus, metrô, CPTM e, ainda, com o tratamento da polícia”.

CTB, CUT e CSB levam mais de 100 mil ao Anhangabaú em São Paulo
- Última atualização em 02 Maio 2014

A manhã desta quinta-feira (1º) a CTB iniciou o dia concentrando-se no Largo do Arouche, na capital paulista, e recebeu o apoio da juventude trabalhadora da União da Juventude Socialista (UJS) aos gritos de que neste ano “Não vai ter Alckmin” no estado. Do Arouche a central classista iniciou sua marcha para juntar-se ao ato unificado do 1º de Maio no Vale do Anhangabaú, que em 1984 esteve lotado com mais de 1 milhão de pessoas pedindo Diretas Já para presidente da República.
Animados por parte da bateria da escola de samba Unidos do Peruche, a passeata cetebista chamou a atenção dos transeuntes que não paravam de fotografar a marcha com seus celulares. “A CTB acertou em fazer essa concentração para marcar a sua personalidade. Entendo que a mensagem da central para este 1º de Maio, mais do que nunca é o da unidade e da mobilização da classe trabalhadora para levar adiante todas as bandeiras que afetam a vida dos brasileiros”, disse Orlando Silva, presidente estadual do PCdoB-SP.
O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto ressaltou a importância de um ato tão grande num momento em que o país vê crescer a agenda dos trabalhadores. “É importante estarmos unidos para pressionar o Congresso a aprovar a pauta trabalhista, para aprovar os projetos que queremos”, acentuou. Já o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas reforça o pensamento dos dirigentes das centrais sindicais de que caminhar juntos é fundamental. “Não conheço vitórias dos trabalhadores na história sem unidade”, argumentou. “Espero que no ano que vem o ato do 1º de Maio seja de todas as centrais juntas”, defendeu.

O presidente da CTB, Adilson Araújo enfatizou que a unicidade sindical sempre foi uma bandeira da central e que “é preciso levar as bandeiras do movimento sindical para as ruas e trazer os trabalhadores e trabalhadoras para os sindicatos e dessa forma avançar nas conquistas que podem melhorar a vida de todos e todas”, sintetizou. Para Adilson, a reforma política é essencial para aprimorar a democracia brasileira proibindo o financiamento de campanhas eleitorais por empresas. “Se empresa não vota por que pode doar dinheiro para candidatos?”, questionou.
O vice-presidente da CTB, Joilson Cardoso disse que “a central sempre defendeu a unidade e agora enfatiza a pauta da Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) de 2010 e pretende lutar para avançar e assim conquistarmos um país mais igual”. Carina Vitral, presidenta da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, enfocou a importância dos estudantes caminharem com a classe trabalhadora. “Estamos todos no mesmo barco e a luta para a construção do Brasil dos nossos sonhos é de todos nós que estamos do lado dos trabalhadores”, determinou.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch enfatizou a novidade deste 1º de Maio em que vê CUT e CTB juntas. “A unidade dos trabalhadores reafirma os direitos e avança para novas conquistas. Por isso, a Contag se soma para levar adiante questões fundamentais para o país como a agricultura familiar e a reforma agrária”, referendou.
A deputada estadual e cantora Leci Brandão (PCdoB-SP) falou de sua tarefa como relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Trabalho Escravo na Assembleia Legislativa de São Paulo e enfatizou a necessidade de um combate permanente a essa forma de exploração de seres humanos. Ela também atacou os recentes casos de racismo no futebol. “Somos todos humanos, não macacos”, disse. “Essa campanha que diz essa perversidade não sabe o que é racismos pra valer e não tem intenção de abraçar as verdadeiras bandeiras fundamentais para extinguirmos o racismo desta nação”, reforçou. “Sempre estive nas lutas contra o racismo e agora vejo inúmeras ‘celebridades’ que nunca fizeram nada para mudar a situação de vida dos negros apareçam comendo banana em fotos oportunistas”, revoltou-se.
Os cerca de 100 mil presentes, segundo os organizadores, ao Vale do Anhangabaú assistiram ao ato político e também viram os diversos shows no palco principal do ato. “Este ato tem a capacidade de fazer a classe trabalhadora refletir sobre que país queremos legar para nossos filhos”, defendeu o presidente da CTB. “Os setores conservadores estão se organizando para derrubar todas as conquistas mais importantes dos trabalhadores e trabalhadoras, como a política de valorização do salário mínimo, mas nós não vamos permitir nenhum retrocesso”, enfatizou Adilson Araújo.
Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Fotos: Fernanda Ruy
Notícia colhida no sítio http://portalctb.org.br/site/noticias-editorias/brasil/22444-ctb,-cut-e-csb-levam-mais-de-100-mil-ao-anhangaba%C3%BA-em-s%C3%A3o-paulo.html